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Setor de serviços
cresce mais que indústria
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O perfil econômico
da cidade mudou.
Área industrial não é
mais principal
empregador
O perfil econômico de Joinville não
é mais o mesmo. E isso graças ao crescimento espantoso do
setor de serviços verificado nos últimos anos. Os serviços
conseguiram desbancar em gênero e número a principal atividade
econômica de Joinville em décadas passadas: a indústria.
Em 1997, 3.222 novas empresas apareceram na cidade. Destas, apenas 96 foram
indústrias, enquanto que no comércio, surgiram 979 empresas.
O grande papão de empresas e empregos nesses números foi o
setor de serviços: 1.178, ou 36,87% do total. "Buscamos um equilíbrio
entre os setores", afirmou o secretário adjunto da Secretaria
de Desenvolvimento e Integração Regional, Jordi Castan.
Joinville sempre foi conhecida por sua excelência industrial e
agropecuária. A segunda, atividade desenvolvida desde a chegada dos
primeiros imigrantes. A primeira, a partir da década de 70, com a
criação de grandes indústrias e a atração
de migrantes de todas as partes do país. Nos últimos anos,
entretanto, a indústria estreitou o acesso ao emprego e enxugou a
produção, empurrando investimentos para outros setores. O
grande beneficiado com tudo isso foi o segmento de serviços. "Ainda
há um desajuste evidente em Joinville", reconhece Castan.
Enquanto em Santa Catarina a indústria responde com 43,07% do
PIB, seguida de perto pelos serviços com 40,22%, em Joinville a situação
é diferente. Mais de 80% do PIB na cidade vem da indústria,
enquanto que os serviços respondem com 1% do PIB. Há quatro
anos falar em comida a quilo na cidade era como falar de algo de outro mundo.
Os poucos restaurantes existentes que arriscavam abrir suas portas no domingo
ofereciam sempre o tradicional buffet ou o sistema à la carte.
Universalização
A chegada de migrantes forçou a mudança gastronômica
em Joinville. A grande novidade nas capitais era o serviço a quilo.
O próprio cliente se servia da comida e no final passava numa pequena
balança, pagando apenas o que consumia. "Oferecemos esse serviço
há três anos. Foi uma novidade boa para o restaurante e para
os clientes", admitiu o proprietário da rede de restaurantes
Max Sheldon, Leandro Eduardo Argenton, 27 anos.
A universalização dos costumes e mudança do perfil
gastronômico de Joinville tem muito a ver com a coragem de Argenton,
um ex-estudante de comércio exterior em Curitiba que decidiu mudar-se
para Joinville e apostar no setor de serviços. "Em cada negócio
é preciso inovar. O cliente exige qualidade e coisas novas",
acrescentou o empresário.
REFERENCIAIS
Destaque nos esportes, vida noturna agitada e patrimônio preservado:
mudança na terra das bicicletas |
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Crescimento desnudou periferia
Falta de saneamento, água
e luz trouxe à tona problemas estruturais da cidade
Ingo Müller, 40 anos, nasceu em Ribeirão Preto e veio para
Joinville com seis anos de idade. De três anos para cá, percebeu
que chegava na cidade uma leva de novos migrantes exigindo outros serviços.
Depois de voltar de uma feira de franquias em São Paulo, Müller
decidiu abandonar o emprego em uma cervejaria e investir as economias num
negócio inédito na cidade. Franqueou a marca Lav & Lev,
do Rio Grande do Sul, e abriu a primeira lavanderia self service da região.
Joinville, na época, tinha apenas duas lavanderias, que operavam
em sistema tradicional. "Na nossa, o próprio cliente lavava
sua roupa e ficava aguardando no local mesmo. Era uma inovação,
aprovada primeiramente pelas pessoas que residiam há pouco tempo
na cidade", completou Müller.
Em pouco tempo a população nativa de Joinville aderiu à
nova mania. Era mais cômodo levar as roupas para a lavanderia e esperar
que elas fossem lavadas. Os R$ 75 mil investidos por Müller continuaram
dando retorno e hoje o empresário conta com três lavanderias,
todas no sistema self service. O perfil de seu consumidor? Pessoas nascidas
fora de Joinville, que já conhecem o sistema Lav & Lev, e de
classe média. "O joinvilense mesmo só aparece em dias
de chuva para secar a roupa", brincou o empresário. "Desde
o início a recepção do novo serviço foi acima
do esperado", confirmou.
Viajar para fora sempre foi uma das atrações prediletas
dos joinvilenses mais abastados. A Alemanha era o primeiro destino. Conhecer
suas origens e quem saber falar com algum parente era o grande objetivo.
Com a chegada dos migrantes, o destino no exterior bifurcou-se. Agora, além
da Alemanha, o joinvilense gosta dos Estados Unidos e sua Disneylândia,
a Europa e seus castelos antigos e até a África. Uma das principais
responsáveis pela mudança do perfil viajante do morador de
Joinville foram as agências de viagem. "O grande fluxo de viajantes
ainda é para a Europa mas o pessoal procura muito o Caribe, os EUA",
explicou Hélio Kalbusch, um dos primeiros a abrir uma agência
de turismo na cidade.
Novas idéias
Kalbusch, 45 anos, trabalhava em uma empresa aérea antes de virar
empresário. Quando saiu da empresa para abrir sua própria
agência, levou consigo clientes e novas idéias. "Quando
abri o negócio eram poucas agências. Hoje são 38",
contou o empresário. Embalada pela mudança de costumes da
nova Joinville que crescia, a agência Olimpiatur, aberta em 1987,
só cresceu de lá para cá. "A agência cresceu,
adotou a informatização e a capacitação profissional.
O cliente ficou mais exigente e procura melhores ofertas de pacotes",
acrescentou Kalbusch. Quando abriu a agência, uma passagem para Frankfurt
custava US$ 1.800 e hoje pode ser adquirida por US$ 1.000. "Precisamos
trabalhar o dobro para ganhar o mesmo tanto", completou.
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