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AN Especial  149 anos - De Joinville para o mundo

A R T E S
E
E S P E T Á C U L O S

Juarez Machado

Radicado em Paris, o embaixador da arte catarinense eterniza a memória da cidade

Embaixador incontestável da arte catarinense - quiçá, brasileira - no exterior, Juarez Machado faz da sua estética uma celebração eterna das influências e dos elementos característicos da cidade em que nasceu, viveu e, ao que parece, jamais deixará - apesar de já ter fixado residência física em terras longínquas. Quando o chamado às artes começou a se manifestar, encontrou Juarez de calças curtas, brincando com o ator Fausto Rocha durante o tempo em que sua família morou na rua do Príncipe. Mais tarde, em outra casa, o pequeno Juarez avizinhou-se da fábrica de leques e cachimbos da Hansen, onde costumava remexer os depósitos em busca de peças que pudessem ser transformadas nos mais inesperados brinquedos.
Durante sua última visita a Joinville, em janeiro, o artista - pintor, escultor, cenógrafo, fotógrafo e desenhista, entre outras classificações - reafirmou este passado de pirralho talentoso e matou as saudades do rio Bucarein onde, por volta dos dez anos de idade, cabulava aula com os colegas e voltava para casa com sacos cheios de barro para fazer bonecos. "Toda a minha carreira começou mesmo em Joinville, ainda que de forma acanhada. Eu sempre pensei e sonhei em ser artista", revela, ao telefone, de Paris. "Hoje, quase 50 anos depois, aqui estou eu na França, continuando a fazer meus bonecos. Fui fiel este tempo todo à minha arte".
Até os 11 anos, Juarez foi o único filho da dona Leonora e do seu João Machado, casal que trouxe ao mundo, mais tarde, o filho Edson, hoje presidente da Fundação Cultural de Joinville. A mãe pintava leques para a companhia Hansen; o pai - caixeiro viajante há muito falecido - além de amante devotado da arte, costumava colecionar relógios antigos. Juarez Machado lembra com carinho e gratidão o legado artístico deixado pelo casal e tem orgulho de passá-lo adiante, fortalecido pelo tempo e pela disciplina, aos filhos: João Machado é cineasta (lançou, recentemente, o curta "Estetika"), Rui trabalha com criação em uma agência de publicidade, e Thessia faz desenhos animados.

DESENHANDO NO QUARTEL

Aos 14 anos, Juarez Machado foi admitido como desenhista de rótulos e cartazes na gráfica do Laboratório Catarinense, onde era também responsável pelas ilustrações do famoso "Almanaque Renascim" e, nas datas especiais, pela montagem e decoração das vitrinas das farmácias. Quando a lei exigiu, prestou o serviço militar no 13º Batalhão de Caçadores (hoje 62º BI), um período que passou pintando e desenhando. Depois do exército, mudou-se para Curitiba, onde estudou belas artes e deu início a sua carreira profissional. Formado, em 1965 viajou para o Rio de Janeiro, cidade que, além de lhe apresentar à boemia e à bossa nova, também ofereceu oportunidades valiosíssimas ao artista na tevê, no teatro, no cinema e na publicidade, entre outras áreas. Durante todos estes anos, Juarez criou selos para o correio, capas para cadernos e livros e camisetas irreverentes, itens de uma lista quase infindável de produtos. "Sempre trabalhei ligado às artes visuais", resume.
A conquista de outros países pela arte iniciou em 1978, quando Juarez passou a perambular pelo Velho Mundo, especialmente por Londres e Nova York. Desde 1986, o artista tem casa e ateliê em Paris. Na lista de exposições, as obras do joinvilense marcaram presença no Líbano, nos Estados Unidos, na Suíça e na França, entre outros rincões. "Cada exposição é um contato de amor com as pessoas, com os lugares, com o trabalho. É uma relação de sedução", define o artista, sem eleger pontos altos de sua carreira.
A próxima exposição em Paris, em maio (um ano depois da exposição em Beirute), terá muitas esculturas em bronze (sua antiga paixão) com a figura da bicicleta. "Essa imagem faz parte do meu repertório, é uma herança que eu trago de Joinville", garante. "Para nós de toda uma geração, a bicicleta era o símbolo da cidade; para mim, seu significado vai além: era mais que um veículo, era a extensão do meu corpo que continuo trazendo comigo, hoje, como um tema para dar movimento aos meus trabalhos".
Outro dos temas mais recorrentes em suas obras, o circo, também foi agregado ao imaginário de Juarez quando criança, em Joinville, e tornou-se motivo do seu maior trabalho, comprovando as relações entre passado/presente, local/global na sua estética: o mural em peças de cerâmica "O Grande Circo", que ornamenta o pórtico principal do Centreventos Cau Hansen. "O primeiro circo que eu vi em um terreno baldio da rua Getúlio Vargas também acabou virando outra peça do meu repertório", admite. (GP)

Local e data de nascimento: veio ao mundo pelas mãos de uma parteira vizinha de sua avó, em uma casa de esquina na rua São Pedro, em Joinville, a 16 de março de 1941.
Onde passou a infância: até os dois ou três anos de idade, viveu na rua São Pedro. Mudou-se depois para a rua do Príncipe, onde morou até os nove anos. Nova mudança levou-o para a frente da primeira fábrica de leques e cachimbos da Hansen, na rua D. Pedro 2º (hoje, Padre Kolb).
Onde estudou: fez todo o primário na escola Conselheiro Mafra, passando mais tarde para o Colégio Bom Jesus.
Lugares que freqüentou: "Lembro muito bem do balneário do rio Cubatão. Já mais adolescente, ia muito à Harmonia-Lyra, ao Clube Joinville, à Liga, ao 25 de Maio, ao antigo Sopp, ao Tênis Clube. Passava as férias em Piçarras ou Ubatuba".
Um momento inesquecível: "Não saberia responder: encaro cada dia como uma obra de arte para que todo o ato de viver seja inesquecível".
Onde atua hoje: tem ateliê em Paris (onde leva sua "vida fiscal") e no Rio de Janeiro.


Antonio Mir

A adolescência em Joinville marcou a obra do artista, agora com ateliê em Barcelona

Artista de muitas técnicas, pesquisador de um sem-número de materiais, pintor de muitas fases e cores, Antonio Mir veio da Espanha para o Brasil acompanhado dos pais, Marina e Antonio, aos 8 anos de idade. Durante os 35 anos que permaneceu em Joinville, entrou em relação simbiótica com o município, transformando-o e deixando-se transformar por suas características que, garante, até hoje estão presentes em sua obra. Mir, na verdade, é cidadão de dois mundos, algo denunciado pelo sotaque, artista capaz de dar tratamento universal a uma paisagem da baía da Babitonga, pintor que torna tomateiros espanhóis e ânforas cartaginesas em imagens familiares até mesmo aos pescadores da ilha de São Francisco.
"Em 1958, quando cheguei em Joinville, nunca tinha tomado banho de rio, jogado futebol ou andado descalço. Ao confrontar-me com essa nova realidade, me senti em desvantagem com os novos amigos e seus hábitos de pescaria e caça", lembra o artista. Um dia, a professora Lia Jardim disse à classe que o pequeno Antonio desenhava bem, alçando-o à condição de "ajudante de ilustrações", responsável por criar submarinos com asas no quadro negro da escola e outros desenhos, atendendo a pedidos, no caderno das coleguinhas. "Daí pra frente, me equilibrei e me senti com vantagem sobre os outros pelo meu destaque no desenho."
O talento e o fascínio pelas artes, como se pode perceber, desabrocharam prematuramente em Mir, introduzindo-o aos poucos em um universo de cor e forma bastante peculiares. "Quando criança, costumava ir à grande pilha de sucata de alumínio da Carrocerias Nielson e inventar pequenas esculturas dos grandes monstros que, na minha imaginação, viviam na mata. Não havia a rua Blumenau e a João Colin ainda era uma rua de barro", explica. Aos 13 anos de idade, Mir começou a trabalhar com Wilson Schroeder, o Bahia, na decoração de vitrines. "Na época, todas as lojas de Joinville tinham vitrines muito caprichadas e criativas, pois era programa de domingo apreciá-las antes do cinema das sete horas", recorda. Dois anos depois, a experiência acumulada fez com que o jovem se apresentasse, durante a festa aniversário de uma namorada, em Curitiba, aos pintores Nilo Previde e Érico da Silva, que lhe propuseram um teste. "O Nilo Previde me deu telas, tintas e pincéis. Foi quando pintei minhas primeiras três telas a óleo e, para minha surpresa, ele achou que eu tinha talento, me permitiu voltar e foi ele que me ensinou a descobrir o espírito do artista". Mais dois anos em Curitiba e Mir, além de tornar-se presença constante no Centro de Gravura do Paraná, já tinha no currículo uma exposição na qual havia sido apontado como jovem destaque das artes plásticas.

PIONEIRO

Entre 1966 e 1991, período em que produziu em Joinville, Mir teve exposições individuais em Florianópolis, Curitiba, Porto Alegre e Brasília, mostrando seus trabalhos, também, no Banco do Brasil de Madrid, sua primeira mostra internacional, em 1980. "Todo o desenvolvimento das artes plásticas em Joinville está ligado não só a mim, mas também a Eugênio Colin, Hamilton Machado, Mário Avancini, Nilson Delay, Índio Negreiros, Môa, Schwanke. Somos o que poderíamos chamar de grupo pioneiro", explica o pintor, que admite jamais ter pensado em sair de Joinville até então. "Toda a minha obra está ligada a minha adolescência em Joinville, onde eu sempre tive acesso às técnicas das indústrias e me familiarizei com o metal, a cor, o desenho técnico, a área têxtil e também as bicicletas como meio de desenvolvimento nos anos 60 e 70".
O pintor voltou à Espanha em 1992 para ficar apenas 15 dias, mas encantou-se com a luz e sentiu o apelo da volta às raízes baterem mais forte, obrigando-o a permanecer na terra natal. Desde então, Mir tem transferido seu estúdio da Galícia para Murcia e, de lá, para Barcelona, onde está instalado desde o último outono europeu e ensaia a volta à escultura e à gravura. "Nos últimos oito anos, fiz 19 exposições, cada uma foi tão importante quanto a primeira", diz. Suas obras, neste período, continuaram cumprindo datas no Brasil e chegaram, inclusive, à Itália, no início do ano passado. "Se penso em voltar para Joinville? Claro que sim. Durante os anos em que não vivi aí, sempre tive na cidade o meu endereço emocional", responde, via fax.
Mir tem na abundância das cores, na simplicidade das formas e na generosidade das pinceladas as suas marcas registradas mas, no espaçoso estúdio de Barcelona, joga-se em uma nova fase estética marcada pelos grande painéis de flores brancas, desnudas, criadas apenas de volume e textura. Com esta guinada radical na linha evolutiva de seu trabalho, pensa em conquistar um espaço maior no cenário internacional da arte. "A nova fase em Barcelona significa uma etapa completamente diferente de todas as que já tive. Os seus dois mil anos de cultura mediterrânea dão à cidade um caráter cosmopolita, portanto os cruzamentos das linguagens artísticas daqui são, sem dúvida, mais difíceis profissionalmente", explica. "Esta é a razão que, de comum acordo com meu mecenas, me levou a montar aqui o novo ateliê". (GP)

Local e data de nascimento: Lorca, na Espanha, a 1º de janeiro de 1950.
Onde passou a infância: Próximo ao campo do América, em Joinville. Depois, mudou-se para a rua Alvarenga Peixoto.
Onde estudou: no Grupo Escolar Germano Thiem
Lugares que freqüentou: "Jogava futebol no campo do América e pescava no rio Cubatão e Cachoeira. Freqüentava o Tênis, a Polar, o Cine Colon, o ateliê do Fritz Alt, a praça, o BlueBar. Também fui coroinha na Igreja Santo Antônio e na catedral".
Um momento inesquecível: "O último foi quando me tornei avô de Sofia Antonia".
Onde atua hoje: em Barcelona, na Espanha


Aldo Martinez

Pianista formado na Casa da Cultura dá aulas na Alemanha, pátria da música

Em setembro do ano passado, Joinville teve o privilégio de assistir - não pela primeira vez, mas seguramente a mais consagradora delas - à manifestação de talento de um de seus filhos que deixou o berço para ganhar o mundo. Aldo Martinez não nasceu na cidade dos príncipes (veio ao mundo na capital uruguaia), mas fez do chão que o acolheu e educou o ponto de partida para uma carreira de disciplina, obstinação e criatividade nos conservatórios da Alemanha. Dividindo o piano com o veterano Eduardo Leite, o jovem músico naturalizado brasileiro apresentou peças de compositores como Bortkiewcz, De Falla e Genuit, coroando uma trajetória de dedicação exclusiva à arte que, agora, começa a dar frutos. "Meu gosto pela música começou antes das minhas recordações de infância. Me lembro apenas de que nunca quis parar", explica. "Agradeço a meus pais, que perceberam esse interesse e me deram todo o apoio e investimento necessários".
Martinez é filho de Nelson Giribaldi e Nelly Alba. Começou seus estudos de piano aos quatro anos, tendo a respeitada Vany Knoll como professora. Aprendeu a tocar percussão na Casa da Cultura de Joinville e foi iniciado no trompete pelo já falecido maestro Tibor Reisner. "Uma das minhas melhores lembranças desta época é a orgulhosa participação em alguns concertos especiais de Natal regidos por Reisner", revela o pianista, via e-mail, da Alemanha. Até as portas da faculdade, aos 17 anos, Martinez teve aulas regulares com o maestro Luiz Fernando Melara, quando passou a dividir o estudo do piano com a participação em vários festivais de música, cursos de inverno e concursos nacionais, onde sempre obteve classificação entre os primeiros lugares. Em 1986, Martinez voltou a Montevidéu para estudar no conservatório da professora Raquel Boldorini. Durante seu aprendizado, freqüentou também cursos com professores como Miguel Proença, Fernando Lopez e Yara Berneti e, depois de passar no vestibular, ingressou na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, onde foi acadêmico do curso superior de instrumento.
Ao terminar a faculdade, Martinez foi para a Alemanha fazer a pós-graduação, formando-se, em julho do ano passado, no curso chamado Diplommusiklehrer da Staatliche Hochschule fur Musik Karlsruhe - uma das mais tradicionais escolas de música da Europa. O pianista obteve o primeiro lugar entre 40 candidatos de várias nacionalidades, o que lhe rendeu convite do mestre Kale Randalu para permanecer mais dois anos na escola. Agora, Martinez está na metade do Diplom Kunstreliche Ausbildung - ambos os cursos tem como objetivo uma completa formação da performance pianística, sendo o primeiro também orientado para a didática musical.
A procura pelo Velho Mundo se deu por motivos bastante simples: além de ser a Alemanha a capital internacional da música erudita, faltou a Martinez, em Joinville, uma escola que pudesse lhe dar acompanhamento no nível avançado de estudos em que já se encontrava. "O porquê de eu sair de Joinville foi bastante óbvio: não existe na cidade um curso superior de música", lamenta o pianista. A declaração chega sem carga nenhuma de ressentimento: ao contrário do que se possa pensar, o músico criado na cidade das flores teve a melhor educação musical que o município pôde oferecer e isto deu a Martinez um lugar de respeito entre os melhores pianistas do Brasil. "Musicalmente, a cidade me ofereceu Melara e Reisner, com quem comecei meus estudos pianísticos. Tibor deu, como ele diria, 'um big de um empurrão' em minha carreira, não só como músico, mas também como artista", frisa o professor.
A vida na Alemanha é compensatória e o curso que o músico está fazendo é intensivo, o que obriga a passar várias horas do dia ao piano e oferece, em troca, muita experiência de repertório. Na Europa, Martinez finca raízes que se aprofundaram ainda mais depois do casamento com Cristina (que Joinville teve oportunidade de conhecer na cerimônia religiosa), embora a atividade e a afetividade ainda não sejam fatores suficientes para derrubar a saudade e fazer com que o pianista pense em estabelecer-se definitivamente longe do lugar em que cresceu. "Quero voltar, principalmente para, quem sabe, ajudar a construir em Joinville um pólo musical importante", declara, firmando quase um propósito de retribuir à cidade aquilo que ela lhe ofereceu. "Adoro Joinville e isso é tudo", conclui. (GP)

Local e data de nascimento: Montevidéu, no Uruguai, a 25 de junho de 1975.
Onde passou a infância: no bairro Atiradores (rua Rio Grande do Sul), em Joinville.
Onde estudou: entrou para o jardim de infância Padre Carlos. Depois passou pelo Santos Anjos, Bom Jesus e Positivo.
Lugares que freqüentou: cursos de música na Casa da Cultura e no conservatório da professora Vany Knoll.
Um momento inesquecível: "A prova final no primeiro curso, na Alemanha: fui aprovado com nota máxima e honra ao mérito".
Onde atua: Mora em Karlsruhe, mas estuda e trabalha em Mannheim e Frankenthal, na Alemanha.


Festival de Dança

Revelados no palco do Ivan Rodrigues, bailarinos brilham no mundo inteiro

O Festival de Dança de Joinville é como uma criança: nasceu pequeno, modesto e singelo em berço de ouro - a Sociedade Harmonia-Lyra - e foi tomando corpo enquanto mantinha o espírito eternamente jovem. Mais tarde, já crescidinho, precisou de um lugar maior para acontecer, passando a ocupar o ginásio Ivan Rodrigues e mesmo o ginásio Abel Schulz. Com a inauguração do Centreventos Cau Hansen, foi como se ganhasse um cômodo especial, só seu, na casa, como todo o adolescente que busca a independência. No ano 2000, sua 18ª edição marca a maturidade, a completa autonomia sobre seus atos e desejos, uma evolução caracterizada pela internacionalização. Adulto, o Festival de Dança de Joinville já não é mais um evento restrito à comunidade local, espalhando seus dotes e efeitos para o mundo. Em 17 anos, viu passar 50 mil bailarinos e estudantes de dança de todo o Brasil, em apresentações que foram vistas por mais de um milhão de pessoas. "Isto é resultado de uma evolução natural, sem pressa. São conquistas gradativas", explica Edson Machado, presidente do conselho deliberativo do festival. "A comissão organizadora sentiu que esta era uma busca genuína das pessoas que participam diretamente do Festival de Dança, mas foi somente nos dois últimos anos que passou a ser adotada uma estratégia prática e sistemática rumo à internacionalização".
Esta projeção do evento além das fronteiras do País é uma via de mão dupla: ao mesmo tempo em que o festival incorpora elementos do cenário mundial da arte (regulamento, formatação dos espetáculos), lança ao estrelato internacional artistas que iniciaram a carreira dançando sobre seu tablado. O caso mais famoso é o da bailarina Fernanda Diniz, que conquistou a medalha Superouro no Masako Oyha Word Ballet Competition, em Osaka no Japão. Atualmente, Fernanda faz com o bailarino cubano Joan Boada uma dupla de sucesso em todo o mundo, sendo comparada a Margot Fonteyn e Rudolf Nureyev.
Pollyana Ribeiro, outra revelação do festival para o mundo, foi campeã em Joinville antes de ganhar a medalha de ouro no Concurso Internacional de Helsinque, na Finlândia, em 1992. Desde então, faz parte do Boston Ballet, onde, a partir de 1994, vem estrelando muitos papéis como primeira solista. Sua atuação em "A Megera Domada" arrancou elogios da ex-bailarina Alicia Markova, que a considera "a Giselle do ano 2000". Outro exemplo que, a partir de Joinville, trilhou uma carreira de sucesso é Daniela Severian. Em 1996, ela ganhou a medalha de ouro no Concurso Internacional de Dança de Paris e hoje é solista do Sttats Theather Wiesbaden, da Alemanha.
Na prática, a internacionalização do festival vem acontecendo através da adequação do seu regulamento aos critérios praticados por festivais europeus e asiáticos, com distribuição deste mesmo regulamento em inglês, português e espanhol e com a escolha cada vez mais rígida das atrações estrangeiras: elas precisam representar o momento vivido pela dança na atualidade ou devem ser grupos cujo nome já esteja consolidado como referência no cenário global. "Até as atrações nacionais programadas para esta edição como a Companhia Deborah Colker e o Balé Folclórico da Bahia são nomes internacionais. Queremos elevar o nível da dança no Brasil através destas atrações", explica Machado.
"Antes do Centreventos, um festival de nível internacional era impensável em Joinville", recorda Ely Diniz da Silva Filho, coordenador executivo do Instituto Festival de Dança. "Durante onze dias, temos uma média de cinco mil pessoas por noite, algo quase inconcebível: é um público bonito, inteligente, que acompanha as tendências da moda e que está muito bem informado". As sucessivas edições do festival tem mostrado que sua abrangência não se limita apenas à expressão artística, mas também às áreas social e econômica, redefinindo o perfil do município - hoje a incontestável capital nacional da dança - e injetando novo vigor ao comércio e ao turismo. O propósito para os próximos três anos, antecipa Machado, é de que as grandes turnês de companhias internacionais no Brasil iniciem por Joinville e de que aqui também aconteçam as estréias das turnês de grupos nacionais.
O reconhecimento gradativo do Festival de Dança de Joinville no exterior foi fator fundamental para que a cidade recebesse, no início deste ano, a primeira escola do Ballet Bolshoi fora da Rússia, exercitando a já citada via de mão dupla na dança entre o Brasil e os outros países. "A Escola do Bolshoi só veio para Joinville em função do conhecimento que seus bailarinos e coordenadores tinham do Festival de Dança", explica Diniz, ressaltando o respaldo que o evento e seu cenário - o Centreventos - tem fora das fronteiras nacionais. Com a vinda da escola para Joinville, a cidade se consolida como não só como principal pólo de exibição da dança, mas também como um dos grandes centros de produção e discussão desta forma de arte no Brasil. "A grande esperança de termos grandes bailarinos homens no Brasil é a Escola do Bolshoi", exemplifica Diniz, antecipando efeitos que a escola, antes mesmo de sua inauguração, promete causar. (GP)

Data e local de nascimento: a 10 de julho de 1983, na Harmonia-Lyra, "nascia" o Festival de Dança de Joinville.
Primeiro passos: já no segundo ano, vai para o Ginásio Ivan Rodrigues, e depois se divide entre esse ginásio e o Abel Schulz até os quatro anos. Daí em diante, fixa-se no Ivan Rodrigues.
Maturidade: aos 15 anos ganha casa nova, o Centreventos Cau Hansen.
Momento inesquecível: apresentação do Balé Bolshoi, em 1996.


Fernando Camacho

Prêmios internacionais confirmam talento do editor do fanzine que surgiu em Joinville

O abnegado editor do Black Hole (Buraco Negro) chegou lá. Entre os 15 e 18 anos, Fernando Camacho Filho gastava maior parte do tempo editando o fanzine dedicado ao heavy-metal. Ao final da epopéia, o material era produzido em inglês e lido em 24 países. Mas Camacho sonhava mais alto. No ano passado, o talento do jovem, hoje um publicitário com atuação em Curitiba, seria reconhecido pelo Young Creatives Project (Projeto de Jovens Criativos). Estava carimbado o passaporte para a participação no Festival Internacional de Propaganda, em Cannes, na França. Agora, o joinvilense de coração sonha em participar da mostra competitiva do festival, a competição máxima da publicidade mundial.
Fernando Camacho Filho nasceu no final de 1970 em Tubarão. Aos cinco anos de idade, acompanhava a família na transferência para Joinville, ocasionada pela promoção do pai na Engepesa, onde trabalha como engenheiro civil. O Colégio Bom Jesus acompanhou toda a vida escolar de Camacho. Aos 15 anos, apaixonado por rock, o hoje publicitário começou a produção do fanzine Black Hole. "Na verdade, a confecção do fanzine tomava conta de quase todo meu tempo. Nem chegava a curtir a noite", lembra. E foi a partir do fanzine que nasceu a vocação profissional. "Era reconhecido no meio underground como um dos melhores do mundo no seu gênero", arremata.
Com o fim da adolescência e a disposição em cursar publicidade e propaganda - um curso hoje oferecido pela sua ex-escola - Camacho se viu obrigado a deixar Joinville e Santa Catarina. Ainda antes da conclusão do curso na Universidade Federal do Paraná, o jovem realizou estágios na agência carioca DPZ e na DM9, em São Paulo. No primeiro ano do curso, arrebanhou uma medalha de bronze em concurso em Nova York. A distinção máxima viria com a escolha no Young Creatives Project.
Escolhido devido ao conjunto da obra, Camacho viajou a Cannes em companhia de 14 jovens brasileiros. Foi o único do Paraná. "Foi uma honra muito grande ter participado desse programa, pois mostra o reconhecimento do trabalho criativo que venho realizando na minha carreira", orgulha-se.
Nesta ano, Camacho está completando cinco de Mercer Comunicação, na capital paranaense. Diretor de arte, o publicitário reconhece a falta de tempo para visitar Joinville - "vou de vez em quando" - e rever os pais. Casado com Romina e sem filhos, o joinvilense por adoção agora sonha em vencer em Cannes. "Ainda não escolhi os trabalhos, mas dá para competir sim". (JS)

Local e data de nascimento: Tubarão, em 14 de dezembro de 1970.
Onde passou a infância: Parte no bairro Atiradores, em Joinville, parte em Cuiabá (Mato Grosso).
Lugares que freqüentou: como bom underground, gostava dos bares comuns e fugia da badalação.
Momento inesquecível: Escolha para participar do Festival Internacional de Propaganda, em Cannes.
Onde atua hoje: trabalha em Curitiba, mas já ganhou prêmios em Nova York e Cannes.


Gauchinho e Gauchão

Dupla do bairro Boa Vista conquista público na Europa e grava CD em duas versões

Quando Ênio Flávio Bandeira chegou a Joinville, há 25 anos, magro daquele jeito, vindo do Rio Grande do Sul, atraiu para si um apelido que conjugava a origem com o tipo físico. Era gauchinho pra lá, gauchinho pra cá. Dez anos depois aconteceria o mesmo com Renato Souque Lemos, também vindo do Sul mas com muitos quilos a mais. Quando os dois se conheceram e passaram a tocar juntos, o nome artístico da dupla foi inevitável.
Gauchinho e Gauchão tocam chorinho, música para poucos ouvidos, difícil de executar e de vender. Eles acabaram de lançar o segundo CD, mas com um detalhe que os torna especiais: o disco teve lançamento simultâneo em Copenhague, na Dinamarca, e em Joinville. Não é para qualquer um. O CD foi gravado na capital dinamarquesa, em duas versões. A versão em português, vendida no Estado pelos próprios músicos, esgotou-se em 30 dias. Da versão dinamarquesa só se sabe que "está vendendo bem", mas a julgar pelo sucesso que a dupla fez quando esteve lá no ano passado, a perspectiva fica muito acima da brasileira.
Uma viagem programada para dez dias acabou se transformando numa turnê de três meses, com apresentações em Londres e Munique, além de vários concertos em Copenhague. Também resultou no CD "Gauchinho e Gauchão na Europa" (versão brasileira) e "Clássicos em Chorinho" (versão dinamarquesa). O disco teve a participação de outros quatro músicos daquela cidade, todos de formação clássica. Traz pérolas da MPB (composições de Noel Rosa, Pixinguinha, Paulinho da Viola, entre outros) e obras-primas do repertório erudito (peças de Chopin, Villa-Lobos, De Falla).
O feito só foi possível porque Gauchinho e Gauchão tocam muito. Seu domínio instrumental impressionou a exigente platéia da Europa. Com o primeiro no cavaquinho e o segundo no violão, a boa música brasileira ganhou uma interpretação digna, e o maltratado chorinho arrebanhou novos fãs além-mar. Tanto que a dupla retorna à Europa em julho.
Enquanto isso, Gauchinho e Gauchão continuam tocando na noite joinvilense, preparam turnê pelo Estado, e não largam o curso de teoria e percepção musical da Casa da Cultura. Sabem que o chorinho é um gênero difícil, sem muito público por aqui ("Não tocamos música de massa", diz Gauchão), mas não pensam em deixar a cidade que os acolheu, nem mesmo o bairro (Boa Vista) onde seus filhos nasceram. "Quando vamos tocar fora, nos apresentamos como músicos de Joinville". (SM)

Local de nascimento: ambos nasceram no Rio Grande do Sul, mas vivem em Joinville há 25 e 15 anos.
Onde moram: no bairro Boa Vista.
Onde estudam: na Casa da todos os bares que os convidam para tocar. Aos sábados pela manhã, tocam no Mercado Público.
Momento inesquecível: o show em homenagem ao mestre Bera em 1997, na Harmonia-Lyra, que resultou na gravação do primeiro disco.
Onde atuam: a turnê de três meses por Copenhage, Munique e Londres rendeu gravação de disco que está sendo comercializado na Europa.

AN Especial

149 anos - De Joinville para o mundo
Apresentação
História, Editorial
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Economia
Economia (cont.)
Negócios, Solidariedade, Futuro
Entrevista / Luiz Henrique da Silveira
Imagens

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Fabiana Loef

Em alta no circuito mundial da moda, ela já se sente realizada com apenas 20 anos

O mundo da moda envolveu-a numa destas surpresas do destino - para não dizer que esta é apenas uma das peças que ele costuma pregar aos predestinados. Aos 16 anos, Fabiana Loef só queria ser atriz, mas inscreveu-se no concurso Dakota Elite Model Look 96 levada no embalo: "Na verdade, eu fui parar ali por acaso. Tinha uma amiga que queria concorrer e eu fui só acompanhar", revela a modelo. Foi assim, quase por pirraça, que Fabiana deu início uma história de sucesso que ainda tem muitos capítulos para serem escritos. Em Joinville, ela foi uma das oito garotas selecionadas pelo concurso; na etapa de Florianópolis, conquistou o primeiro lugar entre muitos rostinhos bonitos de todo o Estado, deixando no ar a dica de que era hora de começar a pensar com mais seriedade nessa história de vida de modelo. "Tinha certeza de que não ia passar em São Paulo, não tinha auto-estima mas, de Santa Catarina, fui a única que ficou: tirei quarto lugar e, meio ano depois, em 1997, fui para o Japão", recorda. "Tive muita sorte e trabalhei muito nesta primeira vez".
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A partir de 1998, Fabiana voltou sozinha duas vezes ao Japão para cumprir contratos de dois meses e, como aconteceu na primeira passagem pelo país, acumular trabalhos - para as modelos, o Japão significa muito dinheiro em caixa, é um dos mercados que melhor remunera os profissionais da moda. Em 1999, além de cumprir contratos em São Paulo, a catarinense voou para Nova York, onde foi fotografada para um editorial da revista "Bazar". Comme de Garçon e Chanel (no Japão), Christian Dior e Calvin Klein (nos EUA) são algumas das grifes que Fabiana representou no exterior; no Brasil, a modelo deu corpo às criações da Forum, da Hering e da Triton, entre outras marcas. No final do ano passado, Fabiana protagonizou uma campanha publicitária para a Pantene em Vancouver, no Canadá, e decidiu tirar férias - as primeiras desde 1996. "Eu não agüentava mais", diz, de Florianópolis, por telefone, tendo ao lado o namorado Márcio Luciano dos Santos, de 21 anos.

COMERCIAL DE PUDIM

Fabiana, 20 anos, é representada no Brasil pela agência Marylin Ultier; no Japão, pela Donna e, em Nova York, pela ID Models. Faz desfiles, editorial de moda, capa de revistas e anúncios. "No Japão, fiz de tudo o que uma modelo pode fazer, até comercial de pudim e creme dental", explica, não sem uma ponta de ironia. "Por isso, já me sinto realizada como modelo". O sucesso no exterior, no entanto, não nubla a consciência de que o glamour e o prestígio como profissional um dia, inevitavelmente, acabam. Fabiana, pensando nisso, já faz planos: "Quando eu ver que chegou a hora de parar, quero fazer arquitetura, casar e ter filhos".
Filha mais nova de dona Elisabete e do promotor Vilmar Loef, Fabiana tem um irmão de 24 anos e vê na família a grande fonte de energia para a maratona de trabalhos que lhe aguardam no centro do País e no exterior. Com boa cabeça, a modelo não se deixa seduzir pelos encantos do primeiro mundo, preferindo a espontaneidade dos conterrâneos. "Morro de saudades da minha família e dos meus amigos do Brasil. Não tem país melhor para morar", assume. "Lá fora, o pessoal é muito estressado, a cultura é muito diferente". (GP)

Local e data de nascimento: Florianópolis, 29 de dezembro de 1979.
Onde passou a infância: Na rua Tijucas, no centro de Joinville.
Onde estudou: do jardim de infância à 8ª série, foi aluna do Santos Anjos; o 2º grau, fez no Positivo.
Lugares que freqüentou: "Ia muito ao Tênis Clube quando era pequena, ao shopping, à Mansão Getúlio e à Fábrica".
Um momento inesquecível: "Quando fui a quarta colocada de todo o Brasil no Dakota Elite Model Look 96. Meus pais estavam junto comigo".
Onde atua hoje: Atualmente, entre Espanha e Itália.


Ana Cláudia Michels

Do bairro Iririú para as passarelas douradas de Nova York, Paris e Milão

Ana Cláudia, 18 anos, é a filha do meio de dona Maria Ana e do bancário Vivaldo Michels. Logo cedo, aos 14 anos, como exige o mundo da moda, começou a fazer um curso de modelo com o incentivo do pai. No desfile de formatura, a garotinha alta e esguia foi descoberta por uma agência de Florianópolis e imediatamente convidada para um desfile em Itajaí. O Brasil começou a tomar conhecimento deste rostinho bonito de Joinville no ano seguinte, quando, aos 15 anos, Ana Cláudia passou a desfilar para a Ellus, para a Beneducci, para Walter Rodrigues e para a Zoomp. Desde então, sua vida tem corrido em um ritmo vertiginoso.
De 1996 para cá, a modelo tem sido uma das profissionais mais requisitadas para trabalhar em todo o mundo - este ano, por exemplo, fez com exclusividade a campanha da M.Officer no Brasil. Ana Cláudia não participou da edição 2000 do Morumbi Fashion porque aceitou o convite do fotógrafo italiano Mario Testino para fazer, na mesma época, um editorial de moda na África do Sul para a revista "Vogue" inglesa, um dos muitos pontos altos de uma trajetória de sucesso no exterior, caminho cujo primeiro passo foi dado aos 16 anos, quando saiu do Brasil e foi para Nova York fazer seu book. Na mesma viagem, Ana Cláudia foi escolhida para integrar a Chanel Tour e, com ela, percorrer todo o Japão. Neste mesmo ritmo de trabalho, a joinvilense já foi capa das revistas "Vogue" francesa e italiana, da "Numero" e da "Elle" portuguesa. Profissionalmente, Ana Cláudia brilhou sobre as passarelas de Las Vegas, Los Angeles e Londres, conheceu o Japão, a Alemanha, a França, a África do Sul e a Itália.
Apesar de não permanecer muito tempo em um único lugar, Ana Cláudia está estabelecida há cerca de um ano em Manhattan, Nova York. No Brasil, quem cuida da sua agenda é a Mega e, na França, a parisiense City Models. "Quando ela começou com as viagens, sofríamos nós aqui e ela lá fora", lembra a mãe. Nos últimos dois anos, a modelo passou menos de um mês na companhia da família, em Joinville. "Dá saudade, mas posso confiar tranqüilamente nela porque eu sinto que a Cláudia também está tranqüila", suspira Maria Ana.
Se as referências geográficas são insuficientes para resumir o que é a velocidade da vida de uma modelo de sucesso, um exemplo atual vivido pela joinvilense pode ilustrar bem a situação: de 12 a 14 de fevereiro deste ano, em rápida passagem pelo Brasil, Ana Cláudia fez uma sessão de fotos para a "Vogue" americana. No dia 15, à noite, sem perder o pique, a joinvilense voou para a Itália e, até o dia 17 de fevereiro, cumpriu lotada agenda em Milão, partindo para Paris no dia 25. Como saldo da correria, Ana Cláudia fará cerca de 60 desfiles entre Nova York, Milão e Paris até o final de março.
Desde pequena - e é a mãe quem revela - Ana Cláudia queria ser médica. Quando foi chamada para os primeiros trabalhos como modelo, a menina relutou muito antes de aceitar. "Até há bem pouco tempo, ela me disse que ainda queria fazer medicina", afirma Maria Ana, pessoa responsável por, muitas vezes, ligar para a filha do outro lado do oceano e acordá-la para os compromissos.
Ana Cláudia encarna a figura típica da menina que, levada pelas obrigações profissionais, de uma hora para outra se torna adulta. "É um meio em que existe muita inveja, mas ela sabe se virar bem", desabafa a mãe. Em menos de quatro anos, a modelo joinvilense adquiriu domínio completo sobre as línguas inglesa e francesa, mas ainda arranha o italiano. Tantas voltas pelo mundo, no entanto, não apagaram da memória o apego à cidade natal: em um ou outro dos freqüentes telefonemas para casa, Ana Cláudia diz à família que a América do Norte e a Europa são, sim, mundos diferentes daquele onde nasceu e cresceu, mas nenhum lugar se compara a Joinville, cidade onde a modelo ainda pensa em voltar a morar. (GP)

Local e data de nascimento: Maternidade Darci Vargas, a 31 de julho de 1981.
Onde passou a infância: Viveu no bairro Iririú até os 13 anos.
Onde estudou: fez o maternal e a pré-escola no Jardim Padre Carlos; nas séries restantes, foi aluna do Colégio Santos Anjos. Por exigência da profissão, interrompeu o segundo grau ainda no primeiro ano do Positivo.
Lugares que freqüentou: a casa das amigas, pois sempre teve pouca atração por boates ou clubes.
Momento inesquecível: "A hora de arrumar as malas e voltar para casa".
Onde atua hoje: entre Nova York e Milão, principalmente.


Moacir Nunes

Professor de balé em Luxemburgo aprendeu os primeiros passos na Comdança

Joinvilense da gema, Moacir Nunes, o Moa, vive num dos lugares mais exclusivos do mundo, em nada semelhante ao pacato bairro Anita Garibaldi, onde nasceu há 30 anos. O bairro cresceu, o menino esguio que corria por aquelas redondezas também, mas jamais pensou que viria a se estabelecer no Grão-ducado de Luxemburgo, refinado centro de badalação encravado no coração da Europa, entre França, Bélgica e Alemanha.
Visitar o grão-ducado até se consegue com um bom punhado de dinheiro, mas viver lá não é para qualquer mortal. O lugar é pequeno, caro, antigo e cercado de tradições intocáveis. É o menor país da União Européia, sede do Parlamento Europeu, e possui a maior renda per capita do mundo. Para um forasteiro ser aceito em caráter permanente, tem de provar que possui algum dom especial.
Do alto do seu 1,83m, Moa tem o dom de desafiar a lei da gravidade com movimentos de força e harmonia. Primeiro bailarino dos bons tempos da Comdança (Companhia Joinvilense de Dança), ele só deixou a cidade em desespero de causa: "Os patrocínios pararam, tive que sair para poder desenvolver meu trabalho", diz, por telefone, sem esconder a imensa saudade da companhia, dos amigos, das ruas cheias de rostos familiares.
Moa dá aula de jazz, balé clássico e balé moderno na Escola de Dança Limarteling. Seu plano era ficar três meses na Europa. Está lá há um ano e meio - e não tem planos de voltar tão cedo. Além de a proposta de trabalho ser irrecusável, ele sabe que ocupa uma posição privilegiada profissionalmente. "Estou no centro da Europa, perto de tudo, viajo nos finais de semana, faço cursos, aprendo novas técnicas. Não posso pensar em voltar. Mas amo essa cidade".
A cidade que ama lhe deu o que precisava para ganhar o mundo. Desde o colégio Annes Gualberto, onde cursou o primeiro grau, até o trabalho na Comdança, Moa foi um aprendiz esforçado. A coreógrafa Fabíola Bernardes atesta: "Quando estava montando a Comdança, em 1990, ele me procurou e disse que queria se profissionalizar. Como era muito magro, fiz um trabalho de ganho de massa muscular e, em dois anos, ele cresceu assustadoramente. Era o meu melhor bailarino".
"Fabíola é minha mestra, aprendi tudo com ela", retribui Moa do outro lado do oceano. A experiência como assistente de Fabíola na Comdança foi fundamental para que ele pudesse chegar a ser admitido como professor de uma rigorosa escola européia de dança. "O porte físico dele ajuda, é carismático e brincalhão", avalia a mestra, elegendo como melhor desempenho do aluno o papel de fantasma da ópera na coreografia "Impressões de Nova York", que fez muito sucesso. A auto-avaliação de Moa é modesta: "Aqui eles gostam do meu trabalho". (SM)

Local de nascimento: Maternidade Darci Vargas.
Onde passou a infância: viveu até os dez anos na Anita Garibaldi, mudando-se depois para o bairro América.
Onde estudou: Colégio Annes Gualberto.
Lugares que freqüentou: todos, onde houvesse um palco.
Momento inesquecível: cada edição do Festival de Dança.

 

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Por: Torque Comunicação e Internet - Autoria: Avelar Lívio dos Santos, jornalista, RP MTr/PR 890