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Todas as
cores da vida
O maior desafio que nos espera na virada do milênio
está sem dúvida relacionado com a questão ambiental.
A capacidade humana de encontrar soluções para os problemas
causados por anos de degradação inconsciente definirá
a viabilidade de recursos naturais para todos os seres vivos da Terra. Preservar.
Este deve ser o verbo mais utilizado por todos os setores econômicos
e pela sociedade em geral para garantir a sobrevivência terrena.
A preservação do meio ambiente vai além do simples
ato de não, por exemplo, prender um pássaro silvestre na gaiola.
Ela engloba procedimentos industriais corretos e afinados com os conceitos
de reciclagem e não inclusão de resíduos tóxicos
na natureza, envolve investimentos e acima de tudo consciência. Inclui
também, ações pessoais, como a reciclagem do lixo doméstico
e a separação do que é reaproveitável. O caminho
a ser seguido é longo e o tempo bastante curto.
Todos nós, indivíduos participantes deste processo degenerativo
ao longo dos anos, devemos soar, agora, a sirene de alerta para uma mudança
de proceder. A preservação ambiental é a oportunidade
que a humanidade tem para perpetuar sua existência.
O caderno ambiental do jornal A Notícia apresenta as iniciativas
de preservação ambiental de algumas empresas que já
estão em sintonia com esta mentalidade e, por isso, recebeu o reconhecimento
do 7º Prêmio Expressão de Ecologia. São verdadeiros
paradigmas em novo contexto de comportamento frente ao meio ambiente. Além
desse tema, o caderno fala também sobre as flores, esse importante
componente da natureza, que além de presentear nossos olhos com beleza,
são responsáveis pela reprodução das plantas,
garantindo a biodiversidade da flora.
As flores dos
jardins de nossas casas
Concurso envolve cada vez
mais a comunidade
A 61ª Festa das Flores realizada entre os dias 13 e 21 de novembro
foi um sucesso na avaliação dos organizadores. Este ano, cerca
de 100 mil pessoas visitaram os pavilhões da Expoville. Entre elas,
grupos da terceira idade e turistas que vieram de várias regiões
do País como Bahia, Recife e Manaus.
Além do sucesso de público, o coordenador Vilmar de Souza
garante que o evento foi viável financeiramente. "Ao contrário
do que ocorreu em 1998, quando tivemos um déficit, este ano conseguiremos
pagar todas as despesas da Festa", comemora. A média de visitação
na 61ª Festa das Flores oscilou entre 4,5 mil e 8 mil pessoas de segunda
a quinta-feira. Entre os motivos do sucesso desta edição do
evento, aponta o coordenador geral, está o empenho dos colaboradores
e integrantes da Agremiação Joinvilense de Amadores de Orquídeas
(Ajao) e da nova estratégia de mídia.
"Adotamos uma forma de mídia alternativa. O concurso de reportagens
lançado pela Adjori (Associação dos Jornais do Interior)
estimulou a publicação de notícias sobre a Festa das
Flores em todo o Estado e ajudou muito na divulgação",
avalia Vilmar de Souza, lembrando que a comissão organizadora enviou
3,8 mil malas-diretas para grupos de terceira idade e aproveitou para divulgar
o evento nos maiores encontros de turismo promovidos no Brasil. O workshop
gastronômico realizado pelo Senac - que incluiu a elaboração
de pratos à base de orquídeas - também foi um dos diferenciais
apontados pela coordenação.
A exemplo dos anos anteriores, mais uma vez os apaixonados por plantas
e flores puderam participar do Concurso de Jardins. A iniciativa tem incentivado
a comunidade a embelezar ainda mais as residências, empresas e escolas.
Hobby e terapia para alguns, trabalho para outros, o fato é que a
preocupação com o meio ambiente está absorvendo tempo
e dedicação cada vez maior dos joinvilenses. Na avaliação
dos vencedores do concurso realizado no ano passado, já é
possível perceber o quanto a cidade está florida e bela.
Inovações
Este ano, a comissão organizadora do concurso fez algumas inovações
e avaliou quatro categorias: jardins escolares, jardins empresariais, residências
grandes e residências pequenas. Em 1998, o evento incluia premiação
para os jardins rurais, que nesta edição foram incorporados
à categoria residencial. Vencedor na categoria jardins residenciais
com mais de 100 metros quadrados no ano passado, Paulo Grunewald se inscreveu
novamente e, desta vez, conquistou o 3º lugar, agora na categoria residências
grandes.
Amante de flores e plantas,o empresário dedica algumas horas semanais
para a manutenção do jardim. "Sempre gostei de jardinagem,
mas faltava tempo. Há cerca de dois anos passei a me dedicar mais
à natureza", revela o morador do bairro Atiradores. Os investimentos
para manter o jardim sempre bonito variam muito. No caso de Paulo Grunewald
foram gastos, para a edição do concurso realizado em 1998,
aproximadamente R$ 6 mil, mas ele diz que é possível economizar
bastante utilizando apenas a criatividade. "As plantas adultas, compradas
em empresas especializadas, são as mais caras", avisa.
Melita Kleinschmidt, que no ano passado venceu a categoria jardins rurais,
conquistou este ano o terceiro lugar na categoria residências pequenas.
Situada na estrada Dona Francisca (km 10), a casa em estilo enxaimel sempre
chamou a atenção dos viajantes. "Em 1998, decidimos concorrer
na última hora e nem sabíamos que haviam escolhido nossa casa.
Melita passa as horas de folga cuidando das plantas e flores que embelezam
a residência e conta sempre com a ajuda das filhas. "É
um orgulho ver tanta dedicação reconhecida", disse.
Escolas e empresas também passaram a se dedicar à natureza,
tornando os ambientes mais coloridos. O Colégio Elias Moreira cuida
dos jardins há anos. O primeiro reconhecimento no concurso veio em
1993. De lá para cá, a classificação em primeiro
lugar se tornou rotina. Os investimentos com a manutenção
do jardim giram em torno de R$ 800, 00 e, comprovando a superioridade, o
colégio venceu, este ano, mais uma edição do concurso.
A Tigre S/A, que começou a investir no meio ambiente há cerca
de quatro anos, foi mais uma vez a vencedora na categoria jardim empresarial.
Orlando Brümmer, responsável pela manutenção dos
jardins da empresa, disse que os trabalhos começaram modestamente.
Com o tempo a empresa ampliou a área de jardins.
Concurso de jardins/1999
Categoria jardins escolares
- 1º lugar: Colégio Cenecista José Elias Moreira
- 2º lugar: Escola Técnica Tupy
- 3º lugar: Caic Mariano Costa
Categoria jardins empresariais
- 1º lugar: Tigre S/A Tubos e Conexões
- 2º lugar: Hipermercado Big
- 3º lugar: Anthurium Parque Hotel Ltda
Categoria jardins residenciais pequenos
- 1º lugar: Cenildo Merkle
- 2º lugar: Adolfo Krieger
- 3º lugar: Melita Kleinschmidt
Categoria jardins residenciais grandes
- 1º lugar: Alci Anita Massotti
- 2º lugar: Margaret Rieper
- 3º lugar: Paulo Grunewald
As irresistíveis bromélias
conquistam cada vez mais a simpatia dos amantes de flores
Foto: Arquivo AN
Paixão incontida pelas
exóticas bromélias
Até a Internet já
é fonte de consultas sobre novas espécies
O engenheiro agrônomo Carlos Alberto Nascimento do Amaral não
tem vergonha de dizer que fez o caminho da roça. Optou pelo trabalho
no campo aos 15 anos, quando seus pais compraram um sítio, no interior
de Joinville. As idas e vindas ao sítio o fizeram descobrir o amor
pela natureza e a necessidade de trabalhar com ela. Mal sabia que, anos
mais tarde, teria nas flores e outras plantas sua principal fonte de renda.
Há três anos a família de Amaral é uma das
principais expositoras de bromélias na Festa das Flores de Joinville,
como resultado de um trabalho que começou com pesquisa de mercado,
cursos de capacitação e, como em qualquer outro investimento,
com grandes chances de erros e acertos. A escolha pela bromélia,
segundo o engenheiro, não aconteceu por acaso. Amaral apostou na
cultura da espécie após descobrir que a maior parte dos exemplares
vendidos em Joinville vinham de São Paulo ou eram retirados da mata
.
A antiga paixão de colecionador e a boa propagação
das plantas o fez voltar os olhos para o potencial econômico do cultivo.
Assim, conta, nasceu o Sítio das Bromélias. Ver o trabalho
dar certo também levou tempo. O clima era excelente mas o excesso
de cuidados atrapalhou um pouco. Prova disso era o adubo em exagero em plantas
escuras - as neoregílias - que, ao invés de crescer, ganhavam
uma tonalidade verde. Para sanar as dúvidas, o engenheiro buscou
ajuda nos cursos da Epagri, em Florianópolis e em Pirabeiraba e até
em Curitiba. Aprendeu muito com os amadores, que na região criam
bromélias com as orquídeas. Isso sem falar na internet, grande
fonte de consulta para informações sobre novas espécies,
insumos e outras itens relacionados ao cultivo de plantas.
Perigo
Uma das maiores preocupações do engenheiro, que também
trabalha com paisagismo, é o repovoamento da mata da região
para combater problemas causados pelo extrativismo ilegal de plantas nativas.
"As pessoas não devem comprar bromélias e orquídeas
na beira de estrada sem comprovar a procedência. Isso é crime
ambiental", alerta. Confiante- e tendo os pássaros como aliados-,
Amaral aposta dobrar o número de espécies e exemplares ao
redor do sítio em menos de dez anos. "Novas espécies,
propagadas pelos pássaros que se alimentam da semente da planta cultivada
no viveiro, não agridem o ambiente. Isso aumenta a biodiversidade",
explica.
Exóticas, as bromélias não cabem em qualquer lugar.
Palavra de quem entende e acredita que a arquitetura da casa ou condomínio
deve servir de moldura ao trabalho desenvolvido no jardim. O primeiro passo
para realizar um bom trabalho de paisagismo, segundo o engenheiro, é
verificar se a empresa que vai realizar o serviço tem uma assessoria
técnica. Caso contrário, o cliente pode ser prejudicado com
problemas de solo e com espécies de plantas erradas para o ambiente.
Elas podem não se adaptar ou, em outros casos, causar danos futuros
à residência.
O profissional também deve respeitar o gosto do cliente, porém,
evitando extravagâncias observando as tendências tropicais e
européias. "Um exemplo é ter palmeiras em torno da piscina.
Pinheiro também não combina com este tipo de ambiente",
diz. Uma das plantas em alta no momento, segundo Amaral, são as chamadas
onze-horas. Espécie multicolorida e resistente, que alegra qualquer
jardim. Dentro de casa valem as orquídeas, as bromélias, os
lírios da paz ou pequenas árvores em vasos como o fuccus,
a palmeira areca e a raphis.
Uma boa ventilação é essencial para bom desenvolvimento
das espécies. "Às vezes a planta tem água, luz,
adubo mas morre por falta de ventilação", ensina o agrônomo.
Embora imitem a beleza das plantas naturais, as artificiais não têm
futuro nos ambientes internos ou jardins, acredita o engenheiro. "As
pessoas estão investindo mais em si próprias, estão
pensando no futuro, diminuindo o uso do plástico, dos aditivos químicos,
do açúcar. A planta artificial não traz os benefícios
da natural. Enquanto os cuidados com uma planta verdadeira se transformam
em terapia, a artificial é inerte".
Nas próximas semanas, Amaral deve iniciar um programa de profissionalização
de mão de obra em Araquari. A terra do maracujá vai ganhar
garis e desempregados com noções de jardinagem, gerando novos
postos de trabalho.
A diversidade de espécies (ao
lado e abaixo)
Fotos: Divulgação
Associação
tenta resgatar espécies raras
O comércio de bromélias
é um mercado em ascensão
Rio do Sul - A exploração florestal indiscriminada da mata
atlântica tem ameaçado a extinção de várias
espécies nativas. Entre elas estão as bromélias, que
se tornaram conhecidas na Europa já na época das navegações
portuguesas e espanholas ao Novo Mundo. Na tentativa de resgatar algumas
variedades das famílias bromeliáceas, que compreendem mais
de 2,5 mil espécies e ainda combater o extrativismo ilegal, a Associação
de Preservação do Meio Ambiente do Alto Vale do Itajaí
(Apremavi) iniciou há quatro anos em seu viveiro, na localidade de
Alto Dona Luíza, em Atalanta, a reprodução de sementes.
A principal delas é conhecida como poço-de-jacó, uma
variedade endêmica do interior das florestas da região, variedade
rara e em fase de extinção. O comércio de bromélias
é um mercado em ascensão. Devido ao seu grande valor ornamental
elas vêm conquistando um novo público. Apesar da legislação
federal proibir a sua retirada da mata para fins de comercialização,
o extrativismo é cada vez maior. O engenheiro florestal da Apremavi,
Leandro Casanova, disse que é preciso maior fiscalização,
no sentido de diminuir a pressão extrativista, no que diz respeito
a preservação das espécies. Ele prevê que se
nenhuma atitude for tomada rapidamente a riqueza genética das bromélias,
assim como de todos os outros organismos que habitam esse ecossistema, se
perderão de forma irreversível.
Casanova diz que as sementes das mudas de bromélias
produzidas no viveiro da Apremavi são coletadas maduras, diretamente
nas matas. Depois é feita a semeadura propriamente dita. Este trabalho
de reprodução iniciou em 95 e até agora foram produzidas
mais de 25 mil mudas. No total são desenvolvidas cinco espécies
nativas da região. A mais linda delas, com floração
vistosa e prolongada é a variedade denominada de poço-do-jacó
(Bilbergia alfonsi-joannis Reitz). Além de endêmica das florestas
do Alto Vale do Itajaí, faz parte da lista das espécies raras
e encontra-se em processo de extinção. "Foi por esta
razão que a Apremavi iniciou esse trabalho de reprodução
a partir das sementes", justificou Casanova.
A comercialização das mudas está começando
praticamente agora. É que as bromélias chamam a atenção
apenas quando se encontram floridas. Casanova explicou que estas espécies
nativas demoram um pouco para florescer. O valor das mudas varia entre R$
3,50 e R$ 5,00 a unidade - a mais cara é o poço-de-jacó.
Os pedidos podem ser feitos no escritório da Apremavi, em Rio do
Sul, ou no próprio viveiro, que fica em Alto Dona Luíza, distante
seis quilômetros do centro de Atalanta. As bromélias, conhecidas
também como gravatás, são uma grande família
botânica, agrupadas em 51 gêneros, tipicamente das Américas,
ocorrendo dos Estados Unidos até o norte da Patagônia. As espécies
brasileiras são extremamente apreciadas em todo o mundo, tanto pelas
cores, formas e desenhos da própria planta, quanto da inflorescência.
.O popular abacaxi foi a primeira espécie levada para o Velho Mundo
por Cristóvão Colombo em 1493.
Homens que amam flores
Joinville - "Você se torna responsável por aquilo que
cativa". A frase de Saint Exupéry, autor do livro "O pequeno
príncípe", descreve o trabalho dos floricultores em cada
amanhecer. O orquidófilo joinvilense Bernardo Ritzmann, 80 anos e
o amigo Heins Fissmer, 65 anos, são exemplos práticos da frase
que conquistou leitores em todo o mundo. Os dois são responsáveis
por uma centena de espécies. Entre as famosas orquídeas, exóticas
bromélias e plantas de menor destaque, somam uma coleção
de mais de 5 mil plantas.
Ritzmann está há 50 anos na Agremiação Joinvilense
de Amadores de Orquídeas (Ajao). Fissmer há 38 e dizem ter
as plantas como filhos, como uma terapia. "São como nossas crianças.
Você as vê nascer, protege, dá água, aduba, conversa
com elas e depois as vê amadurecer, florir. As pessoas estranham ver
os produtores conversando com as orquídeas mas isso é uma
coisa natural e importante para quem lida com elas. Algumas esposas chegam
a ter ciúmes das plantas".
E é este carinho e dedicação, aliado à técnica
e conhecimentos científicos que os profissionais do Centro de Treinamento
da Epagri, em conjunto com a Fundação Municipal 25 de Julho
e o Mercaflor, em Joinville, tentam passar aos produtores rurais que buscam
na floricultura um novo nicho de mercado. Segundo o engenheiro agrônomo
e coordenador dos cursos de floricultura ministrados pela Epagri na Fundação
25 de Julho, José Mariano Perobelli, os cursos começaram a
ser desenvolvidos no município em 1996 e, entre os módulos
um e dois, já capacitaram cerca de 700 produtores rurais.
O trabalho tem apoio da Secretaria de Estado e Desenvolvimento Rural
e da Agricultura com um cronograma de atividades para o ano todo. Somando
os módulos um e dois do curso principal, a equipe da Epagri de Pirabeiraba
já realizou 14 encontros de capacitação. O primeiro
módulo apresenta noções gerais de botânica, onde
se aprende a conhecer o funcionamento da planta, as partes que a compõem,
sua classificação e o nome científico.
No segundo, começam as questões administrativas do processo
de cultivo. O terceiro módulo que deve ter suas primeiras edições
iniciadas em breve, ensina a constituição legal do negócio..
O Mercaflor entra no programa abrindo as propriedades dos produtores lá
estabelecidos para visitação. Em Itajaí, a Epagri ensina
a reduzir os custos finais de um viveiro de plantas, que pode encarecer
em até 50% a mais com uso indevido e indiscriminado de agrotóxicos
e fertilizantes. O curso é ministrado desde 1997 para produtores
de mudas e essências florestais, técnicos e leigos. O diretor
do centro de treinamento, engenheiro agrônomo Arlindo Cervo, é
um erro pedir auxílio em balcões de agropecuárias.
O correto, ensina, é buscar informações com um técnico.
AN especial
- Coordenação: Roberto Ravali
- Edição de textos: Celso Machado
- Reportagem: Jeferson Luiz Ribeiro, Genara Rigotti, Graziela
Lindner, Marlise Groth, Luís Fernando Assunção, Roberto
Ravali, Cristiano Maia Escobar, Orlando Pereira e Marília Maciel.
- Editor de Arte: Pierre Themotheo
- Edição de fotografia: Carlos Alberto da Silva
- Programação visual: Christiane Dalla Costa
- Tratamento de Imagens: Odair Jaroczinski
- Conselho editorial: Ari Lazzari, Luis Fernando Assunção,
Carlos Massud Costa, Gert Roland Fischer, Roberto Ravalli, Luiz Meneghim,
Lira Queiroz Krüger.
- Comitê Sistema de Gestão Ambiental (SGA) de A Notícia:
Carlos Massud Costa, Carlos Dotto Martins, Roberto Budal Arins, Jorge Antônio
Dias, Ari Lazzari, Vladimir Damásio, Lira Queiroz Krüger, Luis
José Meneghim, Ulisses Gomes, Jorge Arnaldo Orioni, Luis Fernando
Assunção, Adão Gonçalves, Roseli de Souza Barros,
Ana Cláudia Tambosi.

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Orquídeas |
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Esculturas do Criador da
natureza
Orquidário fundado
há quase um século tem cerca de 50 mil plantas e exporta para
mercados da Europa, Estados Unidos e Japão
Joinville/Corupá - São dois os grandes produtores de flores
no mundo hoje. Um é a natureza, que precisa delas para se reproduzir
e garantir a biodiversidade das espécies, o outro é o homem,
que produz sementes, mudas e faz germinações laboratoriais
para revender flores exóticas e, às vezes, também as
produz para garantir a perpetuação de algumas espécies
mais raras. Porém, os produtores garantem que mesmo quando são
produzidas com finalidade comercial, o cultivador precisa ter amor pelo
que faz.
Caso não existissem esse belos elementos da natureza, a fauna
seria muito menos diversificada, mesmo porque a existência das plantas
em cada local depende de sua adaptação ao meio e isso só
é garantido pela polinização, possível apenas
através das flores, que são o conjunto de órgãos
genitais das plantas, e os agentes naturais que as ajudam na reprodução.
O estigma, parte feminina da flor, e o pólem, o órgão
reprodutor masculino dela, são os responsáveis por essa função
de reprodução. Porém, eles dificilmente agem sozinhos
na flor, poucas delas são hermafroditas, por isso a natureza precisa
dos insetos, como as abelhas, para garantir o processo. Eles é que
transportam o pólen de uma flor para outra, garantindo a fecundação.
Nas orquídeas, por exemplo, esse processo é ainda um pouco
mais complicado. Além do inseto polinizador, para que a fecundação
natural seja bem sucedida é preciso a existência de uma bactéria
chamada Rhizoctonia repens. Ela é produtora de uma enzima que garante
a fecundação por completo.
Considerando esse tipo de dificuldade, é que deve se dar muita
importância para a produção em laboratório e
em grande escala. O Orquidário Catarinense, funcionando desde 1906,
em Corupá, é um dos bons exemplos do trabalho feitos com flores
no estado. A empresa passa de pai para filho há três gerações,
sempre objetivando a produção de flores e a sua garantia de
sobrevivência.
Alvim Seidel, o proprietário do Orquidário Catarinense
e um dos maiores pesquisadores de orquídeas e bromélias de
Santa Catarina, cedeu anos de sua vida desbravando matas em mais de 20 viagens
expedicionárias, no Brasil e em países vizinhos, onde descobriu
aproximadamente 100 espécies diferente de plantas, que levam seu
nome na nomeclatura internacional, contribuindo imensamente para a fauna
mundial. Atualmente, ele administra do Orquidário junto com o filho,
mas infelizmente não pode mais seguir com sua pesquisa devido às
rígidas leis de proteção ambiental, que proíbe
até a disseminação de pesquisas importantes como essa.
A empresa exporta cerca de 60% de sua produção para Europa,
Estados Unidos e Japão, o restante é destinado para o mercado
interno. "É muito importante nesse ramo não ser ganancioso
e apreciar realmente as flores, caso contrário isso se torna apenas
um comércio, que por alguns é feito até mesmo de forma
ilegal", comenta Seidel.
Segundo ele ainda, para conquistar o mercado externo é preciso
ter muita credibilidade e cumprir muitas determinações ambientais.
"Não devemos esquecer que os principais interessados em garantir
a manutenção de uma maior números de espécies
somos justamente nós, os produtores", afirma ele. O orquidário
tem cerca de 3 mil espécies diferentes e abriga aproximadamente 50
mil plantas, porém só revende por atacado. "Nossos principais
clientes são os colecionadores", garante o filho de Alvim, Donato
Seidel.
O constante crescimento do interesse geral da população
por flores também exige uma produção maior de plantas
e a criação de espécies diferentes que se adaptem a
meios diferentes ao que estavam acostumadas. Hoje, há uma infinidade
de flores criadas em laboratório com cores e folhagens que somente
a criação humana e a fertilização em laboratório,
com uma ajudinha da genética, são capazes de produzir. Contudo
nem essas "flores de proveta" perdem sua beleza e importância
naturais.
Explosão de cores onde a orquídea
é a rainha da festa há seis décadas
Na bagagem dos imigrantes europeus, que fundaram Joinville em março
de 1851, além do espírito empreendedor, a disposição
para o trabalho e a esperança de um futuro melhor, vieram também
as tradições. E uma delas, que se mantém até
hoje, é o amor pelas flores. O solo e o clima propícios da
região, especialmente Joinville, incentivaram cada morador a cultivar
seu jardim com muitas flores. A primeira exposição acabou
acontecendo em novembro de 1936 na Sociedade Harmonia Lyra, e recebeu o
nome de Exposição de Flores e Artes (EFA).
Na época, a cidade tinha apenas 30 mil habitantes e se tornou
um hobby de muitos moradores recolher orquídeas em meio a mata atlântica
para cultivá-las em casa. Foram estes orquidófilos os primeiros
que quiseram expor suas orquídeas aos amigos. A mulheres juntaram
às flores, trabalhos manuais, bordados e artesanato que formaram
uma exposição inusitada com fotografias, objetos antigos,
selos, moedas e obras do artistas plásticos locais. Adolfo Trinks,
Adalberto Schmalz e o médico Norberto Bachmann, tiveram a idéia
de reunir as coleções de orquídeas uma vez por ano,
em época propícia, para o povo em geral conhecer as espécies.
Naquela primeira exposição, em meio as flores e os trabalhos
artísticos estava também uma estátua modelada por Fritz
Alt. A idéia dos orquidófilos e dos organizadores foi de apresentar
as orquídeas ao público naturalmente, como se estivessem num
grande jardim. Para isso foi necessário recorrer também a
outras flores, plantas e árvores ornamentais. Nada muito difícil
na antiga Dona Francisca, como era conhecida a cidade no passado, o paraíso
das orquídeas, em particular o gênero dendrobium, cuja exemplar
mais disseminado é o D.nobile e suas variedades. Ainda em 1906 o
então presidente da República, Afonso Pena, passou por Joinville
e, impressionado com a beleza dos jardins da região, disse: "Joinville
é o jardim do Brasil".
O historiador Apolinário Ternes afirma em seu livro sobre os 60
anos da Festa das Flores que o apogeu do evento foi nos anos 50 e 60, quando
era considerado o evento do ano. Já na primeira edição,
a cidade foi sobrevoada pelo dirigível Hindenburg, fato que mereceu
destaque num jornal do Rio de Janeiro, pois a bordo da aeronave estava uma
comitiva de ministros do governo do presidente Getúlio Vargas. Em
63 anos Joinville assistiu a antiga exposição de flores e
artes se transformar em numa festa que hoje tem por objetivo ser um crescente
balcão de negócios.
Durante todo este tempo a festa, foi interrompida apenas nos anos de
1941 e 1942, em consequência da 2ª Guerra Mundial. O que era
lazer é, cada vez mais, um atraente nicho de mercado. A 61ª
Festa das Fores pretende ser um marco da história do evento, conforme
o presidente da Agremiação Joinvilense de Amadores de Orquídeas
(Ajao), Pedro Holderbaum, responsável pela organização
da festa. A Ajao foi criada em 1938 e reúne atualmente cerca de 130
associados com idades entre 12 e 90 anos, todos apaixonados por orquídeas.
"O evento, aprimorado a cada ano, já recebeu vários prêmios
de destaque como o de "Evento Turístico Nacional", lembra
Holderbaum.
Realizada nos pavilhões da Expoville, a Festa das Flores envolve
moradores, escolas, comerciantes e fábricas, em concursos de jardins
e vitrines bastante disputados. A pareticipação da comunidade
e as transformações da cidade, deram a Joinville o título
de "Cidade das Flores". E a exposição passou a mostrar
também plantas ornamentais e novas espécies de flores que
complementam o paisagismo, a cada ano se baseado em um tema central diferente.
As flores continuam sendo o maior atrativo, mas paralelamente ocorrem o
mercado de flores e plantas ornamentais, espaço cultural, programas
para crianças e idosos, feira com produtos para o lar, entre outros.
Mais de meio século depois as estrelas principais continuam sendo
as orquídeas. Atraem a admiração de estudiosos e leigos
por suas formas delicadas, pela beleza e pela diversidade. Calcula-se que
em todo mundo existam mais de 25 mil espécies desta planta, que tem
grande capacidade de adaptação e pode ser encontrada tanto
em regiões tropicais e subtropicais, quanto em locais de clima temperado
e até subártico. Os colecionadores pioneiros buscavam na mata
os exemplares que admiravam. Hoje, porém, está prática
já não é mais comum.
Os orquidófilos estão fazendo o caminho contrário,
devolvendo à natureza as plantas originadas em sementeiras. Na Festa
das Flores foi mantido o caráter didático e ecológico.
São realizadas oficinas destinadas à pintura, argila e outras
técnicas, que estimulam principalmente nas crianças, o interesse
por atividades sensoriais e desenvolvem sua criatividade. Não faltam
também os atrativos que tradicionalmente fazem parte da programação
das festas em Santa Catarina: muita dança, música, comida
típica, alegria e diversão. |
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