|
ANcapital
Ú
L
T
I
M
A
P
Á
G
I
N
A
|
Em 3º Juliana
(D) competiu pelo segundo ano na disputa e terminou como terceira
colocada
Foto: Divulgação
ANC
Catarinense desafia a pororoca
pela segunda vez
Bodyboard Juliana
Pacheco foi uma das participantes do 2º Rio Araguari de
Surf na Pororoca no estado do Amapá
O
mês de maio foi especial para surfistas e bodyboarders
de cinco estados brasileiros que se reuniram no estado do Amapá
para o 2º Rio Araguari de Surf na Pororoca, no município
de Cutias. Este fenômeno da natureza atraiu centenas de
esportistas de todo o país, entre os quais se destacaram
a catarinense Juliana Pacheco (Badesc/Catarina Brasil/Ruthllees/Oficina
da Saúde/ Rio-Sul/FME Florianópolis/Gêneses),
Tatiana Dalegravi (PR), Guta Borges (PR) e Carolina Casemiro
(SP).
Durante os cinco dias da competição (26 a 30 de
maio), as atletas aproveitaram todos os momentos deste fenômeno
natural, que acontece no rio Amazonas, quando suas águas
se encontram com as do Oceano Atlântico. A paulista Carolina
Casemiro ficou em primeiro lugar ao surfar durante oito minutos,
seguida de Tatiana Dalegravi (sete minutos surfando). Empatadas
em terceiro lugar ficaram Juliana Pacheco e Guta Borges (cinco
minutos sobre a onda).
No primeiro dia de competição todos entraram na
lancha e foram em direção da famosa onda, que dura
apenas uma hora por dia. A primeira bateria foi a de bodyboard
feminina. Na onda, as garotas seguiram à esquerda. "Era
o lado que a onda nos chamava. Nós quatro entramos na
mesma onda. Ela estava perfeita, linda e parecia como as ondas
do mar, porém muito extensa, na verdade infinita",
relatou Juliana. Tatiana Dalegari veio em primeiro na parede
perfeita com 'cor de chocolate', manobrando em meia dúzia
de 360 graus. Logo atrás estava Carolina Casemiro, que
mesmo surfando bem, não tinha muita experiência
em rios e acabou atropelando Juliana e Guta. Foram cinco minutos
na onda antes do resgate.
DECISÃO
As meninas voltaram à agua apenas no terceiro dia,
quando o volume de água na pororoca aumentou e a expectativa
era grande. Elas entraram na onda, que tinha dois metros só
de espuma. A chuva atrapalhou muito no quarto dia e prejudicou
a visibilidade. Assim mesmo os atletas foram à caça
da pororoca. "Não dava para enxergar quase nada.
Apenas escutávamos o barulho da onda", lembra Juliana.
Decidiram então aguardar no igarapê (entrada do
rio onde a lancha fica protegida). "Quando foi possível
avistar o local com segurança, todos pularam na água.
"Foi um recorde, 15 pessoas surfando na mesma onda. Foi
emocionante", contou Juliana.
A decisão do título ficou para o quinto e último
dia. Todos acordaram às 5 horas da manhã com a
expectativa do final da aventura. "O coração
batia mais forte porque além de ser a final seria a última
onda que iríamos surfar nesta competição.
Já tínhamos pego o vírus da pororoca",
brincou Tatiana Dalegrasi.
Viagem de 26
horas até Cutias
Uma das organizadoras da competição em Cutias,
Juliana Pacheco destaca que a explosão da pororoca contagia
todos os atletas. "É emoção pura. No
momento em que o pessoal de apoio nos coloca perto da onda a
adrenalina sobe juntamente com a emoção. Surfando
este fenômeno da natureza percebemos que Deus está
presente entre nós", declarou. A aventura no Amapá
começou na noite do dia 23 de maio, quando as atletas
chegaram no aeroporto do Amapá e foram recepcionadas pelo
governador João Capiberibe e pelo prefeito de Cutias,
José Justo Moraes de Barbosa.
Juliana Pacheco recorda a maratona que enfrentou até
chegar no local das provas. Foram 26 horas de viagem desde a
saída de Florianópolis: nove horas de avião
até Macapá, capital do Amapá, mais cinco
horas de ônibus até Cutias e 12 horas de barco até
chegar no local da formação da Pororoca. "Durante
a viagem entramos em contato com a natureza e com os moradores
. A harmonia é contagiante", concluiu.
Encontro das águas
do mar com as do rio
provoca o fenômeno
A pororoca é um fenômeno natural que conjuga
beleza e violência no encontro das águas do mar
com as águas do rio Araguari. O fenômeno da Pororoca
que ocorre na região Amazônica, principalmente na
foz do rio Amazonas, é formado pela elevação
súbita das águas junto à foz e provocado
pelo encontro das marés ou de correntes contrárias,
como se estas encontrassem um obstáculo que impedisse
seu percurso natural. Quando ultrapassam esse obstáculo,
as águas correm rio adentro a uma velocidade de 10 a 15
milhas por hora e atingindo uma altura de 3 a 6 metros.
No Estado do Amapá ela ocorre na Ilha do Bailique, na
"Boca" do Araguari, no canal do inferno da Ilha de
Maracá e em diversas partes insulares com maior intensidade
entre os meses de janeiro e maio. É sem dúvida
um dos atrativos turísticos mais expressivos, que embora
temível, torna-se um espetáculo admirável
por todos. Consta que Vicente Pinzon, navegador espanhol, e sua
tripulação presenciaram a pororoca quando desceram
a Foz do Rio Amazonas e ficaram surpresos com a grandeza e a
beleza ímpar do fenômeno. É sabido que em
janeiro de 1500 ela quase destruiu embarcações.
A pororoca prenuncia a enchente. Alguns minutos antes de chegar
há uma calmaria, um momento de silêncio. As aves
se aquietam e até o vento parece parar de soprar. É
ela que se aproxima. Os caboclos já sabem e rapidamente
procuram um lugar seguro como enseadas ou mesmo os pontos mais
profundos dos rios para aportar suas embarcações
seguras de qualquer dano, pois a canoa que estiver na "baixa-mar",
onde ela bate furiosa e barulhenta, levando árvores das
margens, abrindo furos, arranca, vira e leva consigo.
Existem várias explicações da causa da
pororoca, porém a principal consiste na mudança
das fases da lua, principalmente nos equinócios. Com maior
propensão da massa líquida dos oceanos, força
que na Amazônia é percebida calculadamente a mais
de mil quilômetros. O barulho ensurdecedor ouve-se até
com duas horas de antecedência à vinda da "cabeceira"
da pororoca. Quando ela passa forma ondas menores, os "banzeiros",
que violentamente morrem nas praias.
 |
 |
|
Manchetes ANC |
|
|
|
|