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Sylvio Back
Cineasta catarinense que redescobre o Brasil há 30 anos

Apolinário Ternes
Editor de GE

Nascido em Blumenau e criado no Paraná, Sylvio Back é um dos mais importantes cineastas do Brasil contemporâneo. Com 36 filmes feitos em 30 anos, Back é considerado o mais consistente produtor brasileiro. Polêmico, controvertido, não integrou o Cinema Novo das décadas de 60 e 70 e, mesmo sendo um dos mais premiados diretores do País em todos os tempos, continua não integrando o chamado "stablishment" do cinema nacional.

Com projetos em andamento, inclusive um filme sobre o poeta catarinense Cruz e Sousa, que pretende terminar até o final de 1998, Sylvio Back tem agenda lotada até o ano 2001.

Filho de emigrantes e neto de nobres alemães, Back é um caso clássico de cineasta que realizou uma obra inteira com suas próprias mãos. "O trabalho me dá prazer", diz e observa que o "passado nunca é melhor que o presente", apesar de sua filmografia estar inteiramente voltada ao passado, no resgate da essência da alma nacional.

Aos 60 anos de idade e no terceiro casamento, o último acontecido há treze anos com a curitibana Margit Richter, com a qual tem dois filhos ­ Charlotthe, de 12 anos, e Theo, de 8, Sylvio Back hoje é um empresário do cinema. Para nos conceder a presente entrevista foram gastos mais de seis meses, entre inúmeros contatos telefônicos no Rio de Janeiro, onde mora há doze anos, viagens a Curitiba e Florianópolis, até que, finalmente, na capital do Paraná nos recebeu para uma conversa de três horas sobre sua vida e sua obra.

Agenda
Back desenvolve três projetos ao mesmo tempo. Sua agenda está ocupada até o ano 2001. Desses projetos, um trata do poeta catarinense Cruz e Sousa, cujo filme deverá estar concluído até o final do ano

Depoimento
Com o editor de Grandes Entrevistas, uma conversa de três horas sobre o cinema brasileiro

A entrevista Curriculum e Perfil Fotográfico

Obra

Back, ex-bancário e ex-jornalista, iniciou-se na produção cinematográfica no ano de 1962, mas seu primeiro longa só aconteceu em 1967/68, com o filme "Lance Maior", um clássico da cinematografia nacional. Autor de outros títulos famosos e premiados como "Aleluia, Gretchen" (1976), "República Guarani" (1982), "Guerra do Brasil" (1987), e os dois últimos mais polêmicos: "Rádio Auriverde" (1991), sobre a participação dos pracinhas brasileiros na Segunda Grande Guerra, e "Yndio do Brasil", de 1995.

O blumenauense Sylvio Back é autor de uma obra original no cinema brasileiro, com quase todos os filmes relacionados com a história e cultura do Sul do País, ou temáticas latino-americanas.

Tem livros editados: poemas e ensaios, argumentos e roteiros, além de "O Caderno Erótico de Sylvio Back", de 1988. "Moedas de Luz", de 1994, retoma a vertente erótico-satírica ainda em "A Vinha do Desejo", em 1995.

Com 58 láureas conquistadas, Back é, segundo o dicionário de diretores de todo o mundo "Pourquoi Filmez Vous", edição do jornal francês "Liberation", em 1987, o "mais premiado cineasta do Brasil". Nas páginas internas, a obra, o pensamento e a análise de Sylvio Back, depois de seis meses de agradável diálogo via fax, telefone e em conversa direta, numa chuvosa manhã do final de abril em Curitiba.

 

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