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VELHO
CENTRO
Casarão de sobrado em demolição
na rua Augusta, atual João Pinto, onde hoje está
localizado o edifício Joana de Gusmão
Foto: Reprodução
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Cidade demolida
Desenhista compulsivo
do patrimônio arquitetônico de Florianópolis,
Domingos Fossari morreu há 15 anos
JEFERSON LIMA
Domingos
Fossari vivia desenhando ou pintando. Sempre foi assim, desde
sua infância, quando começou a paixão pelo
traço. Durante a vida de casado, quando trabalhava no
Departamento Nacional de Endemias Rurais, pintava de manhã
antes do trabalho; pintava quando voltava do trabalho; e pintava
nos finais de semana. Fossari teve 8 filhos, dois homens e seis
mulheres e morreu em 1987.
Nasceu em 1914 em Itaqui, no Rio Grande do Sul, e casou com a
brusquense Irene. Durante a adolescência lia os poemas
de Manuelito de Ornellas, que falavam de seres verdes, cheios
de mistérios e encantos que mencionavam a Ilha de Santa
Catarina.
Uma das obras fundamentais de Fossari é o álbum
com 121 desenhos "Florianópolis de Ontem", publicado
em 1978 pela editora da Universidade do Estado de Santa Catarina
(Udesc). No livro, o artista desenha cenas de uma cidade que
não existe mais.
Segundo recorda a filha Carmen Fossari, atriz e diretora de teatro,
o pai possuía uma vertente melancólica, de alguém
que tinha saudade do passado, da vida com outros e melhores valores.
Em algumas pinturas a óleo há estradas com pontos
de fuga no infinito, com a presença de nuvens inquietantes.
O livro "Florianópolis de Ontem" também
faz uma homenagem póstuma ao historiador Osvaldo Rodrigues
Cabral, que participou da publicação escrendo as
legendas dos locais retratados pelo artista. As pequenas linhas
de textos de Cabral situam no tempo e no espaço dezenas
de sobrados e casarões. Depois de feito o trabalho, Cabral
morreria repentinamente em fevereiro de 1978.
No livro, Fossari percorre sobrados do começo do século,
ladeiras, telhados e cenas do cotidiano de Florianópolis.
Apaixonado por Debret, Fossari fez ao estilo do seu ídolo
o registro de costumes, da paisagem humana e arquitetônica,
sem os quais não seria possível conhecer cenas
da cidade do passado.
O gaúcho de Itaqui era um amante da cidade e registrou
o bondinho puxado por burros, os vendedores ambulantes, os portões
de ferro trabalhado e a arquitetura rococó. Os desenhos
do artista eram provenientes muitas vezes de sua própria
memória, quando o modelo original já não
existia mais.
Esperidião Amin, prefeito da cidade na época da
publicação, escreve na apresentação
de "Florianópolis de Ontem" que nos desenhos
é possível descobrir "uma cidade que guardava
a quietude da província nas suas ruas calmas e a vaidade
do seu status de capital nos arabescos da sua frontaria e na
pompa de seus solares coloniais".
Fossari estudou desenho clássico em Buenos Aires, no final
da década de 30. Trabalhou como desenhista de publicidade
em Porto Alegre e estudou a técnica do bico-de-pena com
o suíço Vicente Perlasca. No começo da década
de 40 veio morar em Florianópolis.
Na Capital, Fossari manteve durante um longo tempo uma seção
de caricaturas no jornal "A Gazeta". Também
trabalhou no jornal "O Estado" produzindo charges e
caricaturas. Desenhou a maior obra científica em botânica
de Santa Catarina, com base nas pesquisas de Raulino Reitz, com
mais de 120 ilustrações em aquarela sobre bico-de-pena.
Muitas destas ilustrações foram impressas pelo
"The Bromeliad Society Bulletim", de Los Angeles, nos
EUA. Fossari também lecionou desenho artístico
no Curso Normal do Colégio Coração de Jesus
e na Casa da Arte. Em 1973 lançou o álbum de caricaturas
"Assim os Vejo, Homens do meu Tempo", com desenhos
de personalidades.
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