Joinville         -         Quarta-feira, 02 de novembro de 2005        -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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Em Destaque - Finados

Um dia para
reverenciar os mortos

Cristãos levam flores e velas para os cemitérios como forma de celebrar a passagem da vida

Joinville ­ Misteriosa para alguns, assustadora para outros ou simplesmente mais uma etapa da vida. A morte tem várias maneiras de ser encarada e cada cultura tem uma forma diferente de reverenciar as pessoas queridas que já nos deixaram. Para os cristãos, esta quarta-feira, 2 de novembro, é um dia especial para homenagear esses entes queridos.
A homenagem aos mortos começou com os primeiros cristãos, que por causa da perseguição que sofriam na época, não podiam velar os mortos, então os celebravam depois. Nos séculos 8 e 9, havia rituais que celebravam os vivos e os mortos, onde era escrito o nome da pessoa que morreu em papiros, que eram levados e lidos nas comunidades para que se orassem pelos mortos. Só entre 1024 e 1033, na França, que foi oficializado o dia 2 de novembro como Dia de Todas as Almas ou Finados.
A coordenadora do curso de ciências religiosas da Universidade da Região de Joinville (Univille) Cecília Hess, afirma que o ritual do Dia de Finados tem toda uma simbologia por trás. "O nosso gesto de levar flores e velas tem um simbolismo. A vela significa a luz que nos ilumina através do que os nossos ancestrais deixaram para trás. É a ligação entre os que já foram e os que permanecem neste mundo. E as flores são o símbolo da alegria. A morte é apenas uma passagem", explica Cecília.
Cada cultura ou religião tem seus ritos próprios para venerar seus mortos. No México, por exemplo, o Dia dos Mortos é um momento de festejar. Segundo a crença mexicana, no início de novembro, os mortos deixam o além e voltam para visitar os parentes vivos. Na noite do dia 1º de novembro, as pessoas vão ao cemitérios. Os túmulos são iluminados com velas e decorados com flores. Barracas vendem comidas típicas. Orquestras de mariachi são contratadas para cantar as músicas favoritas do falecido. As pessoas dançam, bebem e rezam.
"A morte é um fato cultural. Depende da mitologia de cada povo", afirma o psicanalista Roosevelt Cassorla, professor de Psicologia Médica da Universidade de Campinas (Unicamp) e especialista em tanatologia (o estudo da morte). Segundo ele, o ser humano não consegue conviver com o desconhecido, com coisas que não têm explicação. A morte é uma delas. Até hoje, a ciência não consegue enxergar nem mesmo os mínimos vestígios do que quer que exista após a vida. "É por isso que a mente arranja explicações para esse mistério, o que nos dá uma sensação de controle sobre algo que é totalmente incontrolável. E a mente varia de acordo com o povo, com a região, com a época. De uma forma ou de outra, todas as culturas têm isso", diz o especialista.
Os índios kamaiurás, da Reserva do Xingu, em Mato Grosso, uma vez por ano realizam o quarup, uma cerimônia para que os espíritos de seus mortos sejam libertados e possam ir para a "aldeia das almas", um lugar onde só se dança e canta. O mesmo raciocínio das explicações culturais vale para os rituais fúnebres, segundo Cassorla. Os kamaiurás também enterram seus mortos em cemitérios. Os hindus cremam e lançam as cinzas de preferência sobre o Ganges, o rio sagrado, na índia. Os muçulmanos sepultam seus finados sem caixão nem adorno, apenas com mortalhas. Os budistas lembram seus mortos em cerimônias em aniversários ímpares (como sete dias, 13 anos e 33 anos após a morte).

saudades

A saudade e a lembrança dos pais estão sempre presentes na vida Marlene R. Voss, 44 anos, dos dois filhos e da sobrinha. Mesmo assim, ela afirma que o Finados é um dia especial. É o dia dos mortos, dos que já se foram. E dessa forma justifica a presença dos quatro no Cemitério Municipal de Joinville, ontem.
Ela antecipou a ida ao cemitério para evitar o grande número de pessoas que é esperado hoje e limpar a sepultura. A presença das crianças também têm um porquê: Marlene quer que eles dêem continuidade a tradição de família. "São avós deles e, se não trazer quando pequenos, não vão continuar vindo mais tarde", explica Marlene.
João Nestor Padilha, 60 anos, e Marilda Fernandes Padilha, 58 anos, também prestaram homenagem a mãe de Marilda, Maria de Lurdes Fernandes, ontem. Padilha conta que ela era o baluarte da família. "A gente vem até aqui para lembrar como era quando ela estava viva. Ao contrário do Natal, quando procuramos o cemitério porque estamos felizes, no finados é para refletir, sentir paz. Pena que é uma data que está desaparecendo em alguns lugares. As pessoas emendam o feriado e vão viajar", lamenta.


Renda extra
com limpeza

Diarista Rosa Conte cuida de 18 sepulturas em Chapecó

Chapecó - O trabalho que causa arrepio em muita gente se torna fonte alternativa de renda para outros em épocas difíceis. Há cinco anos, a diarista Rosa Conte, 54 anos, trabalha na limpeza e conservação de túmulos e jazigos do Cemitério Ecumênico de Chapecó. Ela arregaça as mangas e faz de tudo: limpa, lustra e até executa pequenos consertos com cimento e tinta. "Algumas famílias não podem fazer a limpeza porque nem moram mais aqui. Os parentes acabam me contratam para realizar os serviços necessários", conta ela, que duas vezes por semana passa o dia inteiro no cemitério cuidando de 18 túmulos e jazigos que estão sob sua responsabilidade.
Além de gostar do que faz, Rosa encontrou na atividade uma nova alternativa de renda. Os R$ 200,00 que recebe pelo trabalho são divididos com mais quatro familiares que auxiliam no serviço. "É cansativo, principalmente, em véspera do Dia de Finados, mas eu gosto do que faço", garantindo que nunca se preocupou com o fato de estar trabalhando dentro do cemitério. "Eu tenho medo dos vivos, não dos mortos".


Moradores da Capital
antecipam visitas

Florianópolis/Criciúma - Desde ontem o movimento é grande nos principais cemitérios de Florianópolis, o São Francisco de Assis, no bairro Itacorubi, e o São Cristóvão, em Coqueiros, área continental da cidade. No primeiro, onde estão sepultadas 55 mil pessoas, estão sendo aguardadas 20 mil pessoas neste Dia de Finados. Na Capital há uma peculiaridade. Com o feriado do funcionalismo por causa do Dia do Servidor Público foi transferido de sexta-feira para segunda e com o ponto facultativo decretado nos órgãos estaduais e municipais, boa parte dos funcionários públicos antecipou a visita aos cemitérios para sábado e viajou no feriadão.
Em Criciúma, mais de 25 mil pessoas são aguardadas nos principais cemitérios nesta quarta-feira. A estimativa é feita pela Somatem, empresa que administra os cemitérios do município. Movimentação intensa também nos demais municípios da região. Em Morro da Fumaça, desde o domingo, centenas de pessoas se revezam na limpeza e preparação dos túmulos. "É uma tradição. Nos dias que antecedem a gente sempre vem limpar e preparar o local. Deixar o túmulo bonito é uma outra homenagem que também podemos fazer para quem já foi", conta o aposentado Manoel Galdino Garcia, 87 anos, que hoje visita o túmulo das duas mulheres.


Romaria a túmulos
de milagreiros

Devota reza em frente a sepultura de Frei Silvério, em Lages

Lages ­ Quatro pontos do cemitério Cruz das Almas devem receber hoje muitos visitantes. O principal é justamente o local onde está a cruz que dá nome ao cemitério, onde se acendem velas. Outros três são os túmulos dos irmãos Canozzi, que morreram em uma emboscada no final do século 19 às margens do rio Caveiras; o da cigana Sebinca Christo, morta em 1914; e do Frei Silvério, falecido em 2000. Uma legião de pessoas acredita que os enterrados nestes locais são capazes de realizarem milagres. "Todos os anos são milhares de pessoas que visitam estes túmulos. O campeão de visitas é o dos irmãos Canozzi", revela o administrador do Cruz das Almas, Juarez Largura.
Entre as pessoas que buscam estes túmulos para acenderem velas e prestar suas homenagens, está Dara Aparecida Alves, que todos os anos acende velas para os irmãos Canozzi. "Tenho muito respeito por eles e venho todos os anos acender pelo menos uma vela aqui e no túmulo do frei Silvério", conta Dara. "Conheço pessoas que dizem já terem recebido graças dos irmãos Canozzi", completa. Já a aposentada Olga Waltrick, acredita que frei Silvério é uma ponte para as pessoas que tem fé alcançar alguma graça de Deus. "Por tudo que ele fez em vida tenho muito respeito e fé em seu poder".

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