|
Juarez Machado
do nonsense ao bom senso, a trajetória do artista
Apolinário Ternes
Editor de GE
No próximo dia 16 de março, o joinvilense Juarez Machado,
o mais internacional e o mais importante artista catarinense dos últimos
tempos, chega aos 57 anos de idade. Maduro, ele diz que nada mudou, pois,
artista sempre, mantém a inquietude e angústia criativa de
sempre.
Não reconhece mudanças no plano da ebulição
mental e da energia criativa, cada vez mais sofisticada, apurada, tecnicamente
requintada. Mas o artista mudou no plano existencial. Já não
precisa de aventuras e de arrojadas peripécias que marcaram o começo
de sua carreira, em Curitiba, no início da década de l960.
Ou depois no Rio de Janeiro, quando se tornou figura nacional e adquiriu
estatus de artista talentoso, partícipe da confraria das melhores
cabeças do país. Ali, com a Globo a tiracolo, Juarez subiu
pelo Fantástico da vida, a ponto de, duas décadas depois,
ousar o salto maior - Paris.
Já vive há doze anos na Cidade Luz, berço natural
dos gênios da arte no século 20. E gosta de Paris, onde vive
um cotidiano feito sob medida para um artista de gosto refinado, trajes
singulares, cavanhaque à la "belle époque", ateliê
em Montmartre, de onde espalha os seus quadros pelas mais caras galerias
da Europa, dos Estados Unidos e nos últimos anos, no Oriente Médio.
O Juarez Machado dos anos 90, é o artista quando realizado, ao
menos no plano das vaidades mundanas do prestígio profissional, da
conta bancária e da agenda cheia de compromissos artísticos.
Desfruta de confortável situação e já é
um dos nomes de prestígio da arte brasileira no exterior. Mesmo assim
reclama da pouca importância do artista brasileiro lá fora.
A cotação, em dólar, do pintor nacional é baixa,
até mesmo comparativamente às produções do resto
da América Latina.
Dividido entre Paris e Rio de Janeiro, onde mantém residências,
Juarez sempre atende outras áreas privilegiadas em sua geografia
amorosa: Joinville, onde vivem a mãe - Leonora - e o irmão
Edson, e Curitiba, onde reside o seu único marchand no Brasil, o
amigo pessoal Waldir Simões.
Família
Juarez Machado é tímido, mesmo assim exerce uma sedução
especial nas mulheres. Tem mais amigas do que amigos em Joinville. Talvez
seja assim também no resto do mundo. Do primeiro casamento tem dois
filhos, e do segundo, com Eliane Carvalho, um terceiro, o João Manoel
de Joinville, hoje com 20 anos, e que vive em Los Angeles, freqüentando
a universidade do cinema. Deseja ser diretor de filmes, se possível
em Hollywood mesmo. O mais velho, Ruy, tem 31 anos, vive no Rio de Janeiro,
depois de anos em Nova Iorque. É produtor de vídeo, tevê
e cinema. A do meio, chama-se Théssia, tem 30 anos, vive em Nova
Iorque e é especialista em computação gráfica,
desenho animado, etc. Os três, portanto, seguem o pai, nos caminhos
da criatividade, exercendo o fazer cultural em diferentes dimensões.
É impressionante conferir, na entrevista, o zelo e a descomunal consideração
do pai para cada um dos filhos. Todos são, irrepreensivelmente, "talentosos
e lindos". Superpai, mantém carinhosa relação
com todos, para os quais, confessa, investiu quase tudo o que ganhou na
arte arté até aqui.
Talento
Depois de quatro décadas de muita criatividade, o joinvilense Juarez
Machado é artista consagrado em todo o Brasil, na Europa, nos Estados
Unidos e agora chega ao Oriente Médio
Foto: Divulgação |
|
|
|
Hedonista
Famoso e quase rico, ou imensamente rico na medida em que realizou todos
os sonhos do artista quando jovem, Juarez Machado tem seus segredos. Por
exemplo, só fuma escondido da mulher Eliane. E fuma bem, registre-se.
Não entra em elevador sob qualquer justificativa. Até o 22º
andar, diz, "subo com facilidade", mesmo aos 57 anos de idade.
Aos 130 anos, admite, pode trocar Paris por Joinville," se estiver
sentindo algum cansaço", ressalva.
Apreciador de tudo o que é bom, bebe só do melhor e come
tudo que for sofisticado e bem apresentado. Bon vivant, como os franceses
sabem sê-lo, Juarez é um cidadão do mundo, mesmo desconsiderando
verticalmente as modernidades tecnológicas desse final de século.
Acha o celular uma coisa ridícula, de computador nem fala, e não
inveja automóvel de qualquer marca. Mas não abre mão
de comprar alguns trajes em antiquários, ou de mandar confeccionar
suas roupas e sapatos.
Juarez Machado aterrissa em Joinville nos próximos dias para
dois importantes compromissos: participar do coquetel de apresentação
dos estudos do grande painel, em cerâmica, que vai emoldurar o acesso
principal do Centreventos que o presidente Fernando Henrique deve inaugurar
dia 26 de junho e para a abertura da exposição sobre Florianópolis,
no próximo dia 12 de março, feita por sugestão do governador
Paulo Afonso, quando este o visitou em seu ateliê em Paris no ano
passado.
Nas páginas seguintes, a conversa que tivemos no apartamento
de seu irmão, Edson, em Joinville, numa rápida passagem por
aqui no mês passado. |