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ANcapital
G E R A L
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Índios pedem ajuda
das Nações Unidas
Comunidade Guarani
entrega relatório com denúncia sobre morosidade
do governo brasileiro
Alexandre Lenzi
A
polêmica sobre a ocupação do Morro dos Cavalos
em Palhoça chega às mãos do Organização
das Nações Unidas (ONU). Na sexta-feira, representantes
da comunidade Guarani aproveitaram a passagem pelo estado da
relatora especial da ONU na área de direitos humanos,
Hina Jillani, para entregar relatório elaborado pela ONG
Justiça Global denunciando a morosidade do governo brasileiro
no caso. A comunidade indígena aguarda há cerca
de dois anos a demarcação das terras pelo Ministério
da Justiça. Cópia do relatório também
será encaminhada ao relator especial para a situação
dos direitos humanos e liberdades fundamentais dos povos indígenas,
Rodolfo Stavenhagen.
A comunidade guarani reivindica 1988 hectares do morro localizado
em Palhoça. A área total do morro é de cerca
de dois mil hectares. Hoje, o grupo formado por 132 pessoas ocupa
menos de três hectares, em região íngreme
e apontada pelos moradores como imprópria para a agricultura.
Outras partes do morro estão ocupadas por famílias
não-indígenas.
O grupo reclama também da violência na região.
Segundo dados do Conselho Indigenista Missionário (Cimi),
em julho do ano passado uma família indígena foi
agredido por pessoas que se diziam donas das terras quando buscavam
taquara para o artesanato dentro da área delimitada. A
atual localização das família também
é prejudicada pelo trânsito registrado na BR-101,
a pouco mais de 30 metros da aldeia e o caminho que liga as vilas
mais próximas. Também segundo dados do Cimi, o
último acidente foi registrado em julho, quando três
crianças foram feridas por um carro desgovernado que saiu
da pista.
Estes dados foram anexados ao relatório enviado à
ONU. No documento, a equipe da Justiça Global conclui
que "diante da precária situação vivida
pela comunidade Guarani na terra indígena Morro do Cavalos,
agravada pela omissão por parte do governo brasileiro,
pela violência e ameaças sofridas pelos membros
da comunidade, sobretudo crianças, torna-se imprescindível
uma decisão sobre a delimitação da terra
para que os Guarani possam viver em condições dignas
e em respeito à sua organização social,
costumes, línguas, crenças e tradições".
Grupo pressiona União para
garantir demarcação de terras
Na última quarta-feira, dia 14, membros da comunidade
Guarani de Palhoça participaram de uma reunião,
em Brasília, com o secretário-executivo do Ministério
da Justiça, Luiz Paulo Barreto. O cacique Artur Benites
foi um dos índios de Palhoça que marcou presença
no encontro. Segundo a representante do Conselho Indigenista
Missionário (Cimi), Osmarina de Oliveira, o secretário
Barreto ficou de rever o caso.
A proposta de um novo contato direto com Brasília surgiu
após audiência pública realizada no dia 10
de novembro na Assembléia Legislativa de Santa Catarina
(AL). A idéia inicial era garantir que uma comissão
de deputados catarinenses participasse de um encontro com o ministro
da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Como não
foi possível agendar a reunião para este ano, o
secretário executivo atendeu a comunidade local.
O processo de demarcação do Morro dos Cavalos começou
em 2001, quando a Funai iniciou os estudos antropológicos,
ambientais, históricos, jurídicos e fundiários
para identificação da terra indígena. Em
6 de outubro de 2003, a fundação encaminhou os
pareceres positivos ao ministro da Justiça. E desde então
é aguardada a definição do caso. O prazo
para a publicação da Portaria Declaratória
pelo Ministério da Justiça, previsto pelo decreto
1775/96, é de 30 dias. Nestes 26 meses de aguardo, a comunidade
tem participado de uma série de campanhas buscando pressionar
o governo federal. (AL)
Fábrica mantém receita
há 63 anos
Mistura de açúcar
e coco é a fórmula dos populares tabletes Dalva
Celso Martins
Florianópolis, década de 1920. O jovem Alberto
Henrique Schütz começa a traballhar em uma fábrica
de balas de coco de propriedade de Rodolfo Hickel, localizada
na rua Almirante Lamego, defronte à atual Caixa Econômica
Federal. Trabalhador aplicado e pontual, foi subindo na hierarquia
da empresa até chegar ao cargo de mestre-de-produção
industrial, onde permaneceu até 1943, quando a Segunda
Guerra estava em andamento.
"Meu pai não chegou a ser perseguido, mas algumas
famílias de origem alemã da região da rua
Almirante Lamego sofreram bastante e muitas pessoas chegaram
a fugir para Palhoça e outros locais, onde se esconderam",
recorda Alberto Schütz Júnior (Nêne), filho
do fundador da fábrica de balas e tabletes Dalva. "O
produto era feito artesanalmente", lembra Nêne, e
o antigo empregador de seu pai não chegou a sofrer com
o novo concorrente, "pois a população estava
crescendo e muitos imigrantes chegavam devido à guerra",
recorda.
Em pouco tempo, o novo produto conquistou o mercado, atraindo
crianças e adultos, situação que se manteve
ao longo dos anos. A embalagem criada na época é
a mesma que envolve os tabletes até hoje, nas cores amarelo
e vermelho, com a seguinte inscrição: "Doce
de coco em tabletes Dalva". O sucesso do produto foi tão
grande nas décadas seguintes, que surgiram pelo menos
mais três fábricas de tabletes de coco, todas usando
as mesmas cores nas embalagens.
"Não adianta recorrer judicialmente, só se
colocarem o mesmo nome Dalva", justifica Augusto Schütz,
neto do velho Alberto e filho de Nêne, a terceira geração
da mesma família a cuidar do negócio. Outro problema
enfrentado pela empresa é com empregados que tomam contato
com a receita da bala e depois pedem demissão dispostos
a abrir outra indústria do mesmo produto. "Corremos
esse risco. Saber a receita qualquer funcionário sabe,
mas ele vai precisar de capital para adquirir os equipamentos",
destaca Augusto.
A fábrica de balas Dalva permeneceu no mesmo endereço
da rua Almirante Lamego, uma paralela da avenida Beira-mar Norte,
até 2001, quando teve que se transferir de local. "O
pessoal da vigilância sanitária começou a
nos procurar, sob o argumento de que a cidade havia crescido
e não caberia mais a presença de uma instalação
industrial na região", lembra o neto do velho Alberto
Schütz.
Além disso, as atividades no local começavam às
7 horas, quando os equipamentos eram ligados e a produção
começava, com todos os barulhos que isso implica. Em represália,
alguns moradores dos prédios vizinhos passaram a jogar
objetos no telhado, incomodando os operários e danificando
a cobertura. Foi quando a família se reuniu e resolveu
instalar a unidade no número 349 da rua Arno Eleotério
dos Santos, em Biguaçu.
"Só estamos aguardando o sinal verde para nos instalarmos
no futuro Distrito Industrial de Biguaçu, quando poderemos
nos livrar do aluguel que pagamos por este espaço que
ocupamos", explica Augusto. Nas futuras instalações
será possível adquirir novos equipamentos e ampliar
um pouco mais as vendas dos tabletes Dalva - o principal produto
- e das balas queimadas com amendoim torrado.
Produção artesanal
se
manteve até os anos 90
Até 1990, toda a produção era totalmente
artesanal. O coco ralado era colocado em uma caldeira alimentada
com lenha e mantido assim por cerca de uma hora e meia a uma
temperatura de 180 graus. Depois a massa era espalhada manualmente
sobre uma mesa, onde permanecia por entre 15 e 20 minutos para
esfriar, ficando pronta para ser cortada em pedaços (tabletes).
Mais tarde, elas eram embaladas uma a uma.
A situação começou a mudar no final da década
de 1990, quando Nêne, filho de Alberto Schütz, começou
a pensar em mecanizar a produção, tendo ido a São
Paulo adquirir um equipamento para embalar os tabletes. Outros
maquinários foram sendo comprados com o passar dos anos,
até a fábrica chegar ao estado em que se encontra
atualmente.
"A primeira fase da elaboração das balas continua
como antes. A diferença é que possuímos
uma máquina para cilindrar ou prensar a massa, que já
corta os tabletes no tamanho padrão de 3,5 centímetros
de comprimento. O passo seguinte é a embalagem automática",
lembra o funcionário mais antigo da fábrica, Israel
I. Florindo, 42 anos, desde 1981 na atividade.
Atualmente, a fábrica consegue produzir cerca de 300 quilos
diários de tabletes, podendo chegar a até 700 quilos
com a mesma infra-estrutura. Para produzir mais serão
precisos novos equipamentos, "sem que isso signifique a
perda da qualidade", assinala Augusto Schütz. Se isso
vai ser feito ou não, só será possível
saber depois que a unidade estiver instalada no Distrito Industrial
de Biguaçu.
O pai de Augusto, Nêne, não acredita muito que a
ampliação da produção garanta a manutenção
da qualidade, mas deixa para o filho a tomada de qualquer decisão
neste sentido. Tendo começado a atuar na fábrica
com 19 anos de idade, em 1962, Nêne enfrentou diversas
dificuldades para manter a produção, tendo também
providenciado a troca da denominação do tablete.
De "Bala de Coco Dalva" passou para "Doce de Coco
em Tabletes Dalva", mas "sem mudar em nada sua fórmula
original de fabricação", enfatiza. (CM)
Distribuição é
restrita à Grande Florianópolis e Sul do Estado
O quilo do tablete Dalva é vendido atualmente por R$
6,90. Se o produto for levado para ser vendido na capital paulista,
por exemplo, o preço subiria para R$ 9,00, devido ao frete,
e não conseguiria competir com similares fabricados na
mesma cidade. "Por esse motivo as balas são distribuídas
apenas na região de Florianópolis e em cidades
do Sul do Estado, como Tubarão e Criciúma",
explica Augusto Schütz.
Depois de prontos, os tabletes são colocados em embalagens
de um quilo e de 1,8 quilo, seguindo então para cerca
de 50 distribuidores que os deixam em aproximadamente 650 pontos
de venda da Grande Florianópolis e nas cidades do Sul
do Estado. A opção pela permanência no mesmo
mercado tem outras razões, segundo o jovem empresário.
"Nossos tabletes são feitos de coco puro e têm
o mesmo sabor desde que a fábrica foi criada pelo meu
avô", salienta. "Os concorrentes", observa,
"misturam essência de coco e farinha de trigo, o que
altera o sabor. Como estamos com a mesma fórmula ou receita
de quando a atividade se iniciou, confiamos na qualidade do produto
e suas vantagens."
Além da entrega aos distribuidores, a fábrica realiza
vendas diretas, recebendo pedidos através de cartas, e-mails
e ligações telefônicas. "As pessoas
pedem dois ou três quilos, mas não podemos enviar",
observa Augusto. Entretanto, dezenas de pessoas com parentes
em outros Estados aparecem na fábrica de balas Dalva antes
de viajar para adquirir os tabletes e levá-los de presente.
O fundador da unidade, Alberto Schütz Júnior, viveu
tempo suficiente para ver todas essas transformações
(maquinários) e permanências (fórmula), além
de acompanhar os esforços do filho Nêne e agora
do neto. Morreu em maio de 2004, com 92 anos de idade, tendo
deixado uma herança para a família e uma deliciosa
tradição para os consumidores privilegiados de
Florianópolis, onde suas balas podem ser encontrados em
diversos pontos. (CM)
Família Noel realiza sonhos
de Natal
Voluntários
pedem apoio para manter ação social
Jeanne Callegari
São José - Sem qualquer ajuda do governo, um
projeto beneficente que já dura 27 anos passa por dificuldades
para poder alcançar seus objetivos. A Família Noel,
de São José, procura atender os pedidos de presente
de Natal de crianças e adultos da cidade, além
de distribuir cestas básicas e realizar, todos os anos,
uma festa para a população. Neste Natal, porém,
não houve patrocínio para a realização
da festa. Sebastião Dias, responsável pelo projeto,
pede ajuda para que nenhuma criança fique sem presente
neste Natal.
Todos os anos, a Família Noel organiza uma grande festa
de final de ano. Um palco é montado no bairro Ipiranga,
onde fica a casa da Família Noel, e apresentações
e brincadeiras reúnem a comunidade. Segundo Sebastião,
a população costuma comparecer aos milhares. "Em
2002, foram cerca de 20 mil pessoas", diz ele. Este ano,
porém, o grupo não conseguiu nenhum patrocínio,
e a festa não poderá ser realizada.
A Casa da Família Noel fica na rua Otto Júlio Malina,
1.541, bairro Ipiranga, em São José. Para lá
podem ser remetidas as cartas escritas para o Papai Noel, vivido
no projeto por Sebastião. A família também
tem Mamãe Noel, representada pela esposa de Sebastião,
Leonice Otto, e seis Noeizinhos, vividos por filhos e netos do
casal. Este ano, foram recebidas cerca de 1.850 cartas, escritas
por crianças e adultos.
A Família Noel faz a intermediação entre
os pedidos e pessoas que queiram realizá-los. Sebastião
conta que bate de porta em porta para divulgar o projeto e convidar
as pessoas a adotarem uma cartinha. "Vejo uma casa iluminada,
decorada, e penso que essa família tem um espírito
de Natal bonito, e bato na porta", diz ele. Para este Natal,
a maioria dos pedidos já encontrou um padrinho: cerca
de 1.650 cartas tiveram seus desejos atendidos.
A maioria das crianças pede cestas básicas e material
escolar, conta Sebastião. Além, é claro,
dos brinquedos. "De vez em quando alguma criança
pede emprego para os pais, e nós procuramos atender",
diz Sebastião. Às vezes também surge algum
pedido inusitado, ou mais difícil de atender, como o de
uma senhora que pediu uma casa nova. A solução
encontrada foi reformar aos poucos a casa antiga, com a doação
de material feita por algumas empresas.
Cartas vêm de municípios
da região
A rotina da Família Noel é puxada. De manhã,
os Papais e Mamães Noel lêem as cartas e as separam:
as já atendidas ficam na parede e as que ainda não
têm padrinho ficam espalhadas pelo chão. De tarde,
vestida a caráter, a família sai para distribuir
os presentes arrecadados. Além de bairros da Grande Florianópolis,
são visitadas outras localidades, de onde chega bastante
correspondência, como Rancho Queimado, Anitápolis,
Aldeia dos Índios e Chapecó.
Essas visitas são sempre uma festa: além das brincadeiras,
são distribuídos balas, cachorros-quentes e refrigerantes
para a criançada. Quem quiser contribuir para a compra
desses suprimentos, pode depositar qualquer quantia nas contas
correntes 7066-0 e 7014-8 da agência 255 do Banco do Estado
de Santa Catarina (Besc). A casa também aceita doações
de brinquedos usados e balas.
A Família Noel não é o único projeto
social realizado por Sebastião Dias e seus familiares.
Desde 1999, eles cuidam da União dos Atletas Infantis,
entidade que visa incentivar a inclusão social de crianças
carentes através do esporte. No primeiro ano, três
crianças participavam da união; hoje, 320 atletas
juvenis praticam atletismo, ciclismo e natação
com o apoio da entidade. (JC)
Dinheiro das guloseimas foi roubado
Sebastião teve dificuldade extras este ano para viabilizar
um Natal um pouco mais feliz para as crianças do bairro
Ipiranga. Motorista aposentado, ele foi assaltado no dia 5 deste
mês, no bairro Kobrasol, em São José, logo
depois de sacar num caixa eletrônico o valor da aposentadoria.
"Fiquei sem dinheiro para comprar balas e cachorros-quentes
que a gente distribui para as crianças", conta.
A família Noel recorreu ao apoio da Prefeitura de São
José, sem sucesso. "Protocolamos um ofício
pedindo que a Prefeitura comprasse pelo menos um quilo de balas
e uns cachorros-quentes, mas o pedido foi negado. Eles arrecadaram
milhares de brinquedos numa campanha e não estão
repassando nada para entidades que fazem trabalho assistencial
com a comunidade. Gostaria que essa distribuição
fosse feita realmente para ajudar as pessoas, e não apenas
para uso político", disse Sebastião.
O secretário-adjunto da Ação Social de São
José, Jorge Lautert, disse que o ofício não
chegou à secretaria e que a Prefeitura tem auxiliado associações
de moradores que fazem trabalhos assistenciais. "O conselho
comunitário de Potecas, por exemplo, recebeu nosso apoio
para a festa de Natal deles, que vai ser realizada no mesmo horário
e data que a festa oficial da Prefeitura", disse o secretário.
Lautert admite, no entanto, que a Prefeitura concentrou seus
esforços numa grande festa, realizada ontem no recém-inaugurado
centro multi-uso da avenida Beira-Mar de São José,
quando foram distribuídos cerca de 16 mil brinquedos arrecadados
junto às empresas da cidade, com direito a chegada do
Papai Noel e realização do "sonho de Natal"
de 30 crianças pobres indicadas por entidades comunitárias
do município. "Firmamos parceria com uma emissora
de TV local para a campanha de arrecadação de brinquedos
e em contrapartida eles pediram a realização de
um grande evento", justifica o secretário-adjunto.
(Carlito Costa)
Polícia
Natal mistura sentimentos em presídio
Mães que
estão detidas sofrem com a falta dos filhos, mas se alegram
com fim de mais um ano
Natália Viana
O Natal é uma festa intimamente ligada à família.
É uma época em que as famílias se reúnem
para celebrar, trocar presentes ou, simplesmente, se encontrar.
Para as mulheres que cumprem pena em unidades prisionais, a época
se torna uma mistura de sentimentos. Ao mesmo tempo em que sofrem
com a distância da família, sobretudo dos filhos,
se sentem otimistas com mais um fim de ano, pensando que o final
da pena a que têm de cumprir está progressivamente
mais próximo. "Eu não me sinto triste, pelo
contrário, só espero coisas boas, pois se aproxima
o tempo para eu sair daqui", afirma E.V., 40 anos, que há
cinco cumpre pena no Presídio Feminino de Florianópolis.
Mais do que a perda da liberdade, muitas das mulheres que cumprem
pena em unidades prisionais sofrem mesmo é com a distância
dos filhos. A.O.Z., 25 anos, ainda fica com os olhos cheios de
lágrimas quando lembra de seu filho de 11 meses. As mulheres
que são presas grávidas ou engravidam durante o
cumprimento da pena têm direito de permanecer com a criança
até os seis meses de vida. Depois deste período,
o bebê deve ser entregue para alguém da família
e, em caso da falta de um responsável, fica sob os cuidados
do Conselho Tutelar.
Presa há cinco anos, há um ano e oito meses A.
descobriu que estava grávida novamente. Ela já
tinha outros quatro filhos, que moram com a família em
Catanduvas, região Meio-oeste do Estado. Quando o neném
completou seis meses, A. sabia que tinha que entregá-lo.
Como não tem parentes em Florianópolis, a criança
está sob a guarda do Conselho Tutelar de Palhoça
e a cada 20 dias é trazida para ficar junto da mãe.
"Foi uma dor que não tem explicação,
me separar do meu filho. Ao mesmo tempo que pensava que aquilo
era o melhor para ele, que não fez nada para ficar preso",
conta. O Natal, para A., é considerada uma época
como qualquer outra. "Aqui todos os dias são iguais".
Mas ainda tem a esperança de que o filho seja trazido
para passar o dia 25 com ela.
A dor com a qual A. ainda se acostuma, E.V., 40 anos, sente há
quatro anos. Cumprindo pena há cinco anos, ela teve o
seu filho mais novo dentro da prisão. Mãe de outros
oito filhos, dois deles gêmeos, entregou o caçula
para uma mulher criar. "O marido dela cumpria pena junto
com o meu, a gente se conheceu e ela acabou levando a criança,
com a promessa de que sempre a traria para eu ver", afirma.
Segundo E., nos primeiros meses a promessa foi cumprida, mas
as visitas foram se tornando cada vez mais escassas, até
não ocorrerem mais. "Isto me entristece muito, pois
esta é uma coisa que ela não precisava fazer. Ainda
guardo comigo as palavras dela no dia que eu lhe entreguei meu
filho: 'a mesma dor que você está sentido agora,
eu vou sofrer quando você tirá-lo de mim'".
"Prisão não
ressocializa"
Embora com sentimento de tristeza, E. sabia que o melhor para
o filho era sair dali. "Hoje ele mora em uma casa grande,
com quintal e cachorrinhos. Logo depois que ele chegou, a mulher
que o cria me disse que ele se assustava com qualquer barulho,
desde canto de passarinhos aos carros, pois ele não estava
acostumado. Meu filho não poderia ficar aqui comigo, pois
precisa do convívio do mundo lá fora. Além
disso, depois dos seis meses, as crianças começam
a entender as coisas e isso não seria bom para ele".
No entanto, se preocupa em pensar o que acontecerá quando
ela sair do presídio. E. afirma que quer o filho de volta,
mas sabe que este não será um processo fácil.
"Ele vai sofrer muito, pois não me considera sua
mãe". A partir deste ano, ela começou a conviver
mais com a criança. O marido passou a ter o direito de
passar alguns dias fora da prisão. "Ele saiu no Dia
dos Pais e trouxe o menino para eu ver, o mesmo ocorreu no Dia
das Crianças e agora ele também vai sair no Natal
e espero poder passar o dia 25 com meu filho", aponta.
Dos outros filhos, E. conta que também não recebe
visitas freqüentes. "Minha filha que agora está
com 19 anos foi quem criou os irmãos menores, tanto que
eles a chamam de mãe". O final de ano é uma
época que E. encara com esperança. "Só
penso que tenho cada vez menos dias para passar aqui. O sistema
não ressocializa ninguém, eu é que me esforço
para melhorar, pois não quero voltar para cá nunca
mais". Ela calcula que ainda tem cerca de três anos
de pena para cumprir, mas tem esperança de sair antes
do final do próximo ano. (NV)
Primeira festa com
filho de dois meses
Gravidez programada
por detenta ocorreu dentro do próprio Presídio
Feminino de Florianópolis
Para E.S., 27 anos, este final de ano será muito especial.
Será o primeiro Natal que passará junto com seu
único filho, de dois meses. E.S., que está presa
há dois anos. Ela ficou grávida dentro da prisão.
A situação, que poderia ser angustiante para a
maioria das mulheres, esperar um filho dentro da cadeia foi motivo
de felicidade para E. "Ele foi programado", conta orgulhosa
enquanto embala e acaricia o bebê. Ela começou a
cumprir a pena em Balneário Camboriú, mas foi transferida
para Florianópolis, onde o atendimento médico é
mais completo. "Durante a gravidez, tive consultas todos
os meses e fiz todo o encaminhamento", lembra.
E.S. se considera privilegiada, pois ainda pode ficar junto com
o filho em tempo integral. E durante as festas de fim de ano
não será diferente. "É muito gratificante
poder estar junto do meu filho. Mesmo presa, não sofrerei
muito neste Natal, pois estarei com meu filho e só isto
me importa". Mas, a cada dia que passa, ela sabe que se
aproxima a data em que terá que entregá-lo. E.S.
diz que se preocupa bastante com isto, mas também se sente
aliviada. "Ele é um inocente, não fez nada
para estar preso". Quando estiverem separados, pelo menos
E.S. terá um consolo, saberá que será por
pouco tempo, pois ela tem somente mais nove meses de prisão
para cumprir.
A época de Natal não se difere muito dos outros
dias dentro do presídio. Mesmo em tempos de festas, a
rotina é mantida. A diretora do Presídio Feminino
de Florianópolis, Maria da Conceição Pereira
Orihuela, explica que os horários de visita permanecem
os mesmos: às segundas, quartas, quintas e sextas-feiras,
com entrada das 8h30 às 9h30, e visita até às
11 horas. No domingo, dia 25, as detentas receberão um
presente, poderão passar o dia todo com os filhos.
"Vamos autorizar somente a entrada dos filhos, pois temos
um limite de segurança e não há condições
de receber todas as famílias", aponta Maria da Conceição.
Antes disso, nesta terça-feira, dia 20, a direção
do presídio junto com a Comissão da Mulher Advogada
da OAB/SC, fará um lanche especial à tarde. A Comissão
desenvolve há alguns anos o projeto "Vozes do Silêncio",
em que presta assessoria jurídica e desenvolve atividades
para melhorar a auto-estime das detentas. "Esta é
uma parte da população bastante esquecida. Quando
iniciamos este trabalho, as condições eram bastante
precárias e hoje já observamos muitas melhorias",
comenta a presidente da Comissão, Carmen Miranda Lacerda.
Segundo a advogada, todos os anos, nesta época, o projeto
faz uma confraternização com as mulheres para marcar
o encerramentos das atividades do ano.
No dia 22, também à tarde, haverá uma comemoração
junto com a ONG Flor de Liz. Nesta ocasião, serão
distribuídos alguns presentes, fruto de doações,
para as detentas. Além disso, os cada grupo religioso
tem sua própria programação. (Natália
Viana)
Detentas têm projetos de
capacitação
Atualmente, no Presídio Feminino da Capital, 128 mulheres
cumprem pena, desde regime fechado, semi-aberto e provisório.
A vivência dentro de uma unidade prisional não pode
ser considerada uma situação fácil. No entanto,
a diretora Maria da Conceição Pereira Orihuela
afirma que homens e mulheres encaram de maneira diferente o cumprimento
da pena. Em presídios femininos, por exemplo, são
menos freqüentes os casos de violência, rebeliões
e tentativas de fuga. "Elas parecem mais resignadas que
os homens. De forma geral, a mulher aceita melhor a pena e consegue
se adaptar melhor ao ambiente. Embora a situação
delas seja até mais difícil, pois grande parte
estar separada dos filhos, o que é uma situação
muito sofrida para qualquer mulher, ainda assim elas são
muito mais calmas", avalia.
Visando preparar as detentas para a volta da vida em sociedade,
diversos projetos de capacitação são desenvolvidos
na unidade. O grupo Arco-íris, por exemplo, realiza um
trabalho para prevenção de Doenças Sexualmente
Trasmissíveis (DSTs). A ONG Flor de Liz também
está sendo estruturada para iniciar algumas atividades
com as detentas. Com a participação de voluntários,
pretende-se promover projetos de resgate da cidadania e também
de inserção no mercado de trabalho. "A gente
precisa investir na ressocialização, pois não
adianta elas passarem este tempo aqui dentro e voltar sem qualquer
preparo para a sociedade", destaca Maria da Conceição.
Com o objetivo de capacitar este público, são oferecidas
oficinas de informática, por meio do projeto do Comitê
para Democratização da Informática (CDI).
Uma sala com computadores foi montada dentro da instituição
e as próprias detentas foram treinadas para trabalharem
como monitoras. Também são realizadas oficinas
de artesanato e uma empresa de montagem de grampos de roupa mantém
uma parceria com o Presídio. Algumas detentas participam
do projeto e a cada três dias trabalhados, elas reduzem
um dia da pena a que têm que cumprir. (NV)
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| Política |
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Capacidade de investimento deve
dobrar
Palhoça
prevê orçamento de R$ 92 mi
Luiz Christiano
Palhoça - Eleito com 22.072 votos, o prefeito de Palhoça,
Ronério Heiderscheidt (PMDB), encerra seu primeiro ano
de mandato com a expectativa de ter quase o dobro do orçamento
para o segundo ano de gestão. Em 2006, a previsão
orçamentária é de R$ 92 milhões.
"Segundo a Organização das Nações
Unidas (ONU), para fazer uma administração correta,
é necessário ter investidos num ano R$ 700,00 por
habitante. Palhoça tem população de 130
mil. Precisaríamos de R$ 98 milhões", explica.
Mesmo com o orçamento apertado este ano, R$ 54 milhões,
ele destaca a pavimentação de 54 ruas, a chegada
de 156 empresas ao município, a geração
de mil empregos diretos e o início das obras da SC-433,
que liga as praias Pinheira e do Sonho. Em contraponto, para
garantir os R$ 92 milhões de 2006, 2005 acaba propostas
do Executivo para reajuste do Imposto de Predial e Territorial
Urbano (IPTU) e das taxas de lixo e de iluminação
pública.
Pela proposta encaminhada ao Legislativo, a taxa de lixo deve
subir 16%. Ronério justifica o aumento afirmando que a
empresa que terceiriza o serviço de coleta aumentou o
preço para realizá-lo, mas a cobrança para
o cidadão seguiu o mesmo patamar de quando o grupo foi
contratado.
Em relação ao IPTU, metade dos imóveis da
cidade terão reajustes de 16%. Para o próximo ano,
a previsão é arrecadar de R$ 7 a 8 milhões
com a atualização. O reajuste foi programado a
partir de um recadastramento imobiliário realizado este
ano.
Outra fonte de recursos pode ser possível a partir da
instituição do Imposto Sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços (ICMS) Ecológico. Dia
25 de janeiro, prefeitos de 60 municípios do Estado pedirão
ao governador a formulação do projeto para criar
a modalidade e o envio à assembléia. "O ICMS
Ecológico gerará receita ao município de
R$ 1,6 milhão ao ano", avalia Heiderscheidt.
Câmara de Tijucas tem novo
presidente
Acordo selado na
quinta-feira garante comando do Legislativo ao vereador Pefelista
Aílton Fernandes
JONAS HAMES
Tijucas - Sérgio Cordeiro (PP) abriu mão da
presidência da Câmara de Vereadores em favor de Ailton
Fernandes (PFL). Ailton contou com o apoio de seis vereadores,
contra três do vereador Adalto Gomes (PT). Um acordo realizado
na tarde de quinta-feira confirmou o nome do vereador como novo
presidente. Até quarta-feira, era certo que Sérgio
Cordeiro seria eleito. No entanto, o acordo de quinta empurrou
a presidência de Sérgio para 2007. Ficou acertado
que o atual presidente, Edson José Souza (PMDB), voltará
à presidência em 2008.
Com Ailton Fernandes na presidência, Sérgio será
o vice, Edson ficou como primeiro-secretário e Elói
Mariano Rocha (PP) como 2o secretário. Segundo Sérgio
Cordeiro, vai haver a manutenção de um compromisso
político que foi costurado no final do ano passado. "Criamos
uma forma de administrar, onde foram divididos os compromissos
através da distribuição de cargos, o que
é natural. Nesse ano cumprimos nossas obrigações",
fala. Ele afirma ainda que caso tivesse entrado na disputa pela
eleição teria vencido.
O presidente eleito, Ailton Fernandes, que sempre teve grandes
divergências com a atual presidência, adotou um discurso
pacificador. Ele que está na Câmara a cinco legislaturas,
ou seja, 20 anos, não representa ameaça ao Executivo.
Na sessão de quinta-feira, Ailton declarou publicamente
que mesmo estando em partido oposto ao do prefeito, nutre por
ele grande afinidade. Apesar disso garantiu que jamais agradece
a funcionários da prefeitura por serviços realizados.
"Quem ganha salário de Prefeitura tem que trabalhar.
Se fez um bom trabalho: nada mais que a obrigação".
Adalto Gomes, candidato derrotado, afirma que respeita a decisão
dos vereadores, e declarou apoio ao presidente eleito.
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