Florianópolis         -          Sexta-feira, 21 de Junho de 2002         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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Em 3º Juliana (D) competiu pelo segundo ano na disputa e terminou como terceira colocada
Foto: Divulgação ANC

Catarinense desafia a pororoca pela segunda vez

Bodyboard Juliana Pacheco foi uma das participantes do 2º Rio Araguari de Surf na Pororoca no estado do Amapá

O mês de maio foi especial para surfistas e bodyboarders de cinco estados brasileiros que se reuniram no estado do Amapá para o 2º Rio Araguari de Surf na Pororoca, no município de Cutias. Este fenômeno da natureza atraiu centenas de esportistas de todo o país, entre os quais se destacaram a catarinense Juliana Pacheco (Badesc/Catarina Brasil/Ruthllees/Oficina da Saúde/ Rio-Sul/FME Florianópolis/Gêneses), Tatiana Dalegravi (PR), Guta Borges (PR) e Carolina Casemiro (SP).
Durante os cinco dias da competição (26 a 30 de maio), as atletas aproveitaram todos os momentos deste fenômeno natural, que acontece no rio Amazonas, quando suas águas se encontram com as do Oceano Atlântico. A paulista Carolina Casemiro ficou em primeiro lugar ao surfar durante oito minutos, seguida de Tatiana Dalegravi (sete minutos surfando). Empatadas em terceiro lugar ficaram Juliana Pacheco e Guta Borges (cinco minutos sobre a onda).
No primeiro dia de competição todos entraram na lancha e foram em direção da famosa onda, que dura apenas uma hora por dia. A primeira bateria foi a de bodyboard feminina. Na onda, as garotas seguiram à esquerda. "Era o lado que a onda nos chamava. Nós quatro entramos na mesma onda. Ela estava perfeita, linda e parecia como as ondas do mar, porém muito extensa, na verdade infinita", relatou Juliana. Tatiana Dalegari veio em primeiro na parede perfeita com 'cor de chocolate', manobrando em meia dúzia de 360 graus. Logo atrás estava Carolina Casemiro, que mesmo surfando bem, não tinha muita experiência em rios e acabou atropelando Juliana e Guta. Foram cinco minutos na onda antes do resgate.

DECISÃO

As meninas voltaram à agua apenas no terceiro dia, quando o volume de água na pororoca aumentou e a expectativa era grande. Elas entraram na onda, que tinha dois metros só de espuma. A chuva atrapalhou muito no quarto dia e prejudicou a visibilidade. Assim mesmo os atletas foram à caça da pororoca. "Não dava para enxergar quase nada. Apenas escutávamos o barulho da onda", lembra Juliana. Decidiram então aguardar no igarapê (entrada do rio onde a lancha fica protegida). "Quando foi possível avistar o local com segurança, todos pularam na água. "Foi um recorde, 15 pessoas surfando na mesma onda. Foi emocionante", contou Juliana.
A decisão do título ficou para o quinto e último dia. Todos acordaram às 5 horas da manhã com a expectativa do final da aventura. "O coração batia mais forte porque além de ser a final seria a última onda que iríamos surfar nesta competição. Já tínhamos pego o vírus da pororoca", brincou Tatiana Dalegrasi.


Viagem de 26
horas até Cutias

Uma das organizadoras da competição em Cutias, Juliana Pacheco destaca que a explosão da pororoca contagia todos os atletas. "É emoção pura. No momento em que o pessoal de apoio nos coloca perto da onda a adrenalina sobe juntamente com a emoção. Surfando este fenômeno da natureza percebemos que Deus está presente entre nós", declarou. A aventura no Amapá começou na noite do dia 23 de maio, quando as atletas chegaram no aeroporto do Amapá e foram recepcionadas pelo governador João Capiberibe e pelo prefeito de Cutias, José Justo Moraes de Barbosa.
Juliana Pacheco recorda a maratona que enfrentou até chegar no local das provas. Foram 26 horas de viagem desde a saída de Florianópolis: nove horas de avião até Macapá, capital do Amapá, mais cinco horas de ônibus até Cutias e 12 horas de barco até chegar no local da formação da Pororoca. "Durante a viagem entramos em contato com a natureza e com os moradores . A harmonia é contagiante", concluiu.


Encontro das águas
do mar com as do rio
provoca o fenômeno

A pororoca é um fenômeno natural que conjuga beleza e violência no encontro das águas do mar com as águas do rio Araguari. O fenômeno da Pororoca que ocorre na região Amazônica, principalmente na foz do rio Amazonas, é formado pela elevação súbita das águas junto à foz e provocado pelo encontro das marés ou de correntes contrárias, como se estas encontrassem um obstáculo que impedisse seu percurso natural. Quando ultrapassam esse obstáculo, as águas correm rio adentro a uma velocidade de 10 a 15 milhas por hora e atingindo uma altura de 3 a 6 metros.
No Estado do Amapá ela ocorre na Ilha do Bailique, na "Boca" do Araguari, no canal do inferno da Ilha de Maracá e em diversas partes insulares com maior intensidade entre os meses de janeiro e maio. É sem dúvida um dos atrativos turísticos mais expressivos, que embora temível, torna-se um espetáculo admirável por todos. Consta que Vicente Pinzon, navegador espanhol, e sua tripulação presenciaram a pororoca quando desceram a Foz do Rio Amazonas e ficaram surpresos com a grandeza e a beleza ímpar do fenômeno. É sabido que em janeiro de 1500 ela quase destruiu embarcações.
A pororoca prenuncia a enchente. Alguns minutos antes de chegar há uma calmaria, um momento de silêncio. As aves se aquietam e até o vento parece parar de soprar. É ela que se aproxima. Os caboclos já sabem e rapidamente procuram um lugar seguro como enseadas ou mesmo os pontos mais profundos dos rios para aportar suas embarcações seguras de qualquer dano, pois a canoa que estiver na "baixa-mar", onde ela bate furiosa e barulhenta, levando árvores das margens, abrindo furos, arranca, vira e leva consigo.
Existem várias explicações da causa da pororoca, porém a principal consiste na mudança das fases da lua, principalmente nos equinócios. Com maior propensão da massa líquida dos oceanos, força que na Amazônia é percebida calculadamente a mais de mil quilômetros. O barulho ensurdecedor ouve-se até com duas horas de antecedência à vinda da "cabeceira" da pororoca. Quando ela passa forma ondas menores, os "banzeiros", que violentamente morrem nas praias.

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