|
ANcapital
G E R A L
|
O homem que acendeu a luz do Ribeirão
Isodro Domiciano
Pinheiro foi responsável pela rede de energia no distrito
a partir de 1955
Celso Martins
Fevereiro
de 1955. O governador Irineu Bornhausen e o prefeito de Florianópolis,
Paulo Fontes, acompanhados de suas comitivas, vão até
o Ribeirão da Ilha inaugurar a rede de energia elétrica.
A chave foi acionada por Fontes, que, ao invés de muita
luz, fez surgir o que os eletricistas chamam de "vagalume"
- uma iluminação fraca, com baixíssima tensão.
"Isso aconteceu porque instalaram um transformador num ponto
e outro dez quilômetros adiante", recorda Isidro Domiciano
Pinheiro, 72 anos, durante várias décadas responsável
pela energia elétrica do Ribeirão da Ilha. "Eles
tiveram que instalar mais transformadores ao longo do caminho
e só então o problema foi resolvido", salienta
o eletricista aposentado.
Apesar do fiasco da inauguração, foi confirmada
a realização de um coquetel na casa do líder
político da União Democrática Nacional (UDN)
local, Oscar da Silva, onde o feito deveria ser comemorado. "Não
se enxergava nada, pois a luz era muito fraca. E ainda por cima,
levaram todos os talheres de prata que o Oscar tinha providenciado
para serem usados no coquetel", lembra.
Estas são as principais recordações de Isidro
Pinheiro, conhecido até hoje como o homem que acendeu
a luz do Ribeirão da Ilha. O acontecimento marcou para
sempre o futuro do lugar. "Só para se ter uma idéia
da importância da energia elétrica", assinala
Pinheiro, "o Aparício Ramos Cordeiro, que tinha uma
padaria movida por um gerador que só dava problemas, ampliou
o negócio que tinha e abriu outras padarias depois disso".
Apesar de a energia elétrica na região central
de Florianópolis ter sido inagurada em 1910, com o início
do funcionamento da usina do Maruim (São José),
o benefício só chegou às localidades do
interior da Ilha de Santa Catarina bem mais tarde. No caso do
Ribeirão da Ilha, com 45 anos de atraso. Em Ratones, por
outro lado, ela só chegou em novembro de 1972 e, cinco
anos mais tarde, estava em Sambaqui. E assim por diante.
Vida mudou em Ratones
"A chegada da energia elétrica mudou a vida de
Ratones", recorda Léa Bazilícia, 53 anos.
Antes disso, o camarão pescado em Sambaqui e região
era cozido com sal e posto a secar numa peneira. O peixe tinha
que ser salgado e escalado com escamas e pendurado em varais,
sendo depois armazenado em pilhas com folhas de bananeira entre
as camadas.
A carne de gado também era salgada (charque) e para comer
a chamada carne-verde era preciso encomendar. "Meu pai anunciava
que ia abater uma cabeça de gado e confirmava o interesse
com as pessoas. Depois ele dividia o animal em pedaços,
separava a parte de cada um e os meus irmãos iam entregar
nas casas", lembra Léa.
Antes da chegada da energia elétrica nas comunidades do
interior da Ilha, a farinha de mandioca era usada como base alimentar
(no lugar do arroz e do macarrão), mas também servia
para conservar alimentos - desde de ovas secas de tainhas, peixes
escalados e morcelas, até bejus e pães, entre outros,
tudo era guardado no meio da farinha armazenada em barris. Com
a chegada da energia elétrica tudo isso mudou. (CM)
Usina do Maruim deu início
ao processo
Os primeiros passos para dotar a Capital de energia elétrica
foi dado em 1907, quando o governo estadual concedeu à
empresa luso-inglesa Simmond&Saldanha, autorização
para a construção da usina Maruim, em São
José, próximo a São Pedro de Alcântara.
Dois anos depois, no dia 19 de novembro de 1909, foram contratados
os engenheiros Edward Simmonds e Adriano Saldanha, para a construção
de um prédio no bairro do Estreito que abrigou os transformadores
de tensão e transmitiriam energia à Capital.
Eles também instalaram um cabo submarino no canal entre
a Ilha de Santa Catarina e o Continente, se precavendo contra
os fortes ventos do Sul, e de possíveis faíscas
elétricas que pudessem danificar o sistema de transmissão.
Eles ainda ficaram responsáveis pela montagem da usina
junto a uma cachoeira do rio Maruim (São José),
num terreno do Estado. O passo seguinte foi a inauguração
da iluminação pública da Capital, ocorrida
no dia 25 de setembro de 1910.
A usina foi implantada com três turbinas de 250 kW cada,
tendo funcionado com seu maquinário original por 65 anos,
desativiada em 1972. Ainda em 1910, a exploração
dos serviços de água e luz foi arrendada aos engenheiros
Edward Simmonds e John Willianson por 35 anos. Com todos os problemas
decorrentes da falta das tecnologias adotadas atualmente, o sistema
de fornecimento de energia elétrica permaneceu precário
e inalterado até meados da década de 1950.
No dia 9 de dezembro de 1955, foi criada a Empresa de Luz e Força
de Florianópolis (ELFA), através do decreto estadual
no 21, com a missão de construir e explorar os sistemas
de produção, transmissão e distribuição
de energia elétrica na região da Grande Florianópolis,
através da energia gerada pela usina do Maruim e um gerador
instalado no largo Fagundes.
Até então, somente o Centro da Capital contava
com o serviço, enquanto os bairros em volta (Trindade,
Agronômica, Saco dos Limões e outros) continuaram
sem iluminação pública. Parte da energia
elétrica consumida em Florianópolis na década
de 1950 vinha da Sociedade Termelétrica de Capivari (Sotelca),
empresa da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), situada
em Tubarão. (CM)
Grupo se organiza para manter dunas
Moradores plantam
árvores, instalam contenções e evitam novas
ocupações
Carlito Costa
Uma ocupacão iniciada com um loteamento clandestino
sobre uma área de preservação permanente,
num dos maiores campos de dunas da Ilha, nos Ingleses, tinha
tudo para se transformar em mais um caso de degradação
ambiental provocado pelo crescimento desordenado da cidade de
Florianópolis. Há cinco anos, no entanto, um grupo
de moradores que comprou terrenos no local resolveu reverter
o curso dessa história. Eles iniciaram um projeto inédito
de contenção das dunas, plantando árvores
nativas, impediram novas ocupações irregulares
e envolveram escolas da região em projetos de educação
ambiental. Agora querem o reconhecimento do poder público.
"Somos os guardiães das dunas", diz a presidente
da Associação Comunitária dos Moradores
da Rua Angra dos Reis - Ingleses (Acari), Flávia Solange
Accord. A servidão Angra dos Reis é uma das ruas
do centrinho de Ingleses ameaçadas pelo avanço
das dunas em direção ao mar. A areia já
ameaça invadir as ruas Silveira, Adão dos Reis,
dos Eucaliptos e até trechos da Dom João Becker,
principal artéria viária do balneário. A
retirada da vegetação nativa deixa as dunas móveis,
deslocando-se conforme o vento. Como construções
próximas à praia formam uma barreira contra o vento
norte, a areia acaba sendo deslocada principalmente pelo vento
sul, avançando sobre as casas.
Por conta própria, os moradores formaram a associação
em 2000 e iniciaram o plantio de mudas nativas para corrigir
uma das causas do avanço das dunas. "Um morador de
Ingleses já falecido, o advogado Marcos Rocha, e a presidente
do Conselho Comunitário dos Ingleses, Glecy Fedrizzi,
nos colocaram em contato com o pessoal do Departamento de Arquitetura
da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), que nos assessorou",
conta Flávia. Eles tiveram o apoio dos professores Lino
Peres e Paulo Rizzo, além dos alunos do Atelier Modelo
de Arquitetura (AMA), também da UFSC.
"Hoje os moradores se revezam durante os domingos, abrindo
mão do lazer para plantar as árvores", diz
a presidente da associação. Entre as árvores
plantadas estão dezenas de araçás, que davam
o nome antigo ao local (Canto dos Araçás) e eram
usados pela comunidade mais antiga para lenha. O que sobrou foi
desmatado pelo primeiro loteamento clandestino. Além dos
araçás, os moradores replantaram aroeiras, quaresmeiras,
jambolões, amoreiras e jasmins, árvores que formam
hoje uma barreira verde entre as dunas e as casas da servidão
Angra dos Reis.
Rua do Siri teve história
diferente
Além do replantio de árvores nativas, Flávia
se orgulha do trabalho de prevenção feito pelos
moradores, impedindo novas ocupações irregulares
das dunas remanescentes. Em 2000, quando a associação
foi formada, havia 36 famílias na servidão Angra
dos Reis e 46 na rua do Siri, que deu origem à Vila do
Arvoredo, hoje uma favela com 222 famílias no meio das
dunas de Ingleses, e que se tornou um dos principais problemas
sociais e ambientais que preocupam as autoridades na região.
"Se não fosse por nós, haveria uma outra Vila
do Arvoredo mais próxima do centrinho dos Ingleses",
diz Fátima. Sem esperar pela fiscalização
dos órgãos ambientais, historicamente ineficaz
contra invasões em áreas de preservação
permanente, os próprios moradores passaram a coibir novas
invasões. "Quando alguém começava a
construir nas dunas, a gente ia lá e dizia que não
podia, e na maioria das vezes o sujeito saía do local.
Só em alguns casos foi preciso chamar a Polícia
Ambiental, porque a pessoa se recusava a sair", conta Flávia.
A falta de diálogo por parte da administração
municipal nos últimos anos também levou os moradores
a agir por conta própria. "Antes ninguém
nos ajudava na Prefeitura, porque nos consideravam invasores
em situação irregular", diz a presidente da
associação. Com a gestão Dário Berger
na Prefeitura, ela diz que se abriu algum canal de diálogo.
O próprio prefeito visitou o local e fez elogios ao trabalho
feito pela comunidade. Agora a associação tenta
transformar esse diálogo em parcerias com o poder público,
que permitam ampliar o trabalho e mesmo a participação
da própria comunidade.
"Hoje as pessoas só falam da rua do Siri", ressente-se
Flávia. "Nós que impedimos uma situação
como aquela nunca tivemos apoio", diz. Metade dos moradores
não tem ligação de energia elétrica,
embora haja iluminação pública no local.
"Preferimos dividir a energia entre os vizinhos, pagando
mais caro, do que roubar da Celesc", garante. Em novembro,
eles chamaram o Ministério Público Estadual para
uma audiência pública, nos Ingleses, e agora articulam
um termo de ajustamento de conduta para regularizar a situação
dos moradores e continuar o trabalho ambiental e social.
A associação chamou um professor de educação
física, que ensina futebol e vôlei às crianças
da comunidade, além de noções de preservação
ambiental. Também fizeram parcerias com a Escola Municipal
Gentil Mathias, envolvendo mais de cem crianças num projeto
de plantio de árvores. Agora tentam fechar parcerias com
órgãos municipais e estaduais, para ampliar todo
o trabalho. (CC)
Polícia
Computadores viram armas de golpistas
Fraudes são
cada vez mais freqüentes
Natália Viana
Quando se pensa em armas utilizadas em crimes, geralmente,
a primeira imagem que vem a cabeça é um revólver.
No entanto, com a constante, e cada vez mais rápida, evolução
da informática, computadores também são
utilizados para cometer delitos. A forma mais comum de golpe
é feita a partir do envio de arquivos para computadores
de possíveis vítimas. Ao ser instalado no equipamento,
o programa captura informações sigilosas, como
número de contas correntes, de cartão de crédito
e de documentos, como CPF, além das senhas bancárias.
Com estes dados, os criminosos acessam a conta bancária
da vítima para realizar saques e pagamento de contas de
terceiros.
O delegado da Polícia Federal Ildo Rosa explica que a
ação se desenvolve em três etapas. Na primeira,
os hackers (pessoas especializadas burlar a segurança
em sistemas de computadores) enviam mensagens eletrônicas
a usuários da Internet. As mensagens vêm com um
vírus, que é instalado no computador da vítima
assim que esta executa o programa. O segundo passo é o
recrutamento de "laranjas", pessoas que abrem contas
em instituições financeiras, que são utilizadas
para depositar e movimentar o dinheiro furtado. Por último,
os golpistas se associam a empresas e se oferecem para quitar
contas. "Se a empresa tem um débito, eles se oferecem
para pagar com deságio, de forma mais barata do que se
a pessoa utilizasse os meios legais", diz o delegado. Os
golpistas ganham comissão, pois todo o di-nheiro usado
foi retirado das contas das vítimas.
Para Rosa, um dos pontos que mais dificulta a ação
da polícia é o constante avanço por parte
dos hackers. "Quando conseguimos desvendar o modo como agem,
eles já desenvolveram uma maneira nova". São
pessoas especializadas, muito jovens, entre eles adolescentes,
com total domínio de softwares. Com relação
às vítimas, o delegado diz que existem dois aspectos.
Há o caso de pessoas que recém ingressaram no mundo
da informática e ainda apresentam um certo deslumbramento.
"No afã de se comunicar e se integrar neste mundo,
as pessoas se tornam presas fáceis para os hackers",
aponta. Outros casos estão relacionados a pessoas para
quem o computador já está tão integrado
ao dia-a-dia, que muitas atividades cotidianas, como operações
bancárias e compras, são feitas pela Internet.
"Eles pesquisam a vida do usuário e encaminham arquivos
do interesse da pessoa, como, por exemplo, amantes de carros
de luxo recebem e-mails de supostas lojas especializadas."
Outro aspecto complicado é o enquadramento criminal destas
pessoas. Como ainda não existe uma legislação
específica para crimes cometidos pela internet, os policiais
acabam tendo que fazer o inquérito a partir das leis vigentes.
Até o ano passado, estas quadrilhas eram enquadradas por
estelionato. "Agora estamos enquadrando como furto qualificado,
com o agravante de quadrilha ou bando e quebra de sigilo. Assim,
a pena pode chegar a 15 anos de reclusão", afirma
Ildo Rosa.
Quadrilha desbaratada tinha ramificações
nacionais
No início do mês, a Polícia Federal desbaratou
uma quadrilha de hackers, com sede em Florianópolis e
ramificações nacionais. Além de Igor Soares
da Silva, apontado como líder do grupo, preso em uma casa
no bairro Jardim Atlântico, também foram detidas
pessoas em Porto Alegre (RS), São Paulo (SP) e Salvador
(BA). Segundo a polícia, a quadrilha chegava a se apropriar
de até R$ 300 mil semanais, a partir da manipulação
de um software que disponibilizava arquivos e fotologs para as
vítimas.
Os policiais descobriram que o esquema era organizado em duas
etapas. Silva, a mulher, Emily Rochinsky, e a secretária
Michele Lívia Cândido (que também foram detidas),
operavam, durante o dia, uma empresa fachada chamada Hot Tunning.
Na madrugada, enviavam os e-mails contendo vírus para
centenas de usuários. Silva era quem dominava a tecnologia,
que registrava o acesso das vítimas a instituições
financeiras, disponibilizando a ficha espelho da maioria dos
bancos. "Uma característica deste tipo de quadrilha
é que eles não escolhem vítimas por poder
aquisitivo. Se a pessoa tiver apenas R$ 100,00 na conta corrente,
eles sacam da mesma forma se esta tiver um depósito de
R$ 150 mil", diz o delegado Ildo Rosa.
Segundo a PF, a segunda etapa da operação ficava
a cargo do gerente Anderson Cleiton Corrêa, também
preso, que recrutava os "laranjas". Ele convencia pessoas
e empresas a abrir contar nos bancos em troca de R$ 100,00 a
R$ 200,00. Estas contas eram utilizadas para movimentar o dinheiro
sacado das vítimas que caiam no golpe. Para desmontar
a quadrilha, foram mais de oito meses de investigação,
sendo que a operação envolveu 48 policiais da PF
de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os acusados serão
enquadrados por furto qualificado, formação de
quadrilha e quebra de sigilo. (NV)
Antigas trapaças
ainda fazem vítimas
Golpes continuam
ao longo dos anos
Ainá Vietro
Mesmo com a sofisticação no perfil dos estelionatários
que se utilizam com cada vez mais freqüência dos avanços
tecnológicos para aplicar golpes, ainda existem aqueles
que fazem velhas trapaças como a do bilhete premiado,
do achadinho e do chute. Algumas destas histórias, mesmo
sendo conversas muito antigas e bastante conhecidas, continuam
envolvendo pessoas que ficam atraídas pela forma fácil
de ganhar grandes quantias em dinheiro.
De acordo com informações dos policiais da Central
de Polícia da Capital, golpes dessa natureza são
registrados quase todas as semanas. No entanto, de acordo com
o delegado Acioni Souza Filho, não existem dados específicos
sobre o assunto. Acioni conta que na maioria das vezes os golpistas
atuam próximos a bancos, onde esperam uma presa fácil,
dando preferência para pessoas que aparentam ser menos
esclarecidas. "Esses golpes são muito divulgados,
mas ainda existe muita gente que cai, porque sempre tem alguém
com a intensão de lucrar alguma coisa", aponta.
No caso do golpe do achadinho, é criada uma situação
de perda de cheque e dois golpistas costumam realizar a ação.
Geralmente a presepada acontece na saída de agências
bancárias. Depois de selecionada a vítima, um dos
dois caminha diante dela e deixa cair uma folha de cheque. Quando
a vítima demonstra que encontrou o documento, o outro
homem chega ao mesmo tempo, como se tivesse visto o cheque na
mesma hora, mas deixa a pessoa enganada pegar o papel que caiu.
Normalmente o valor do cheque é alto, acima de R$ 200
mil. O homem que deixou cair o cheque se diz agradecido e afirma
que quer recompensar a vítima por ter achado o documento,
mas para ter o dinheiro precisa descontar o cheque. Nesse momento,
o segundo golpista se oferece para sacar o dinheiro. Como a vítima
fica com medo de perder a recompensa, acaba indo até a
boca do caixa para trocar o dinheiro. O problema é antes
disso é convencida a deixar um determinado valor como
garantia. Mas quando chega no caixa do banco, descobre que o
cheque é falso.
As maiores vítimas do golpe do chute são os empresários.
Normalmente os trapaceiros oferecem a carga de um determinado
produto por um valor inferior ao encontrado no mercado. Eles
afirmam que a carga é desviada da Receita Federal e solicitam
que o pagamento do material seja feito em dinheiro. Outro golpe
comum é o do Baú da Felicidade. O homem se identifica
como proprietário de um carnê do grupo de Sílvio
Santos e sai em visita a diversas residências. Na casa
da vítima, conta que a pessoa foi premiada com duas casas
e um apartamento. Nessa hora é aplicado o golpe, quando
o falso proprietário explica que precisa de um deposito
para que o prêmio seja liberado. Ele também para
organizar uma festa em homenagem aos familiares da pessoa sorteada.
Eles salientam que a vítima não deve avisar ninguém
da família, porque a festa será uma surpresa, com
gravação da equipe do SBT e será veiculada
na televisão.
Estelionatários sempre atacam
em dupla
Outro golpe antigo, mas que continuam fazendo novas vítimas
é o do bilhete premiado. Por semana, ao menos uma pessoa
cai nessa conversa, na Grande Florianópolis. No entanto,
o número de ocorrências é maior do que o
imaginado, pois as pessoas que caem na falsa história
muitas vezes ficam com vergonha de terem sido enganadas e não
registram o boletim de ocorrência. Os golpistas utilizam
a mesma fórmula do achadinho, ficam geralmente em frente
a uma agência bancária e também trabalham
em dupla. Um deles se passa por uma pessoa humilde, que veio
de um município do interior para descontar um bilhete
da loteria que está premiado. O outro homem se apresenta
como um espertalhão, que tem o objetivo de levar vantagem
em cima do interiorano.
Os dois trapaceiros fazem todo o serviço afastados. O
homem simples se posiciona em frente a agências bancárias,
aborda mulheres com mais idade. Ele conta que está com
o endereço da residência de seu primo, que é
quem vai lhe ajudar a descontar o bilhete premiado pela loteria
federal. Depois de muita conversa, o vigarista propõe
a venda do bilhete por um valor inferior ao do prêmio,
com a desculpa de que está apressado e quer voltar o mais
rápido possível para casa. Justamente nessa hora
chega o segundo homem, demonstrando ser uma pessoa esperta. Na
maioria das vezes, com roupas muito bem apresentáveis
e de bom gosto, ele fica próximo, ouvindo a conversa com
interesse. Depois, se propõe a pagar um valor mais alto
para o dono do bilhete premiado.
O falso proprietário do bilhete se mostra interessado
na venda e a vítima fica receosa de perder a quantia.
Quando o vigarista que tem a intensão de levar o dinheiro
reforça a vontade de comprar o bilhete, o sujeito humilde
diz que venderá para a mulher, pois ela lhe deu atenção
primeiro. Com o bilhete na mão, a vítima vai até
uma lotérica ou agência da Caixa Econômica
Federal (CEF) e descobre que o bilhete é falsificado.
(AV)
 |  | | Manchetes ANC |
|
|
|
 |  |
| Política |
|
Capital tem precatórios
de R$ 4,6 milhões
Dívidas
são relativas aos anos de 2004 e 2005
LUIZ CHRISTIANO
Inicia amanhã o pagamento da primeira parcela de um
precatório da Prefeitura da Capital de R$ 300 mil junto
a R$ 251.271,50 oriundos de seis outras cartas precatórias.
Mesmo com as dívidas que começa a pagar amanhã,
a Capital acumula outros R$ 4,634 milhões em precatórios,
relacionados aos anos de 2004 e 2005.
Segundo o procurador-geral do município, Jaime de Souza
(PFL), existem 28 precatórios de 2004, que levarão
R$ 1,5 milhão dos cofres da Prefeitura. Esses 28 débitos
são acumulativos, ou seja, oriundos também de anos
anteriores, mas enquadrados no cálculo relativo a 2004.
Algumas, explica o procurador, são relativas até
a dívidas já parceladas, mas não pagas em
outras épocas.
Este ano foram emitidos outros 30 precatórios, que tirarão
da conta do Executivo R$ 3,134 milhões. Para o orçamento
do próximo ano, que tramita na Câmara de Vereadores,
Souza estima que estejam previstos em torno R$ 5 milhões
para pagamento de cartas precatórias.
Por ora, a dívida de R$ 4,6 milhões é preocupação
futura. Atualmente, o Executivo se ocupa com o pagamento da primeira
das dez parcelas de R$ 30 mil de um precatório de R$ 300
mil e mais R$ 251 mil que devem ser quitados amanhã, em
cota única.
A determinação está prevista em lei, visto
que os precatórios devem ser pagos na ordem em que a dívida
foi contraída. No caso das cartas que, somadas valem mais
de R$ 251 mil, todas são anteriores ao débito de
R$ 300 mil. "O tribunal pleno não poderia aceitar
que não fossem pagos os anteriores", esclarece o
procurador-geral do município. O de valor mais baixo dos
precatórios devidos é o 6509/2002, de 14 de novembro
daquele ano, que vale R$ 603,163. O mais caro da série
de precatórios é o de número 6820, de 2003,
de mais de R$ 77 mil (veja infografia).
O acordo referente ao débito de R$ 300 mil foi realizado
em novembro entre o Tribunal de Justiça de Santa Catarina
(TJ/SC) e o município, representados pelo desembargador
Jorge Mussi e pelo procurador-geral Jaime de Souza (PFL), respectivamente.
Caso não houvesse conciliação, a Prefeitura
correria risco de sofrer intervenção.
Acordo evitou
intervenção
A dívida que foi objeto do acordo judicial é
de natureza alimentar, qualidade relativa geralmente a salários
e horas extras não pagas pelo órgão público
a servidores. Segundo o procurador Jaime de Souza, os precatórios
alimentares têm prioridade de pagamento sobre os de natureza
patrimonial, associados a débitos com empresas e fornecedores.
Souza explica que a dívida era de R$ 277.594,09, mas a
quitação estava atrasada. "A administração
anterior deixou pendente esse precatório 7271/2003 e o
TJ estava com o pedido de intervenção do Estado
na mão por não ter sido pago. Esse pedido ingressou
na atual gestão", explica o procurador-geral do município.
O acerto com juros arredondou para R$ 300 mil o valor do precatório
a ser pago pela Capital. (LC)
Contas da região vão
ser julgadas
Tribunal de Contas
aprecia amanhã balanços de 87 municípios,
incluindo 5 da Grande Florianópolis
As contas 2004 das administrações municipais
voltam a ser avaliadas pelo TCE nesta segunda-feira. A sessão
colocará em discussão as contas de 87 cidades catarinenses,
entre as quais Águas Mornas, Major Gercino, São
Bonifácio, São Pedro de Alcântara e Paulo
Lopes, todos na Grande Florianópolis. O Tribunal de Contas,
que até o momento avaliou e aprovou os dados de 79 das
293 cidades catarinenses, planeja realizar sessões extraordinárias
para encerrar a avaliação dos números atrelados
a 2004 nos próximos dez dias.
A unanimidade na aprovação das contas de 79 municípios,
ainda que sinalize o cuidado dos gestores públicos em
seguir a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), pode não
se repetir no transcorrer da avaliação. É
que, segundo levantamento extra-oficial realizado pela Diretoria
de Controle dos Municípios, quase 60% dos administradores
municipais catarinenses, o que equivale a 175 cidades, terão
que se manifestar sobre a constatação de eventuais
restrições. A maioria deverá justificar
o descumprimento do artigo 42 da LRF. A regulamentação,
em poucas palavras, proibe o gestor de contrair despesas que
não possa pagar integralmente durante os dois últimos
quadrimestres do mandato.
"A análise dos casos mais simples estão concluídas.
Os mais complexos estão sendo apreciados agora. Pode,
ainda, haver casos, até gravíssimos, de desrespeito
àLRF. Mas é impossível antecipar o resultado
dos julgamentos: aguardamos as modificações e manifestações
dos prefeitos questionados pelos técnicos", observou
o presidente do TCE, Otávio Gilson dos Santos, em entrevista
na última terça-feira.
O Tribunal de Contas do Estado (TCE) rejeitou as contas de 25
das 293 administrações municipais em 2004 (números
relativos as contas de 2003). O montante, que equivale a 8,5%
do total, é o mesmo desde 2001, o que é considerado
normal pelos técnicos. De qualquer maneira, vale ressaltar,
a última palavra sobre as contas eventualmente questionadas
pelo TCE é da Câmara de Vereadores - a avaliação
prévia do TCE sustenta o julgamento das contas anuais
e só é derrubado se houver o voto de 2/3 dos parlamentares.
O TCE pode também responsabilizar os gestores públicos
pelas despesas julgadas irregulares. Nestes casos, podem ser
aplicadas diversas sanções, entre as quais o pagamento
de multa proporcional ao prejuízo causado aos cofres públicos.
TCE detecta ilegalidades em licitação
Prefeitura de SJ
diz que impugnação já havia cancelado processo
São José - O Tribunal de Contas do Estado (TCE)
determinou sustação de licitação
de Prefeitura de São José para a prestação
de serviços de trânsito. Na sessão da última
quarta-feira foram apontadas seis irregularidades no edital de
concorrência para a contratação de empresa
prestadora de serviços de trânsito e de procedimentos
de administração e gestão. O TCE concedeu
15 dias para sustação, em caráter cautelar,
da licitação, para apresentação de
justificativa e para a adoção de medidas corretivas
ou anulação. A Prefeitura informa que todo o procedimento
já havia sido suspenso antes da análise do TCE.
O edital foi lançado no dia 21 de outubro. Com um valor
máximo de R$ 3.758.760,00, previa o fornecimento de equipamentos,
materiais e mão de obras, em regime de empreiteira por
preço global. No processo, o corpo técnico do TCE
constatou ilegalidades (ver quadro ao lado) que envolvem aspectos
técnicos de engenharia, o cumprimento da Lei de Licitações,
do Código Brasileiro de Trânsito (CBT), da Constituição
Federal (CF) e da Lei de Responsabilidade Fiscal.
De acordo com o procurador geral do município, Samuel
Carlos de Lima, todo o processo já havia sido cancelado
pela Prefeitura, já que uma empresa entrou com processo
de impugnação do edital. Agora, informa ele, a
administração municipal está analisando
a determinação do TCE e vai apresentar a justificativas
requeridas. Lima não descarta a possibilidade de cancelar
todo o procedimento.
|
|
|