Surgem quatro nomes
para entrar na vaga de Zagallo
Favoritos são técnicos
que já foram campeões em grades clubes
São Paulo - Com o fim da Copa do Mundo começam as especulações
sobre a escolha do substituto de Zagallo. Entre os treinadores cotados para
assumir o cargo, quatro figuram como favoritos: Carlos Alberto Parreira,
Wanderley Luxemburgo, Paulo Autuori e Paulo César Carpeggiani.
A data da escolha do novo treinador não foi definida pela Confederação
Brasileira de Futebol. Wanderley Luxemburgo, atual técnico do Corinthians
e favorito da torcida paulista, conquistou vários títulos
nesta década, o mais recente, o Torneio Rio-São Paulo, em
1997. Este ano disputou o título paulista contra o São Paulo.
Paulo César Carpeggiani deixou boa impressão em sua participação
na Copa do Mundo como treinador do Paraguai, eliminado pela França,
atual campeã, na prorrogação. Em campo, o ex-jogador
do Internacional e do Flamengo, foi octacampeão gaúcho, tricampeão
carioca e três vezes campeão brasileiro e jogou na Copa de
1974. Como treinador, começou como auxiliar-técnico do Flamengo
em 1980 e no ano seguinte, como treinador, já havia conquistado um
título carioca, uma Taça Libertadores e um Mundial Interclubes.
Também passou pelo Internacional, Bangu, Coritiba e Palmeiras, El
Nasser (Arábia Saudita), Cerro Portenho (Paraguai) e Barcelona (Equador).
Parreira foi técnico da Seleção Brasileira na conquista
do Mundial de 1994 e também comandou as seleções de
Gana, Kuait, Emirados árabes e Arábia Saudita (a última,
na Copa de 1998). Tem no currículo, o Campeonato Carioca de 1975
e o Brasileiro de 1984, pelo Fluminense; o título nacional da Turquia
de 1996, pelo Fenerbahce. Também foi treinador do Valência
(Espanha), do MetroStars (EUA) e do São Paulo.
Paulo Autuori, atual técnico do Botafogo, foi campeão brasileiro
treinando a equipe em 1995 e conquistou a Taça Libertadores em 1997,
com o Cruzeiro. Passou por vários times como a Portuguesa-RJ e o
América-RJ e o Marília.
OBSERVAÇÃO
Luxemburgo gostou da versatilidade de alguns atletas
Copa não teve novidades táticas
São Paulo - Os técnicos e ex-jogadores brasileiros de futebol
que acompanharam os jogos da Copa da França ficaram decepcionados
com a ausência de novidades táticas na competição.
As seleções atuaram da forma como estão acostumadas
há vários anos. Na era globalizada, as 64 partidas do Mundial
não mostraram surpresas.
O técnico Wanderley Luxemburgo, do Corinthians, por exemplo, não
viu nada de novo em termos de movimentação de jogadores em
campo. O treinador, que viu várias partidas da Copa na França
como comentarista do SporTV lembra, porém, que a versatilidade de
alguns jogadores chamou muito a atenção. "Alguns atletas
têm a capacidade de exercer várias funções dentro
da mesma partida", comenta Luxemburgo.
O técnico do Corinthians acha que o Brasil foi uma das poucas
seleções da Copa a jogar no 4-4-2. "Não estou
dizendo que o esquema é certo ou errado", afirma. "O que
discuto é se o jogador brasileiro teria versatilidade ou vontade
para adaptar-se a um novo esquema." Para Dario Pereyra, ex-técnico
do São Paulo e do Guarani, todas as seleções apresentaram
soluções táticas muito semelhantes, sem nenhuma novidade.
Brasil quer a Copa de 2006
Paris - Se depender da vontade dos dirigentes da CBF, a Copa do Mundo
de 2006 será disputada no Brasil. A decisão da Fifa ocorrerá
dentro de um ano e meio e o presidente da CBF, Ricardo Teixeira está
otimista, depois de ter tido muitos contatos com representantes do futebol
de todo o mundo durante a Copa da França. ''Temos mais de um ano
para trabalhar a competição no Brasil e já começamos
a elaborar o projeto, que será grandioso'', disse recentemente Teixeira
aos jornalistas brasileiros.
O presidente da CBF, responsável pelo lançamento da candidatura
vitoriosa do suíço Joseph Blatter à presidência
da Fifa, destacou o fato de o Brasil ter sido o primeiro país a apresentar
a sua inscrição para organizar a Copa de 2006, há dois
anos. Ele também considerou que a reivindicação é
legitima. ''Somos uma potência do futebol, temos quatro títulos
mundiais, disputamos todas as Copas e não organizamos um Mundial
desde 1950", argumentou Teixeira.
Ronaldo diz que não falhou
nem é culpado pela derrota
"Não amarelei",
disse aos jornalistas, para negar que tenha cedido à pressão
do dia da decisão da Copa
Lésigny - Ronaldinho fez questão de reunir a imprensa para
se defender das insinuações de que teria jogado mal a decisão
da Copa do Mundo contra a França porque ficou com medo. "Não
amarelei", afirmou o atacante, utilizando uma expressão típica
do futebol para quando um jogador treme em uma partida decisiva. "Já
participei de muitas decisões na minha carreira e essa era a que
eu mais esperei em toda a minha vida."
Ronaldinho reforçou que em nenhum momento teve medo de enfrentar
a seleção francesa. "Nós perdemos a Copa porque
a França jogou melhor." Segundo ele, o vice-campeonato é
um bom resultado para o Brasil, que fez uma boa campanha no Mundial e perdeu
para o melhor time da Copa. "Não foi o Brasil que perdeu, foi
a França que ganhou."
Ele garantiu que a súbita indisposição sofrida antes
da partida não comprometeu sua atuação no jogo contra
a França. "Não tive nenhum problema em campo", comentou
Ronaldinho. "O que aconteceu comigo não serve como desculpa
pela perda do título."
O jogador destacou que só sentiu um pouco de tontura no lance
em que trombou de frente com o goleiro Barthez. A responsabilidade de carregar
dois títulos consecutivos de melhor jogador do mundo, os contratos
milionários, o assédio de fãs, jornalistas e empresários
são fatores que podem ter contruibuído para que Ronaldinho
sofresse uma crise em pleno dia da final da Copa.
O jogador acredita que tem condições de superar toda essa
pressão. "Até ontem suportei muito bem", afirmou.
"O problema é que a crise aconteceu num dia muito importante."
Os companheiros, no entanto, afirmaram que o comportamento de Ronaldinho
em campo não era o mesmo das outras partidas. O lateral Roberto Carlos,
que viveu de perto todo o drama do atacante no domingo, disse que Ronaldinho
estava muito calado em campo.
Na primeira bola que recebeu, foi dominado por um adversário e
nada falou. No lance seguinte, recebeu uma falta por trás e permaneceu
quieto. "O Ronaldinho chegou ao posto de número um do mundo
muito cedo", comentou Roberto Carlos, o número dois da última
eleição da Fifa.
O lateral conviveu com o atacante durante todo o Mundial e revelou que
Ronaldinho é sempre muito introvertido. "Eu me acostumei a vê-lo
acordar cansado e não conseguir dormir direito."
Em prantos
Antes de se encontrar com os jornalistas, Ronaldinho tinha passado a
manhã com a família na casa que alugou em Pontault-Combault.
À tarde, de volta à concentração da Seleção
Brasileira em Lésigny, Ronadinho chorou muito.
A lembrança de todo o drama vivido no dia da final, terminando
com a perda do título mundial, abalou o atacante.
Ronaldinho sonhava em ser o artilheiro da Copa e conquistar o pentacampeonato
para o Brasil. A disposição em ganhar levou o atacante a pedir
para jogar depois que os resultados dos exames que realizou em Paris, horas
antes do início da final, indicaram que estava bem.
O jogador agradeceu o apoio recebido dos companheiros, que aprovaram
o seu retorno ao time. "Foi a melhor demonstração de
como sou querido no grupo", destacou.
Ronaldinho pretende ficar um mês de férias no Brasil para
se recuperar do desgaste físico e psicológico sofrido no Mundial.
Ele também vai cuidar dos problemas nos dois joelhos que o incomodaram
durante toda a campanha na França.
Existe a possibilidade de ele ter de se submeter a uma cirurgia. Depois
do susto e da frustração, Ronaldinho acha que pode se considerar
um privilegiado. "O Brasil perdeu o Mundial mas eu ganhei a Copa da
minha vida", declarou. "Fiquei triste pela perda do título
mas muito feliz em saber que minha saúde está boa."
Críticas ao "fenômeno"
revoltam companheiros
Lésigny - Os jogadores da Seleção ficaram revoltados
com as críticas que Ronaldinho recebeu pela sua atuação
na final. A recuperação clínica de Ronaldinho serviu
de consolo para os atletas, após a derrota.
O meia Leonardo foi um dos que mais sentiram esse tipo de comportamento
da torcida e da imprensa. "Disseram que Ronaldinho amarelou, mas não
é verdade", afirmou o jogador do Milan. "Ele passou por
um problema de saúde, pouco antes do jogo, por isso não pode
render o suficiente."
Leonardo acompanhou todo o drama de Ronaldinho. Assim que o atacante
começou a sentir-se mal, Leonardo foi chamado por Roberto Carlos,
companheiro de quarto de Ronaldinho, para ajudar o companheiro.
Leonardo, Edmundo e o médico Lídio Toledo ajudaram o jogador
a recuperar-se de uma convulsão. "Mesmo passando por uma situação
dessas, Ronaldinho fez questão de enfrentar a França."
Leonardo disse que Ronaldinho é uma pessoa especial, por causa
da posição que ocupa no futebol mundial. O atacante, segundo
o meia, é muito cobrado pela torcida e pela imprensa. "Ronaldinho
não tem sossego e todo mundo quer que ele resolva sozinho os jogos",
disse o meia.
Volta por Brasília
Os jogadores da Seleção Brasileira desembarcarão
às 6 horas da manhã desta terça-feira em Brasília
e vão ser recebidos pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.
De acordo com a CBF, a delegação deverá desfilar
no carro do Corpo de Bombeiros. Segundo assessores da entidade, ainda não
está decidido se os jogadores viajarão juntos para o Rio ou
se cada um embarcará em Brasília diretamente para seus estados.
De qualquer maneira, cerca de 500 policiais militares vão cuidar
da segurança externa da comitiva e do trânsito, no Rio de Janeiro.
Soldados da Aeronáutica irão tomar conta da parte interna
do aeroporto.
Derrota deve desvalorizar
passe de vários jogadores
Paris - Quando a Copa do Mundo começou, Ronaldinho não
tinha preço no mercado internacional. Seu passe estava acima de qualquer
cotação. Outros brasileiros, como Rivaldo, Denílson
e Roberto Carlos lideravam a lista dos jogadores mais caros do mundo.
Especialistas de mercado dos principais jornais europeus (uma nova função
na imprensa esportiva), admitiam nessa época que os preços
dos jogadores brasileiros iriam explodir após a Copa.
Agora, após a derrota do Brasil e nas condições
em que ela ocorreu, eles começam a se interrogar sobre a busca de
outros mercados. Teme-se também que as conseqüências da
contusão do maior jogador do mundo possam ser mais sérias
do que se imagina com repercussões na sua carreira.
Ontem, o médico do Inter de Milão, procurado pelos jornalistas
italianos, não aceitou, em nome do sigilo e da ética médicas,
fornecer qualquer informação sobre esse problema físico
no joelho que acompanha o jogador já há algum tempo.
Ronaldinho poderá voltar a ser classificado entre os "mortais"
e o preço pago pelo Inter por sua transferência, quase US$
30 milhões, pode deixar de ser um "achado", como costuma
afirmar o presidente do clube, Maximo Moratti, convencido que seu valor
está muito acima dessa cifra.
Ontem, o presidente do clube italiano reconhecia que se esperava mais
de Ronaldo, como também do Brasil, que decepcionou e retirou de Ronaldo
todas as condições para que ele fosse, durante a copa, um
jogador perigoso como tem sido na Inter.
Mesmo reconhecendo que o fracasso de Ronaldo na Copa pode prejudicar
sua cotação no mercado, especialistas acreditam que será
apenas uma fase passageira, pois, desde que o jogador restabeleça
suas condições físicas, terá condições
de voltar a ser o "fenômeno".
O mesmo se pode dizer de Rivaldo e Roberto Carlos, cujo valor no mercado
pode sofrer alterações. César Sampaio talvez seja o
único jogador brasileiro que passe ileso ao fiasco do Brasil. Suas
atuações na primeira fase da copa contribuíram para
aumentar o interesse dos italianos, principalmente do Milan, que negociam
sua transferência com os japoneses do Yokohoma Flugels. |
MULTIDÃO

Polícia teve trabalho para abrir espaço entre torcedores para
passagem do carro aberto
Campeões desfilam no Champs Elisées
Franceses voltaram ontem
às ruas para ver atletas no centro de Paris um dia após a
conquista da Copa
Paris - Os novos campeões mundiais deixaram Clairefontaine, às
11h30 de ontem. Ali, a cerca de 60 quilômetros de Paris e no meio
de um bosque, começou o contato com o público francês,
que lotou o acesso ao local, onde os 22 atletas convocados pelo treinador
Aimé Jacquet e toda a comissão técnica ficaram concentrados
desde 18 de maio.
Uma hora e meia depois, o ônibus oficial da seleção
rumou para a sede da Federação Francesa de Futebol (FFF),
próxima ao Trocadero, já na capital francesa. Lá, foram
recebidos pelo presidente da entidade, Claude Simonet, e pela ministra dos
Esportes e da Juventude, Marie-George Buffet.
No Club France, ao lado da FFF, houve um almoço privê, no
qual todos puderam levar os familiares. Apenas a imprensa francesa teve
acesso ao local. As ruas das redondezas foram cercadas pela polícia,
que restringiu a circulação de pessoas e de carros.
A coletiva de imprensa que estava programada para as 11 horas foi cancelada.
Na FFF, Simomet, em entrevista a uma televisão local, exaltou o "momento
histórico do futebol francês". "A equipe da França
trouxe glória para o país, que agora está na relação
das melhores do mundo", comentou, enquanto segurava a Taça Fifa.
Depois do almoço, jogadores e membros da comissão técnica
desfilaram em carro aberto pela avenida Champs Elisées, onde milhares
de franceses os aguardavam. Lá pelas 16h30 (horário de Paris),
chegaram à Place de la Concorde.
O percurso demorou quase duas horas para ser completado, até o
Arco do Triunfo, pois a polícia encontrava dificuldade para abrir
caminho em meio à multidão.
À medida que passavam, a euforia tomava conta dos franceses. Jacquet
ficou à frente do grupo. Petit, Desailly e Thuram exibiam chapéus
personalizados e David Trezeguet, revelação do campeonato
nacional da temporada passada, ganhou de um torcedor um chapéu de
bobo da corte com as cores do país.
O dia dos campeões encerrou-se com um jantar no Lido, famosa casa
de espetáculos de Paris.
Mulher atropela multidão após
ter surto de pânico
Paris - Uma professora de 44 anos, "frágil psicologicamente",
era a motorista do carro que atropelou dezenas de torcedores que festejavam
a vitória da França, em Champs Elisées, na madrugada
de ontem. Ela, identificada apenas como Nelly N., teria tido um surto de
pânico ao ver pela frente a multidão e acabou provocando o
acidente que deixou 11 feridos graves.
De acordo com a polícia, ela estava abatida e consciente do que
tinha feito quando prestou depoimento. Após os atropelamentos, ela
conseguiu fugir, abandonando o carro, que foi virado e incendiado.
Depois de perambular pelas ruas de Paris, sentou-se no asfalto durante
horas, até telefonar para o filho, que foi buscá-la e a levou
à delegacia.
Há vários anos a professora faz tratamento médico
para distúrbios psicológicos, informou o filho. Com seu depoimento,
os investigadores conseguiram reconstituir o que tinha ocorrido. Depois
de festejar a conquista francesa, a professora foi jantar com uma amiga.
Em seguida, levou-a para casa e, aparentemente sozinha, voltou a Champs
Elisées, onde mais de 1,5 milhão de franceses comemoravam.
Ao ver a multidão na rua e, sem saber direito o que fazer, acabou
acelerando na direção das pessoas. "É incrível,
o carro ia em ziguezague em todos os sentidos. Houve pânico e muitos
não sabiam o que estava acontecendo", afirmou uma testemunha.
Revoltados, muitos jovens atacaram a polícia com garrafas de cerveja.
Balanço
Embora estimativas não-oficiais tivessem antecipado que as contas
da Copa da França apresentariam prejuízo, as primeiras avaliações
dizem que, além do primeiro título mundial, os franceses ficarão
com cerca de US$ 55 milhões de lucro, após investimentos de
US$ 440 milhões.
O avanço é considerável, já que o último
grande evento esportivo organizado no país, a Olimpíada de
Albertville, em 1992, deixou um prejuízo de mais de US$ 50 milhões.
A contabilidade da Copa da França considera também que
foi a causa de lucros em outros setores, como os transportes. Para levar
1,3 milhão de pessoas durante a disputa, foram necessários
mais de 400 trens extras. O governo organizou uma grande operação
de relações públicas para agradar investidores internacionais.
Os grandes hotéis e restaurantes estavam cheios, como sempre ocorre
nesse período, mas bares e restaurantes menores trabalharam bem menos
que o habitual. O mesmo ocorreu em Bordeaux e em Marselha. Os 500 mil torcedores
de futebol que foram à França não chegaram a compensar
a perda de turistas que quiseram evitar a Copa do Mundo.
Audiência - A audiência de telespectadores
de língua inglesa dos Estados Unidos, que acompanharam a Copa da
França, caiu 50% em relação ao Mundial realizado no
país em 1994. As 14 partidas transmitidas pela cadeia nacional ABC,
incluindo a disputa do terceiro lugar e a final, tiveram um índice
de audiência de 2,3 por cento. No campeonato anterior a audiência
foi de 4,7%.
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