Papel que não acaba mais exige controle firme, pois gastos
com impressão chegam a até, dependendo da área
de atuação, 3% do lucro da empresa Foto: Divulgação
O desperdício
que vem da impressão
Aumento nos custos
em razão ao uso indevido de papel é fonte de preocupação
para empresas
E-mails
pessoais esquecidos na bandeja. Itinerários de viagem.
Currículos. Trabalhos de cursos. Piadas recebidas de amigos.
Tudo isso faz parte do desperdício de papel que anda grassando
pelos ambientes corporativos após o advento da tecnologia
da informação (TI). Sem falar do que se imprime
para o próprio trabalho, mas também pode ser desnecessário.
É como diz Richard Kenj, gerente de produto da Oki Data:
quem achava que, com a internet, o papel ia acabar, enganou-se
feio. Pense bem: quantas vezes a impressora do setor onde você
trabalha atolou de tanto papel esta semana? Perdeu a conta? Pois
as impressões indevidas no trabalho andam consumindo um
bocado de dinheiro das empresas, tanto que ocasionaram o surgimento
do "gerenciador de impressão", aquele encarregado
de reduzir o vício que temos de botar tudo em papel.
Estudo feito pelo Gartner Dataquest estima que, só nos
Estados Unidos, as empresas gastam até 3% de seus lucros
com impressão. E que poderiam economizar 30% dessa fatura
mexendo no processo de fluxo de documentos e impressão.
O mesmo estudo aponta um modelo ideal para acabar com os engarrafamentos
e o desperdício de papel, mas admite que menos de 5% das
empresas redefiniriam hoje seus processos aproveitando todos
os aspectos do modelo.
"Outra coisa é que a célebre TCO (Total Cost
of Ownership, ou custo total da propriedade) aumenta significativamente
quando a própria empresa é responsável por
todos os gastos de infra-estrutura relacionados com impressão",
diz Luiz Antonio de Moraes Santos, gerente de TI da César
Reis Office Products, empresa especializada em gerenciamento
de impressão. "É como você ter um carro.
Quanto custa ter o carro? Você troca pneu, paga IPVA, põe
gasolina. Isso é custo de propriedade. Da mesma forma,
se a empresa compra a impressora, arca com manutenção,
precisa ter alguém para comprar suprimentos, e todos aqueles
custos que não aparecem, mas existem. Segundo o Gartner,
o custo de propriedade associado a uma impressão é
da ordem de 45% do valor da impressão. Quase a metade,
veja. Então, se a impressão por página custa
R$ 0,10, somada ao TCO ela vai subir para quase R$ 0,15.
Mas voltemos ao desperdício. No trabalho, o que se imprime
de mais indevido? Segundo Luiz, os trabalhos de faculdade são
campeões da categoria, junto com piadas encontradas na
internet e pornografia.
E como coibir essa farra de impressão que, segundo Luiz
Antonio, pode exigir entre R$ 150 mil a R$ 300 mil por ano? A
primeira coisa, diz Richard Kenj, gerente de produto da Oki Data,
é ter tudo em rede, para que se faça um gerenciamento
remoto do que está acontecendo nas impressoras. Nada de
ter aquele monte de impressoras isoladas em setores, dependendo
eventualmente de seus responsáveis. O segundo passo é
pensar na relação custo-benefício das tecnologias.
Inkjet ou laser? Tinta ou toner?
"Veja, tomando a base mínima dos estudos do mercado,
de 5% de cobertura no papel impresso (o quanto da página
é coberta, na realidade, por tinta ou toner), temos variações
de custo importantes", diz ele. "O custo por página
impressa em preto e branco é de R$ 0,09 a R$ 0,12 numa
impressora laser e pode subir 30% numa jato de tinta. Na cor,
enquanto esse custo fica entre R$ 0,60 e R$ 0,80 numa laser,
sai a mais de R$ 1 na jato de tinta.
Jato de tinta
é campeã na manutenção
E isso sem falar do custo de operação e manutenção
da jato de tinta, que é bem maior do que o da laser. "Ao
longo dos anos, o mercado absorveu um número muito grande
de impressoras jato de tinta cujos suprimentos, hoje, são
muito caros. Há gente desesperada por aí pagando
uma fortuna num cartucho de tinta", diz Luiz Antonio de
Moraes Santos, gerente de TI da César Reis Office Products.
Ele explica que o primeiro passo para controlar a papelada é
fazer um levantamento minucioso do parque de impressão
do ambiente - e isso não se restringe à impressão:
considera envio e recebimento de faxes, cópias, escaneamento
de documentos, ou seja, tudo aquilo que tem a ver com papel.
"Depois de saber quanto o cliente gasta, trabalha-se para
reduzir o custo. Para acabar com o eventual excesso de impressoras,
pode-se criar ilhas de trabalho dentro do ambiente, centralizando
mais as impressões. Depois, instala-se um software para
gerenciar o processo. E criam-se centros de custo para cada impressão.
Com isso, controlo quem imprime o quê, quando imprime e
quanto imprime.
Mas não basta trabalhar apenas os aspectos técnicos
da questão. A cultura da impressão também
deve ser combatida. Para isso os consultores que trabalham com
Luiz Antônio conversam com todos os que utilizam impressoras,
procurando saber o que imprimem e quais as suas necessidades.
Reeducação
"É uma reeducação do usuário.
Primeiro, orientando-o a não imprimir assuntos pessoais
que nada tenham a ver com o trabalho na empresa; segundo, conversando
com cada um para ensinar todas as soluções que
o equipamento oferece, de modo a economizar impressões",
diz Luiz.
"Os softwares de contabilização, como o Job
Accounting que usamos, permitem saber o que está sendo
impresso, por quem, em que formato, se cor ou preto e branco",
diz Márcia Ferreira, diretora de marketing da Oki Data.
"E também restringem e adaptam o uso conforme a área.
O marketing pode imprimir colorido, enquanto o financeiro geralmente
só precisa do preto e branco. Por fim, já há
ambientes em que se busca saber o que os usuários estão
imprimindo via palavras-chave."
"A criação de centros de custo também
é importante. No nosso caso, usamos para isso a Lexmark
Documents Solution Suite (LDSS)", diz Jorge Toda, diretor
da divisão corporativa da Lexmark. A opção
por ilhas pode ser interessante, mas há quem se esqueça
de pegar imediatamente o que pediu para imprimir - e no fim do
dia lá estão centenas de páginas abandonadas.
Modelo com
controle, a alternativa
Para combater o desperdício de papel para impressão,
uma das alternativas é usar impressoras com caixa postal
confidencial. Como ela funciona? O usuário manda a impressão,
e ela fica inicialmente na memória - a máquina
não imprime direto. Então, ele vai até lá
e digita uma senha pessoal na própria impressora ou multifuncional.
Só aí sai a impressão. Esse dispositivo
é fundamental em qualquer ilha de trabalho para 15, 20
pessoas. Até por segurança, também. Num
departamento de vendas, tudo pode ser impresso sem problemas.
Mas, no caso de um RH e de um financeiro, o buraco é mais
embaixo.
Outra forma de deixar a conta mais leve é escanear ao
invés de imprimir. Há equipamentos que permitem
escanear o documento e mandá-lo via e-mail, ao invés
de imprimir ou passar por fax. Entram nesse esquema os multifuncionais
que imprimem, escaneiam, se conectam à web, passam faxes,
copiam.
"O multifuncional ajuda a convergir as tecnologias. Evita
aquelas setorizações dos aparelhos - o scanner
que fica na sala do João e só ele tem a chave,
por exemplo. Ele pode substituir vários dispositivos separados
e de marcas diferentes, que podem gerar mais custos em suprimentos
e peças", diz Jorge Toda, diretor da divisão
corporativa da Lexmark.
A terceirização total da impressão pode
reduzir bem os custos, já que as impressoras e sua manutenção
completa são de responsabilidade do gerenciador ou consultor.
O pagamento geralmente é por página produzida.
Ao fim do primeiro ano de controle, pode-se economizar 20%, 25%
ou mais.
"Estamos trabalhando há três anos com o pessoal
da César Reis gerenciando a impressão e já
economizamos 40%", conta Ronaldo Duarte Tavares, responsável
pelas compras na ECW, fabricante de motorredutores para motores
elétricos. "Antes, não tínhamos noção
de quanto gastávamos, mas trocamos três jatos de
tinta por um multifuncional laser e escaneamos documentos para
enviar por e-mail ao invés de imprimir tudo".
Jorge alerta para a disposição física das
impressoras. Não adianta botar uma só numa área
imensa; não é viável. Já se a necessidade
é de muitas impressoras, a terceirização
pode não ser a melhor idéia, porque o custo/página
ficaria alto. Aí valeria uma locação simples,
ou compra e ativação das impressoras pela própria
empresa.
Ou por outra, como diz Richard Kenj, gerente de produto da Oki
Data, um equipamento de maior porte funcionando como uma minicentral
dá um custo por página mais baixo. Já com
diversas impressoras num conceito descentralizado, o custo por
página sobe. Resumindo: pense duas vezes antes de imprimir
alguma coisa.
Produtos &
Negócios
Jogo
de guerra 1
Em 2000, a Creative Assembly causou uma revolução
no mercado de games de estratégia ao lançar Shogun,
jogo que abriu a série Total War. Pela primeira vez o
jogador pôde ter a real sensação de estar
em um campo de batalha, comandando tropas de milhares de soldados,
em cenários gigantescos e tão bonitos que chegavam
a lembrar cenas de filmes de Akira Kurosawa. O sucesso jogo gerou
duas continuações e agora chega ao seu apogeu técnico
com Rome, onde o jogador assume o papel de líder de uma
das famílias da aristocracia romana e precisa conquistar
os territórios que formarão o império. Se
Shogun era bonito, Rome é um verdadeiro escândalo
visual. É possível ver detalhes das armaduras dos
legionários, armas e desenhos dos escudos. Ao atirar com
uma catapulta, dá para acompanhar detalhes do disparo,
até mesmo pôr a câmera para seguir a trajetória
das pedras até atingirem seu alvo. Os recursos sonoros
também foram turbinados. Antes das batalhas ouve-se um
longo discurso do seu general explicando o que levou os romanos
até aquele lugar e as vantagens ou desvantagens de sua
tropa em relação aos adversários. O discurso
muda em cada batalha e de acordo com as características
pessoais de cada comandante.
Jogo
de guerra 2
Ao contrário das versões anteriores, em Rome os
programadores deram toda atenção à administração
do seu império. Não chega a ser nenhum Civilization,
mas suas escolhas na construção de cada cidade
influenciam no perfil de quem estará à frente de
suas tropas. Por exemplo, ao construir uma academia, aumentam
as chances de seu general ser um grande estrategista militar.
Já uma arena, apesar de alegrar os cidadãos, colaboram
para que aquele Marco Antônio no qual você investia
com tanto carinho vire um festeiro tão inconseqüente
quanto um Calígula. Mas ninguém compra Total War
preocupado em construir sistemas de esgotos. O que torna o jogo
ímpar são as batalhas, que de tão épicas
parecem ter sido extraídas dos dois últimos filmes
da trilogia Senhor dos Anéis. É preciso pesar com
calma o que fazer com cada tipo de unidade e como combiná-las
para atingir sucesso nas batalhas. Não se deve lançar
a cavalaria sobre os inimigos a menos que você almeje um
fracasso tão retumbante quanto o dos ingleses, ao fazer
o mesmo, no filme Coração Valente. Os arqueiros
também devem ser protegidos por tropas de infantaria e
jamais lançados sobre os inimigos. A engine do jogo causou
tanto impacto no mercado americano que gerou um documentário
no canal por assinatura The History Channel. Tem que conferir.
Para jogar Rome: Total War é preciso ter, no mínimo,
um Pentium 3 ou Athlon de 1.0 GHz, 300 mega livres no HD e placa
aceleradora 3D. Preço sugerido: R$ 90,00.
Acesso
à web 1
À primeira vista, parece utopia: a AMD anunciou um plano
de negócios que, segundo a companhia, pode vir a oferecer
acesso à internet à metade da humanidade até
o ano de 2015 - quando o mundo terá mais de 7,2 bilhões
de pessoas. O projeto, batizado de 50 X 15 (50% até 2015),
tem como pilar o Personal Internet Communicator (PIC), dispositivo
que permite acesso à rede e oferece recursos de computação
baseados em Windows e softwares educacionais. O dispositivo,
que terá larga distribuição em todos os
continentes, já vem com browser, cliente de e-mail, ferramentas
de produtividade (como Word Excel) e softwares para visualização
de imagens e arquivos multimídia.
Acesso à web 2
Para facilitar a adoção do Personal Internet Communicator
(PIC) em localidades remotas, o modelo de negócios foi
baseado na comercialização, venda e provimento
de serviços locais. Entre as prestadoras de serviço
poderão estar operadoras de telecomunicações
e/ou programas de comunicação patrocinados pelos
governos locais. O valor sugerido para o consumidor final é
de US$ 185 com teclado, mouse e softwares pré-instalados,
ou US$ 249 com isso tudo e mais o monitor. O primeiro país
a receber o equipamento será a Índia. Ontem foi
a vez do México. Para alavancar a adoção
do PIC, a AMD anunciou uma série de parcerias, entre elas
o grupo Tata, na Índia - primeiro a distribuir o PIC -,
a CRC, no México, e a Cable and Wireless, no Caribe. Ainda
não há previsão para a chegada do PIC ao
Brasil.
LCD
42
A Philips lança este mês no Brasil a Ambilight versão
42 polegadas (107 centímetros). Ao analisar os sinais
de transmissão em tempo real, a maior e mais sofisticada
TV de cristal líquido (LCD) do mercado brasileiro produz
iluminação de fundo que converge com a imagem veiculada
na tela. Com preço sugerido de R$ 27.999,00 para o consumidor
final, o produto tem tecnologia desenvolvida em parceria entre
as divisões de pesquisa, iluminação e eletrodomésticos
da Philips.