Copas do Mundo revelaram mitos que serão lembrados
para sempre
Quinze Mundiais foram também
de consagração de quinze nomes. Eles deixaram na história
de cada um dos máximos encontros do futebol uma marca particular,
inesquecível, de sua passagem. Foram atletas fora de série,
verdadeiros mitos que garantiram seu lugar na história do esporte
1930: Nasazzi, o terrível
José Nasazzi deixou sua marca ao ser o primeiro capitão da
história do futebol a levantar o troféu da Copa do Mundo,
depois da vitória do Uruguai sobre a Argentina (4 a 2) no dia 30
de julho de 1930 no Estádio Centenário de Montevidéu.
Lateral (ponteiro) direito da 'Celeste', Nasazzi, chamado de "o terrível",
disputou as quatro partidas deste primeiro Mundial. Vestiu 64 vezes a camisa
da seleção uruguaia. Além do título mundial
e das duas medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de 1924 e 1928, Nasazzi
ganhou quatro vezes a Copa América (1923, 1924, 1926 e 1935). Morreu
em 17 de junho de 1968.
1934: Meazza, o venerado
Giuseppe Meazza, que foi um dos principais artífices da vitória
da Itália em 1934, é considerado ainda como um dos jogadores
mais populares e completos que a Itália já produziu. Em 1934,
na primeira vitória na Copa do Mundo da seleção italiana,
Meazza foi o autor do gol da classificação nas quartas-de-final
contra a Espanha. Meazza conheceu seu momento de glória quatro anos
mais tarde na França, onde a Itália conquistou seu segundo
título mundial. Disputou um total de 53 partidas internacionais,
nas quais marcou 33 gols, um recorde na Itália.
1938: Piola, o homem da final
Silvio Piola será lembrado como o homem da final da Copa do Mundo
de 1938, conquistada pela segunda vez consecutiva pela Itália, quando
marcou dois dos quatro gols contra a Hungria (4 a 2). Silvio Piola iniciou
sua carreira de futebolista aos 16 anos. Em 566 partidas no 'calcio', este
homem apelidado de "Gambalunga" (pernas longas) marcou 357 gols
entre 1930 e 1952. Em 1938, participou em sua única Copa do Mundo.
Piola teve uma importante contribuição na renovação
do título mundial conquistado quatro anos antes pela Itália.
Marcou um gol contra a Noruega, dois contra a França e novamente
dois na final contra a Hungria.
1950: Schiaffino, o artista
Juan Alberto Schiaffino iniciou sua carreira em 1946 no Peñarol de
Montevidéu e se tornou conhecido no dia 12 de maio de 1949 quando
venceu o Brasil por 4 a 3 em São Paulo. O Brasil comprovou isso no
último encontro do grupo final justamente contra o Uruguai, quando
um empate lhe era suficiente para ser campeão do mundo. Depois de
um gol do ponteiro Friaça para o Brasil, foi Schiaffino o autor do
empate, antes do gol da vitória celeste marcado por Giggia, no tristemente
(para o Brasil) famoso 'Maracanaço', até hoje festejado pelos
uruguaios.
1954: Kocsis, "cabeça de ouro"
O húngaro Sandor Kocsis conseguiu fama na Copa do Mundo de 1954 na
Suíça, onde terminou na liderança da tabela de artilheiros
com 11 gols, seis deles marcado com a cabeça, o que lhe valeu o apelido
de "cabeça de ouro". Dotado de uma musculatura cervical
muito desenvolvida, Kocsis iniciou sua carreira aos 17 anos na equipe do
Ferencvaros e foi e foi selecionado a partir de 1948 pela Hungria. Campeão
olímpico em Helsinque em 1952 com a maravilhosa seleção
magiar, Kocsis entrou na história no dia 25 de novembro de 1953.
Nesse dia, em Wembley, Kocsis e os seus humilharam a Inglaterra por 6 a
3 e voltaram a humilhá-la em Budapeste por 7 a 1.
1958: Fontaine e sua contagem mágica
Treze. Foi o número de gols marcados pelo centroavante da seleção
da França na fase final da Copa do Mundo de 1958 na Suécia.
Uma marca que, 40 anos depois, ainda não foi superada, nem mesmo
igualada. Se esta Copa do Mundo em terra sueca foi a do aparecimento de
um tal Pelé em uma seleção brasileira que conquistou
o primeiro de seus quatro títulos de campeão mundial, mostrou
ao mundo inteiro o nome de Just Fontaine, um artilheiro singular. Fontaine
apresenta a particularidade de ter marcado em cada jogo, o que só
viria também a ser conseguido pelo brasileiro Jairzinho, em 1970.
1962: Garrincha, a estrela ziguezagueante
Um pouco à sombra de Pelé na Copa do Mundo de 1958 na Suécia
- os dois se entendiam muito bem e nunca conheceram juntos a derrota -,
Manuel Francisco dos Santos, Garrincha, se afirmou como o melhor jogador
do torneio, quatro anos depois no Chile. Quando Pelé se contundiu
na segunda das seis partidas disputadas pelo Brasil, Garrincha assumiu seu
papel e jogou inclusive de maneira mais eficiente e desequilibrante. Nas
quartas-de-final, contra a Inglaterra, marcou dois gols em cinco minutos
e nas semifinais contra o Chile (4 a 2) mais dois, antes de ser expulso.
Beneficiando-se de um perdão excepcional, Garrincha participou na
final e contribuiu para a vitória do Brasil contra a Checoslováquia
(3 a 1). Foi o herói da Copa.
1966: o 'hat-trick' histórico de Hurst
Geoff Hurst: o atacante inglês entrou na história ao marcar
três dos quatro gols da Inglaterra na final da Copa do Mundo de 1966
em Wembley contra a Alemanha Ocidental. Uma conquista única em seu
gênero, cujo alcance foi empanado por seu polêmico terceiro
gol. Inglaterra e Alemanha empataram (2 a 2) ao término do tempo
regulamentar. Hurst já tinha marcado dois gols. Após 10 minutos
de prorrogação, Hurst acrescentou um terceiro gol. A bola
toca no solo antes de Weber mandá-la para escanteio. Entretanto,
o árbitro Dienst assinalou o gol.
Todas as finais
1930 - Uruguai
Uruguai 4 x 2 Argentina
Uruguai - Ballesteros; Nazassi e Mascheroni; Andrade, Fernandez
e Gestildo; Dorado, Scarone, Castro, Cea e Iriarte. Argentina - Botasso;
Della Torre e Paternoster; Juan Evaristo, Monti e Suarez; Peucelle, Verallo,
Stabile, Ferreira e Mário Evaristo. Árbitro - John
Longenus(Bélgica); público 90.000 com 67.300 pagantes; gols
- Dorado, Cea, Iriarte e Castro(Uruguai); Peucelle e Stabile(Argentina);
local - estádio Centenário(Montevidéu): data
- 30/07/1930.
1934 - Itália
Itália 2 x 1 Checoslováquia
Itália - Combi; Monzeglio e Allemandi ; Ferrari, Monti
e Bertolini; Guaita, Meazza, Schiavio, Ferrari II e Orsi Checoslováquia
- Planicka; Zenisek e Ctyroky; Kostalek, Cambal e Kreil; Junek, Svoboda,
Sobotka, Nejedly e Puc. Árbitro - Iwan Eklind(Suécia);
público - 73.203 pessoas ; gols - Puc(Checoslováquia),
Schiavio(Itália) no tempo normal e Orsi(Itália) na prorrogação.
Local - estádio do Partido Nacional Fascita, em Roma; data-10/06/1934.
1938 - França
Itália 4 x 2 Hungria
Itália - Olivieri; Forni e Rava; Serantoni, Andreolo e
Locatelli; Biavati, Meazza, Piola, Ferrari e Colausi. Hungria - Szabo;
Polgar e Biro; Szalay, Szucs e Lazar; Vincze, Sarosi,Sas, Szellenger e Titkos.
Arbitro - Monseur Capdeville(França), auxiliares - Iwan Ekliind(Suécia)
e Lecleren(França); gols - Colaussi 2 e Piola 2 (Itália),
Totkos e Sarosi(Hungria); local - estádio Colombes(França);
data - 10/06/1938.
1950 - Brasil
Brasil 1 x 2 Uruguai
Brasil - Barbosa; Augusto e Juvenal; Bauer, Danilo e Bigode; Friaça,
Zizinho,Ademir, Jair e Chico. Uruguai - Maspoli; Matias Gonzales
e Tejera;Gambetta, Obdulio Varela e Rod; Andrade, Gigghia, Julio Perez,
Schiaffino e Moran. Árbitro - Mister George Reader(Inglaterra),
auxiliares - Mister Arthur Ellis(Inglaterra) e Gunnar Ahler(Suécia);
gols - Friaça aos 13 para o Brasil,Schiaffino aos 22 e Gigghia
aos 35 minutos para o Uruguai, todos no segundo tempo; renda Cr$
6,272.959,00(novo recorde mundial); público -173.850 pagantes;
local - estádio do Maracanã, Rio de Janeiro, Brasil;
data - 16/0711950
1954 - Suiça
Alemanha 3 x 2 Hungria
Alemanha - Turek; Posipal e Kohlmeyer; Ecker, Liebrich e Mai;
Rahn, Morlock, Ottman Walter, Fritz Walter e Schaefer. Hungria -
Grosics; Buzansky e Lantos; Boszik, Lorant e Zakarias; Czibor,Kocsis, Hidgkuti,
Puskas e Toth. Árbitro - Walter Ling(Inglaterra); auxiliares
-Vicenzo Orlandini(Itália) e B.Marvin Griffiths(País de Gales);
gols - Puskas aos 4, Czibor aos 8 para a Hungria, Morlock aos 10
e Rahn aos 17 para a Alemanha, todos no primeiro tempo e Rahn aos 39 do
segundo tempo para a Alemanha; público - 63.800 pessoas ;
local - estádio Wankdorft(Berna); data - 04/07/1954.
1958 - Suécia
Brasil 5 x 2 Suécia
Brasil - Gilmar; Djalma Santos, Bellini e Nilton Santos; Zito
e Orlando;Garrincha, Didi, Vavá, Pelé e agalo. Suécia
- Svensson; Bergmark e Axbom; Borjesson, Gustavsson e Parling; Hamrin, Gunar
Gren, Simonsson, Liedholm e Skoglind. Árbitro - Maurice Frederic
Guingue(França); auxiliares - Albert Dusch(Alemanha) e Juan Gardeazabal(Espanha);
gols - Liedholm aos 4 minutos para a Suécia, Vavá aos
8 e aos 32 do primeiro tempo para o Brasil; Pelé aos 11, Zagalo aos
23 e Pelé aos 44 para o Brasil e Simonsson aos 35 para a Suécia;
público - 49.737 pessoas pagantes; local - estádio
Solna Raasunda-Estocolmo; data - 29/06/1958.
1962 - Chile
Brasil 3 x Checoslováquia
Brasil - Gilmar; Djalma Santos, Mauro e Nilton Santos; Zito e
Zózimo; Garrincha, Didi, Vavá, Amarildo e Zagalo. Tchecoslováquia
- Schroif; Tichy, Popular e Novak; Pluskal e Masopust; Popischal, Scherer,
Kadabra, Kvasnak e Jelinek. Árbitro - Nicolai Latschev(URSS);
gols - Masopust aos 14 para a Tchecoslováquia e Amarildo aos
l6minutos para o Brasil, ambos no primeiro tempo e Zito aos 25 e Vavá
aos 34 do segundo tempo para o Brasil; local - estádio Nacional
de Santiago do Chile; data - 17/06/1962.
1966 - Inglaterra
Inglaterra 4 x Alemanha 2
Inglaterra - Banks; Cohen, Jacky Charlton, Bobby Moore e Wilson;
Stiles e Bobby Charlton; Alan Ball, Hurst, Hunt e Peters. Alemanha
- Tillkowski;Hoettges, Schulz, Weber e Schnellinger; Becknbauer e Haller;
Overath, Seeler, Held e Emmerich. Arbitro - Dienst(Suíça)
- gols - Hurst 3 e Peters para a Inglaterra; Haller e Weber para
Alemanha: tempo normal - Inglaterra 2 x 2 Alemanha; prorrogação
- Inglaterra 2 x 0 Alemanha; local - estádio de Wembley, em
Londres; data - 30/07/1966.
1970 - México
Brasil 4 x Itália 1
Brasil - Felix; Carlos Alberto, Brito, Wilson Piazza e Everaldo;
Clodoaldo,Gerson e Rivelino; Jairzinho, Pelé e Tostão. Itália
- Albertosi; Burnigh, Cera, Rosato e Fachetti; Bertini(Juliano), De Sisti
e Boninsegna; Dominghini, Mazola(Rivera) e Gigi Riva. Arbitro - Rudy
Glockner(Alemanha); gols - Boninsegna(Itália) e Pelé(Brasil)
no primeiro tempo; Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto no segundo
tempo para o Brasil; local - estádio Azteca da Cidade do México;
data - 21/06/1970.
1974 - Alemanha
Alemanha 2 x Holanda 1
Alemanha - Maier; Vogts, Breitner, Schwarzenbeck e Hoeness; Beckenbauer,
Bonhof e Overath; Grabowski, Muller e Holzembein. Holanda - Jongbloed;
Suurbier, Haan, Krol e Rijsbergen(De Jong); Janssen, Van Hanegem e Neeskens;
Rep, Cruyff e Resenbrink(Van der Kerkhof). Arbitro - Taylor(Inglaterra);
gols - Neeskens de pênalti para a Holanda, Breitner, de pênalti
e Muller para a Alemanha; local - estádio Olímpico
de Munique; data - 07/07/1974.
1978 - Argentina
Argentina 3 x Holanda 1
Argentina - Fillol; Olguin, Galvan, Passarella e Tarantini; Gallego,
Ardiles(Laroca) e Bertoni; Kempes, Luque e Ortiz(Housemann). Holanda
- Jongbloed; Jansen(Suurbier), Krol, Poortvliet e Brandts; Willy van der
Kerkhof, Haan e Rene van der Kerkhof; Rep(Nanninga), Neeskens e Resenbrink.
Gols - tempo normal 1 x 1 - Kempes para a Argentina e Portvliet para
a Holanda. Prorrogação 2 x 0 Argentina, gols de Kempes e Bertoni.
Local - estádio Monumental de Nuñes, Buenos Aires ;
data - 25/06/1978.
1982 - Espanha
Itália 3 x Alemanha 1
Itália - Zoff; Gentile, Scirea, Collovati e Cabrini; Oriali,
Bergomi e Tardelli; Conti, Rossi e Graziani(Altobelli e depois Causio).
Alemanha - Schumacher; Kaltz, KH Forster, Stielike e B. Forster;
Briegel, Dremmler(Hrubesch) e Breitner; Littbarski, Rummenigge e Fischer.
Arbitro - Arnaldo César Coelho(Brasil); auxiliares - Klein(Israel)
e Cristov(Tchecoslováquia); gols - Rossi aos 12, Tardelli
aos 24 e Altobelli aos 36 para a Itália e Breitner aos 38 para a
Alemanha, todos no segundo tempo; local - estádio Santiago
Bernabeu, em Madri; data - 11/07/1982
1986 - México
Argentina 3 x 2 Alemanha
Argentina - Pompido; Cucciuffo, Ruggeri, Brown e Olarticoechea;
Batista, Henrique e Giusti; Burruchaga(Trombini), Maradona e Valdano. Alemanha
- Schumacher; Eder, Brheme, Foerster e Briegel; Berthold, Jakobs e Magath(Hoeness);
Allofs(Voeler), Mattahus e Rummenigge. Gols - Brown, aos 22 minutos
do primeiro tempo para a Argentina; Valdano, aos 10m30seg, Rummenigge aos
28 e Voeler, aos 37 minutos empatou para a Alemanha e e Burruchaga aos 39
minutos marcou o gol da vitória dos argentinos. Arbitro -
Romualdo Arpi Filho(Brasil), auxiliares - Erik Fredriksson(Suécia)
e Benny Ulloa(Costa Rica); local - estádio Azteca, Cidade
do México; püblico - 115.000 pagantes; data -
29/06/1986
1990 - Itália
Alemanha 1 x 0 Argentina
Alemanha - Ilgner; Brehme, Khoeler, Augenthaler e Buchwald; Berthold(Reuter),
Rieddle, Littibarski, Haessler e Mattaus; Koeller e Klinsmann.
Argentina - Goycochea; Lorenzo, Serrizuela, Sensini e Ruggeri(Monzon);
Simon, Basualdo,Burruchaga(Calderon) e Maradona; Troglio e Dezotti. Arbitro
- Edgardo Codesal Mendez(México); auxiliares - Michal Listkiewicz(Polônia)
e Armando Perez Hoyos(Colômbia); expulsos - Monzon e Dezotti,
ambos da Argentina, no segundo tempo; gol - Brehme, aos 39 minutos
do segundo tempo, de pênalti; local - estádio Olímpico,
de Roma; data - 08/07/1990.
1994 - Estados Unidos
Brasil 0 (3) x Itália 0 (2)
Brasil - Taffarel, Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Branco;
Dunga, Mauro Silva, Mazinho e Zinho(Viola); Bebeto e Rai. Técnico
- Carlos A. Parreira. Itália - Pagliuca; Mussi (Apolloni),
Baresi, Benarrivo e Maldini; Berti, Dino Baggio (Evani), Albertini e Donadoni;
Roberto Baggio e Massaro. Técnico - Arrigo Sacchi
Pênaltis - Romário, Branco e Dunca (Brasil), Albertini
e Evani (itália).
Márcio Santos (Brasil), Massaro, Baresi e Roberto Baggio(Itália)
erraram. Árbitro - Sandor Puhl (Hungria) - data - 17/7/1994.
Local - estádio Rose Bowl, Los Angeles |
Consagração de Pelé vem
em 1970
Revelação do Mundial de 1958 na Suécia, Pelé
buscou a consagração quatro anos mais tarde no Chile. Mas
a aventura durou pouco: contundido nos adutores na segunda partida, contra
a Checoslováquia, teve de deixar o Brasil terminar a competição
sem ele. Em 1970, no México, contra a Checoslováquia, Pelé
iniciou um recital que duraria duas semanas, particularmente com um chute
de cobertura de 55 metros, que roçou a meta Viktor, ou a ponte que
fez quase dançando em torno do goleiro uruguaio Mazurkiewicz. Contra
a Inglaterra, que defendia o título, Pelé brilhou de novo.
Mas o melhor ainda estava por vir. No dia da final, 21 de junho de 1970,
o Brasil ganhou a Copa Jules Rimet pela terceira vez, e definitivamente,
com Pelé, primeiro e único jogador coroado três vezes,
que brilhou mais do que nunca. Após abrir o marcador de cabeça
e de abusar de suas jogadas geniais, deu um passe de mestre para seu capitão
Carlos Alberto Torres, que marcou o quarto gol brasileiro. Estrela de uma
final suntuosa e de uma equipe que não teve falhas (doze vitórias
em doze partidas), nunca Pelé havia estado tão "gênio".
O mundo inteiro estava de acordo: era mesmo o Rei.
1974: "Bomber" Müller
Considerado demasiadamente lento e estático em seu início
de carreira, foi contudo este estilo característico que tornou famoso
o alemão Gerd Müller. De costas para o gol, uma guinada era
suficiente para mandar a bola ao fundo das redes adversárias. Podia
fazer isso com um joelho, com a coxa ou até com o ombro. Müller
chegou ao auge em 1974, contribuindo para a segunda vitória da RFA
contra a Holanda. Com um movimento de corpo que ele mantinha em segredo,
surpreendeu o goleiro holandês Jongbloed. Era o segundo gol alemão,
o da vitória de um país e de um homem.
1978: Kempes, o goleador
A carreira de Mário Kempes começou realmente em 1974 quando
jogou pelo Rosário Central, um clube de trande tradição
na Argentina. Nesse mesmo ano, participou em sua primeira Copa do Mundo,
em meio a jogadores de grande valor técnico, como Babington, Houseman
ou Ayala.
Na primeira fase (contra Hungria, França e Itália), Kemps
ficou "mudo". Teve de esperar até a segunda fase para marcar
dois gols decisivos, contra Polônia e Peru. O atlético atacante
(1,82 m e 78 kg), de longa cabeleira, voltaria a marcar dois gols, na final
contra a Holanda.
1982: Rossi, a ressurreição
Símbolo da nova onda italiana no Mundial argentino de 1978, onde
mostrou uma destreza diabólica ante o gol, Paolo Rossi foi implicado
dois anos mais tarde no famoso escândalo do "totonero".
A Federação italiana o suspendeu por 36 meses. O belo Paolo
teria recebido 1.700 dólares para fazer "corpo mole" em
uma partida de sua equipe de Perugia. No início de 1982 Rossi teve
sua pena reduzida. Nos três primeiros jogos, Paolo Rossi mostrou-se
lento e ineficaz. Sua 'ressurreição' chegou contra o Brasil,
marcando os três gols italianos. A Itália enfrentou na última
partida a República Federal da Alemanha e foi Paolo Rossi quem marcou
o primeiro dos três gols italianos, dando um terceiro título
a seu país.
1986: o Mundial de Maradona
Privado do Mundial argentino de 1978 por César Luis Menotti, que
o considerava jovem demais (18 anos), Diego Maradona jogou a primeira de
suas quatro Copas do Mundo na Espanha, onde era muito esperado. O talento
do "pibe de ouro" estava em dúvida após o Mundial
de 1982, quando sofreu marcações implacáveis do italiano
Claudio Gentile e do brasileiro Batista. A mais bela página da carreira
de Diego seria escrita em 1986 no México, quando encantou o mundo
inteiro e deu o segundo título à Argentina. Até a final,
derrotando a República Federal da Alemanha (3 a 2), Maradona demonstrou
toda a extensão de seu talento: pé esquerdo mágico,
proteção excepcional da bola e artilheiro (5).
1990: Matthaeus, feliz capitão
Convocado aos 19 anos na seleção alemã para a Copa
européia de 1980 na Itália, Lothar Matthaeus estará
outra vez comandando sua equipe no Mundial de 1998, quando aos 37 anos,
irá igualar o recorde de participações (cinco fases
finais de Copas do Mundo), que estava exclusivamente em poder do goleiro
mexicano Antonio Carbajal (1950 a 1966). Na final de 90, Matthaeus não
fez uma partida genial contra a Argentina, mas ninguém estava mais
feliz que ele quando caiu nos braços de Beckenbauer, em Roma, com
o troféu nas mãos e a satisfação da missão
cumprida.
1994: Romário, o jogador-chave
"Romário 1994 foi como Maradona em 1986. Estes dois jogadores
conseguiram, com sua participação, ser fator de desequilíbrio.
Em nossa equipe, possui todas as chaves". Estas palavras foram ditas
então por Zagallo. Na primeira fase da Copa de 94, marcou um gol
contra Rússia, Camarões e Suécia. Nas oitavas-de-final,
deixou para Bebeto a felicidade de marcar o único gol contra os Estados
Unidos. Mas retomou a iniciativa nas quartas contra a Holanda e foi o autor
do gol contra a Suécia nas semifinais. A final, nos pênaltis,
não impediu que Romário fosse eleito melhor jogador do torneio.

Dúvidas Seleção de Zagallo não conquistou o
torcedor
Telefoto AE
Pesquisa
Internautas dividem opiniões
Joinville - A 30 dias da estréia do Brasil na Copa da França,
os torcedores se mostram divididos quanto às chances de conquista
do pentacampeonato. Pesquisa via Internet realizada por A Notícia
no período de 8 a 18 deste mês revelou que exatos 45% acreditam
na vitória, 44% não e 10% condicionaram o sucesso a mudança
de jogadores e até de técnico.
A pergunta colocada aos internautas foi a seguinte: "Você
acha que os 11 jogadores escalados por Zagallo reúnem condições
de levantar o pentacampeonato para o Brasil na Copa da França?"
Marcos Vinícios de Lima Oliveira, um dos que disse sim, argumentou
que os brasileiros "estão acostumados a jogar na Europa".
"O Brasil tem talento e jogadores de sobra. Qualquer time que Zagallo
colocar em campo vai ganhar", acredita André Roldão.
Já Luiz da Rocha Castello Pereira diz que, "apesar da pressão
dos patrocinadores esportivos, os 11 de Zagallo têm condições
de levantar o penta".
Críticas à defesa
A defesa foi o setor mais atacado pelos pessimistas. "Aldair não
tem condições de ser titular, assim como Cafu e Júnior
Baiano", reclama Anderson César dos Passos. "Se o Zagallo
continuar insistindo com Cafu como lateral titular e uma zaga com dois jogadores
pesados como o Junior Baiano e o Aldair, não chegaremos a lugar algum",
reclama Juliano Mafra Bastiani. "Mas, se ele colocar o Zé Carlos
na lateral e substituir um dos zagueiros pesados por um outro mais leve
e ágil (Gonçalves ou Mauro Galvão), seremos penta",
acredita.
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Números da pesquisa |
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Pergunta: "Você
acha que os 11 jogadores escalados por Zagallo reúnem condições
de levantar o pentacampeonato para o Brasil na Copa da França?"
- Sim: 45% (27 respostas)
- Não: 44% (26 respostas)
- Depende: 10% (6 respostas)
Boca no mundo
"Esta equipe atuando em conjunto e com garra torna-se,
praticamente imbatível".
Mário Mancini
"Ganhar o penta não dependo somente dos 11
jogadores mas de toda uma equipe e da guarra de todos".
Claudio Roberto Zastrow
"Do meio para frente o time é uma máquina.
Nosso único problema é na defesa".
Marcelo Felesmino
"São muito mascarados".
Alexandre Machado |
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