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Ensino abre novo leque de opções





Cursos mostram
mudança de perfil e
desenvolvimento
educacional

 

O O ensino superior em Joinville começa a oferecer mais opções para seus moradores. Desde o boom industrial ocorrido entre as décadas de 60 e 70 a cidade não conhecia uma diversificação de cursos nas instituições de ensino superior locais. A mais recente iniciativa partiu do Colégio Bom Jesus, que no ano passado organizou o curso de enfermagem e neste ano entrou na área de comunicação social, com cursos de jornalismo e publicidade e propaganda. Essas novas opções juntam-se aos cursos já oferecidos pela Faculdade de Engenharia de Joinville (FEJ), Universidade da Região de Joinville (Univille), Associação Catarinense de Ensino (ACE), União de Tecnologia e Escolas de Santa Catarina (Utesc), além dos cursos técnicos espalhados na cidade.

O grande passo para o fortalecimento do ensino superior em Joinville foi o reconhecimento, em 1996, da Univille pelo governo federal. Depois de muitas tentativas, a faculdade finalmente tornava-se uma universidade. A Univille começou suas atividades em 1967, com a Fundação Joinvilense de Ensino, mais tarde transformada em Fundação Educacional da Região de Joinville (Furj). Após a transferência para o novo campus universitário, a universidade criou mais cursos de graduação, pós-graduação, o Colégio de Aplicação e duas extensões, em São Bento do Sul e São Francisco do Sul.

Pesquisa

Hoje a Univille oferece 19 cursos de graduação, além do programa de pós-graduação dirigidos principalmente para as necessidades da região. Também mantém o Colégio de Aplicação, com educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. O próximo passo para consolidar a universidade na área de pesquisa universitária será a anexação do Centro de Biotecnologia, que deverá ocorrer neste ano. A incorporação foi discutida exaustivamente no ano passado e ainda depende de acertos entre a universidade, a prefeitura e o governo estadual. O CDB deve ampliar os horizontes de pesquisas na Univille e deve revitalizar em parte o centro, fechado em 1997 devido a problemas financeiros e administrativos.

O relativo sucesso empreendido ao ensino superior na cidade contagiou instituições que nem pensariam, em anos anteriores, ingressar com cursos de graduação. Como no caso do Colégio Bom Jesus. No ano de 1989 ocorreu dentro da escola uma "explosão" de projetos, com a descentralização da escola para o centro do bairro Saguaçu. Com sede na região central da cidade, a intenção da direção do colégio é transferir para o bairro boa parte dos alunos matriculados, permanecendo no antigo prédio apenas os alunos de 2º grau e cursos superiores.

Nível técnico se expande

Mas não é apenas no ensino superior que a cidade desenvolve seu ensino. Escolas técnicas oferecem para parte da população um ensino segmentado, ideal para uma região ainda com fortes nuances industrais, como Joinville. Criada em cooperação técnica com o governo alemão, a Escola Técnica Tupy (ETT) é considerada uma das melhores do país na formação de profissionais em metalurgia, mecânica, processamento de dados, segurança do trabalho, plásticos, materiais e eletrônica.

A escola oferece cursos de 3º grau de tecnólogo em automação industrial e de extensão para especialização reciclagem e treinamento em todas as áreas, atingindo mais de 4,5 mil alunos por ano. Administra também o o Centro de Mecânica de Precisão de Joinville, prestador de assistência de alta precisão na produção e manutenção de produtos.

Área rural

Outro exemplo de desenvolvimento de ensino técnico em Joinville é o Serviço de Aprendizagem Comercial (Senac) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Os dois são responsáveis pela formação da mão-de-obra especializada na área industrial e comercial em nível básico. O Senai oferece nove mil vagas por ano, enquanto o Senac dispõe de 6,5 mil vagas por ano. Na área rural, o ensino é levado pela Fundação Municipal 25 de Julho, com o curso de 1º grau de pré-qualificação agropecuária e outros 33 cursos básicos em conjunto com a Empresa de Pesquisa Agrícola (Epagri).

REFERENCIAIS
Destaque nos esportes, vida noturna agitada e patrimônio preservado: mudança na terra das bicicletas

Nova Joinville Crescimento Esporte
Ensino Serviços Empresas
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Crescimento desnudou periferia

Falta de saneamento, água e luz trouxe à tona problemas estruturais da cidade

João Cavalheiro dos Santos, 39 anos, pintor, largou tudo o que tinha em Ivaiporã, no Paraná, para tentar a sorte em Joinville. O sonho de conseguir um trabalho e um lugar para morar empurrou esse ex-lavrador que hoje vive numa das regiões mais pobres da cidade. Assim como há 10 anos, quando chegou de mala com a família, Santos convive com os mesmo problemas de falta de esgoto, água, energia elétrica. Na maior cidade do Estado, Santos ainda não conseguiu provar para si mesmo o acerto de sua opção de vida. "Mas posso dizer que não me arrependi nenhum pouquinho de ter vindo embora", completa.

Com cinco filhos pequenos, Santos construiu uma pequena casa de madeira nos confins do bairro Portinho. Quase ao lado do mangue, o pintor tenta finalmente concretizar o sonho da casa própria. Ainda faltam detalhes para sua vida melhorar, como a água encanada, que talvez venha com alguma ligação dos vizinhos, e a energia elétrica. Os postes da Celesc estão distantes cem metros da residência de Santos. "Água eu vou trazer logo para casa. Mas a luz vai demorar mais um pouco", admite o pintor, que ainda dá os retoques finais na casa, construída em mutirão com os irmãos.

Quando recebeu levas de migrantes nas últimas duas décadas, Joinville inchou para todos os lados. Os investimentos em saneamento básico foram sufocados pelo aumento crescente da população nas regiões periféricas. Bairros sem nenhuma infra-estrutura foram formados e regiões de preservação transformaram-se em local de moradia dos novos joinvilenses.

 

Índices

 

Foi assim na região do mangue, hoje quase totalmente aterrado para fixação dessas famílias, ou nas regiões ribeirinhas. Nem a Prefeitura nem a Casan assumem a falta de investimentos para melhorar a vida dessa gente.

No contrato de concessão à Casan, estava previsto que a estatal seria a responsável pela construção da rede de esgoto doméstico, sempre que necessário. Sem dinheiro para investimentos, a Casan protelou o crescimento da rede e só agora anuncia um projeto ambicioso que deve tirar Joinville da incômoda posição que a coloca como uma das piores em índices de esgoto tratado. Enquanto algumas cidades como Porto Alegre apresentam índices de até 70% de esgoto tratado, Joinville não atinge 10%. Até julho deste ano a Casan terá em mãos um projeto para levar esgoto tratado para toda a cidade.

Casan promete
esgoto a todos

O projeto de U$ 300 mil deve ser executado a partir do segundo semestre deste ano. Para recuperar o atraso e fazer as pazes com o consumidor, a estatal pretende agora uma ofensiva de investimentos para melhorar a imagem, arranhada com a constante falta de água em diversas regiões da cidade e a possibilidade - levantada inclusive pela Prefeitura - de municipalização do fornecimento de água na cidade. "Temos obras previstas para este ano como o término da estação de tratamento do Cubatão, a construção da nova adutora do Cubatão até a altura da Döhler, na Dona Francisca", completa o gerente regional da Casan, Rui Borba. Segundo ele, um dos projetos mais importantes da estatal é o SOS Nascentes, para preservar os mananciais da cidade.

A Prefeitura não tem nenhuma responsabilidade com a falta de esgoto tratado na cidade. A única tarefa da Prefeitura nessa questão é o trabalho com o escoamento das águas das chuvas, colocação de bocas-de-lobo. O restante é de responsabilidade da estatal. "Em alguns casos, a Prefeitura realiza parte do trabalho, principalmente em conjuntos habitacionais localizados em regiões periféricas", explica Roberto Winter, da secretaria de Obras.

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