Florianópolis         -          Domingo, 3 de Novembro de 2002         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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1968
Vista do Instituto Estadual de Educação (IEE)
Foto: Acervo Carlos Damião

 

 

 

 

1925
Fachada do prédio principal do quartel
Foto: Acervo Adolfo Nicolich/reproduções Osvaldo Nocetti

 

 

 

1928
Integrantes dos setor de artilharia
Foto: Acervo Adolfo Nicolich/reproduções Osvaldo Nocetti

 

 

 

Década de 30
Campo do Manejo e obras do aterro da praça Tancredo Neves
Foto: Acervo Adolfo Nicolich/reproduções Osvaldo Nocetti

Estudantes soldados

Terreno do atual Instituto Estadual de Educação já abrigou quartel do Exército

JEFERSON LIMA

A área de 20 mil metros quadrados onde está instalado o Instituto Estadual de Educação (IEE), entre as avenidas Mauro Ramos e Hercílio Luz, serviu durante mais de 150 anos de campo de manejo do exército. De 1781 a 1935 funcionou ali o 14º Batalhão de Caçadores (14º BC). A sede do IEE foi construída em 1964. Segundo recorda o memorialista Adolfo Nicolich, entre 1935 e 1964 o local serviu para travessia de pedestres e animais e para sediar os circos que passavam pela cidade.
Segundo a arquiteta Eliane Veras da Veiga, no livro "Memória de Florianópolis", publicado pela Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (EdUFSC) e Fundação Franklin Cascaes (FFC), o prédio do quartel do Campo do Manejo é de 1781 e era dividido em dez partes iguais para abrigar as companhias existentes na época. O quartel contava com quartos para hospedagem dos soldados, ambulatório médico, depósito de materiais, prisão e cozinha. O edificio desapareceu somente no século 20, mas o muro lateral permaneceu durante longo tempo. O local também foi sede, junto ao IEE, da Federação Atlética Catarinense (FAC).
"As fortificações, quartéis, hospitais e enfermarias militares, entre outros edifícios que abrigavam os serviços de apoio à defesa, tiveram grande influência na origem das cidades brasileiras", escreve a historiadora. A finalidade do aparato militar servia para proteger a população e especialmente para impedir a invasão de intrusos. Em 1777 a Ilha havia sido invadida e dominada pelos espanhóis durante um ano, mesmo com todas as fortalezas edificadas na segunda metade do século 18.
O historiador Oswaldo Rodrigues Cabral, no livro "Nossa Senhora do Desterro - Memória", publicado pela editora Lunardelli, relata que alguns oficiais eram enviados para Florianópolis por castigo. O historiador cita uma matéria do jornal "O Mensageiro", de 22 de março de 1857, com referência a um oficial "que não cuidava muito da aparência" e circulava com um chapéu de sol, com a sobrecasaca desabotoada, colete que não era do uniforme e o colarinho três ou mais dedos salientes sobre a gravata, além dos cabelos longos.

INSTITUTO

Antes de ser instalado definitivamente no Campo do Manejo, em 1964, o Instituto Estadual de Educação esteve em várias sedes. O IEE foi criado em 1892 como Escola Normal Catarinense e funcionava nos porões do palácio do governo, atual Museu Histórico Santa Catarina/Palácio Cruz e Sousa. O objetivo inicial era formar professores, desenvolver técnicas de pedagogia e criar novas escolas. Nos anos 20, a professora Antonieta de Barros, e mais tarde a primeira deputada catarinense, instala o curso primário.
Em 1926, ano de inauguração da ponte Hercílio Luz, a escola ganha o suntuoso prédio na rua Saldanha Marinho, hoje Faculdade de Educação (Faed). Outras mudanças viriam nos anos 30, durante o governo Getúlio Vargas. A Escola passa a ser denominada Instituto Estadual de Educação de Florianópolis e junto ao prédio foi criado o Grupo Escolar Dias Velho, que funcionava como escola experimental.
Em 1947, depois da 2ª Guerra Mundial, passa a chamar-se Instituto de Educação Dias Velho, mas sem modificações estruturais. Na década de 50, a instituição possuía escola normal, escola experimental e grupo escolar, entre outras. O prédio da Saldanha Marinho ficou pequeno para as dimensões do complexo educacional e é construída a nova sede no campo do Manejo (praça General Osório) ao estilo do governo Juscelino Kubitschek, que havia inaugurado Brasília em 1960. Em 1966 a escola ganha o nome que possui hoje.
O IEE possui 7.400 alunos distribuídos em três turnos e matriculados no ensino básico, fundamental e médio, incluindo o curso de magistério. São 350 professores e 100 funcionários. É a maior escola pública do Estado.

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